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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Casa Fiat de Cultura convida público a sentir sua proximidade com o verde na exposição "Na boca da mata Ah", de Carolina Botura

Obras podem ser vistas a partir
do dia 10 de Agosto
Foto: Carolina Botura/Divulgação
Em suas obras, a artista Carolina Botura constrói pontes para um mundo cada vez mais sensível e conectado com a natureza

A mata carrega consigo, à primeira vista, o caos. Ao aproximar-se ou distanciar-se, porém é possível perceber uma ordem fluida e inteligente que segue em constante transformação. Com sua criação infinita e generosidade em dar e receber, a natureza não é apenas aquilo que nomeamos fora de nós, mas algo que somos. Na exposição virtual “Na boca da mata Ah”, a artista plástica Carolina Botura, selecionada no 4º Programa de Seleção da Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura, propõe uma atmosfera de encantamento, convidando o público a sentir essa conexão universal e reforçando que uma das questões mais importantes a ser considerada, atualmente, é a nossa relação dissociada com o meio ambiente. Um grande portal de sementes, cinco pinturas, e uma instalação 3D navegável compõem a experiência, que poderá ser apreciada entre os dias 10 de agosto e 26 de setembro de 2021 no site e nas redes sociais da Casa Fiat de Cultura. A abertura da mostra será marcada por um bate-papo ao vivo com a artista, transmitido online no dia 10 de agosto, às 19h, com retirada gratuita de ingressos pela Sympla. Completam a programação, visitas virtuais com mediação ao vivo, vídeo da artista e tour virtual pela exposição.

As reflexões sobre a trama da criação e os movimentos de transformação fazem parte não somente do que aparece na exposição “Na boca da mata Ah”, mas de toda a pesquisa da artista. No processo de criação de suas obras, Carolina busca adentrar a consciência da planta, seguindo um fluxo aberto e permeável. A partir de então, a artista conta que, em uma relação de muita escuta, cada pintura vai revelando de onde vem e como quer ser pintada. “Em algumas, eu atravesso essa primeira expressão mais marcada de pincelada e adiciono camadas, já outras parecem nascer finalizadas, sendo que todas são modificadas pelas demais. A multiplicidade de faturas afirma a diversidade que compõe e assegura a vida do planeta. Sinto que as figuras parecem ser várias plantas em uma, ou uma que são várias, revelando essa fronteira ilusória de que seríamos separados. Não conseguimos identificar muito bem onde termina uma e começa outra. Talvez por isso a semente seja uma peça chave de toda essa mostra, pois nela está contido todo o ciclo de vida, um continuo centro de energia. observa Botura.

As sensações que as cores e suas misturas provocam são também muito importantes neste processo criativo, que tem o verde como ponto de equilíbrio e como centro do conceito da exposição. “O verde nos faz bem, equilibra a profundidade e frieza do azul e a expansividade e o calor do amarelo. Sempre voltamos revigorados e serenos do encontro com o verde”, reflete Carolina, que tem como um dos eixos de suas investigações a associação de partes e polaridades. De forma intuitiva e resgatando até mesmo as memórias de sua infância, ela prepara sua paleta de verdes, que vai desde os mais profundos aos mais vivos, e suas infinitas variações, com toques de azul celeste e violeta.

A curadora da mostra, Marina Câmara, destaca que para pensar no processo criativo de Botura é preciso superar a noção de gesto criador, e compreendê-lo como um processo de coescuta, de observação sensível ou de retroalimentação. Para a curadora, “não podemos perder de vista que é sempre um processo de, no mínimo, dois sentidos: do que vemos e do que nos olha, ou, melhor ainda, do que sente e do que é sentido”.

A exposição “Na boca da mata Ah” é uma realização da Casa Fiat de Cultura, com apoio do Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio da Fiat, do Banco Safra e da Gerdau, copatrocínio da Expresso Nepomuceno, da Sada, do Banco Fidis e do Mart Minas. A mostra tem apoio institucional do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal, além do apoio cultural do Programa Amigos da Casa, da Brose do Brasil, da Brembo e da Gal.

Sobre as obras

A exposição “Na boca da mata Ah” é composta por um portal de sementes, uma obra virtual e cinco pinturas.

A tela que leva o mesmo nome da exposição apresenta estruturas abertas, grandes bocas e portais, plantas infinitas que representam o fluxo de generosidade doadora e receptora da natureza. Carolina Botura explica que o “ah” exclama a contemplação, a admiração. “É um ‘ah’ de abrir a boca e deixar o verde entrar e, sonoramente, também corresponde ao ‘há’, do verbo existir: na boca da mata existe!”, completa. Já no grande portal de sementes construído pela artista, cada semente está ali como a marca do atravessamento de um tempo que fala da presença, da calma, de estar onde se está, sendo este o lugar que contém em si o passado e o futuro, a carga genética e o devir da planta.

A obra virtual é uma instalação 3D navegável, em que uma balsa de cristal de sementes é guiada por uma flor, que flutua em águas calmas em uma dimensão de luz que foi criada com os artistas Marcelo Padovani e Sandro Coelli. Para a artista, é como uma estrutura angélica guardiã de sementes que viaja levando-as para diferentes dimensões. Compõe o ambiente, no qual será possível vivenciar a passagem do dia e da noite e outros detalhes, uma peça sonora que envolve flautas japonesas de bambu, chamadas Shakuhashis, que são tocadas pelo músico Tiago Miotto, e sementes e diferentes plantas tocadas por Botura, em ambientação e edição de Henrique Iwao.

Lista de obras

Na boca da mata Ah (2021)A grande flor iluminada (2021)Sheila (2021)Atandariv (2021)Parque das trepadeiras (2020)Portal de sementes (2021)Balsa (2021)

Carolina Botura                                            

Artista visual, performer, poeta e mestre em reiki. Graduada em Pintura e Escultura pela Escola Guignard – UEMG, é coidealizadora do dispositivo VESPA (via de experimento em performance e ação), e compõe o coletivo plástico sonoro POÇA. Suas práticas estão voltadas para a vivencia das linguagens como um ecossistema sem fronteiras. Formalmente, investiga as relações entre unidade e fragmento abordando temas que envolvem natureza, espiritualidade, sexualidade, vida e morte.

Dentre suas exposições individuais estão: Casa para um Animal – BDMG Cultural [2017]; As coisas quando não são mais elas – Memorial Minas Vale [2018]; Amantes [in: Híbrida] – Fundação Clóvis Salgado [2019/20] e Na boca da mata Ah – Casa Fiat de Cultura [2021]. Possui obras nos acervos do BDMG Cultural e da Fundação Clóvis Salgado

Participou de residências como Co-Habitar al cuerpo em Valparaíso, no Chile; Línea Imaginária em Quito, no Equador; RAM em Altamira/MG; Fronteira em Puerto Aguirre/Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, MIP – Manifesto Internacional de Performance (MG). Participou de coletivas como Video-formes – Clearment Ferrand na França, La presencia de lo Efimero – Queretaro- México;  Salão Nacional de artes da Colômbia – Bogotá – Colômbia ;  Hélice- Festival Internacional de Performance de Quito – Ecuador, FIME- Festival Internacional de Música Experimental de São Paulo; Underline Project –  Museum of African Design - Johannesburg – Africa do sul ; Cine de Rua Feminista – Virada Cultural – Belo Horizonte – MG, II Mostra de arte Feminista e resistência – Belo Horizonte – MG. Quarta Função – Festival Instantâneo de performance urgente – SP; Perpendicular Bienal – 31 Bienal de São Paulo.

Publicou os livros de poema: “Parque” e “AguaPedra”; e os livros de teoria da arte: “As coisas quando não são mais elas” e “Camela”, todos pela editora Curiango.

Programação paralela

No dia 10 de agosto será realizado bate-papo ao vivo com Carolina Botura, que vai compartilhar com o público detalhes sobre suas obras e seu processo criativo. A participação é gratuita, com retirada de ingressos pela Sympla: https://bit.ly/BatePapoCarolinaBotura

Durante o período expositivo também serão disponibilizadas visitas virtuais gratuitas, com mediação ao vivo do Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura. Para participar é necessário se inscrever pela Sympla. As datas para essas visitas são:

19 de agosto, às 16h26 de agosto, às 19h2 de setembro, às 16h9 de setembro, às 19h16 de setembro, às 16h23 de setembro, às 19h, com tradução simultânea em Libras

Para escolas, universidades e grupos interessados em mediação exclusiva, o Programa Educativo está promovendo visitas em horários alternativos. Os interessados devem enviar e-mail para agendamento@fcagroup.com e conferir a disponibilidade.

Piccola Galleria

O espaço é destinado a artistas da cena contemporânea e foi criado em 2016, com o intuito de incentivar a produção nacional e internacional. Os artistas são selecionados por uma comissão de especialistas, que, nesta 4ª edição, conta com a historiadora e educadora Janaína Melo, curadora e integrante do Conselho Internacional de Museus (ICOM-BR); o curador e crítico de arte Márcio Sampaio; e o artista e professor Marco Paulo Rolla, da Escola Guignard.

A proposta é apresentar e destacar trabalhos inéditos – pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, instalações, performances e/ou videoarte – de artistas locais, brasileiros ou estrangeiros. Além da Carolina Botura, outros cinco artistas foram selecionados na 4ª edição, e as mostras estão sendo exibidas no calendário de 2021 e 2022.

Nas quatro edições, a Piccola Galleria recebeu 424 inscrições, e, entre 2016 e 2020, já apresentou o trabalho de 18 artistas, 248 obras de arte, e recebeu mais de 150 mil visitantes. A sala expositiva é um ambiente dedicado às artes visuais e sua criação marcou os 10 anos da Casa Fiat de Cultura. Situado ao lado do painel “Civilização Mineira”, de Candido Portinari, no hall principal da Casa Fiat de Cultura, o espaço é destinado a exposições de curta duração, mas com toda a visibilidade que a instituição enseja. Local intimista e com grande circulação de público, conta com a chancela da Casa Fiat de Cultura e do Circuito Liberdade, um dos mais importantes corredores culturais do país.

Casa Fiat de Cultura      

Cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braile e atendimento em libras. Mais de 60 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 15 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 3 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 560 mil participaram de suas atividades educativas. 

Exposição virtual “Na boca da mata Ah”– Carolina Botura na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura

10 de agosto a 26 de setembro de 2021

Curadoria: Marina Câmara

Abertura da exposição virtual: Bate-papo ao vivo com Carolina Botura

10 de agosto, das 19h às 20h, em transmissão ao vivo

Ingressos gratuitos pela Sympla: https://bit.ly/BatePapoCarolinaBotura

Visitas virtuais com mediação online

19 de agosto, às 16h26 de agosto, às 19h2 de setembro, às 16h9 de setembro, às 19h16 de setembro, às 16h23 de setembro, às 19h, com tradução simultânea em Libras

Inscrições gratuitas pela Sympla

Casa Fiat de Cultura

Circuito Liberdade

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários –Belo Horizonte/MG

Informações

(31) 3289-8900

www.casafiatdecultura.com.br

casafiat@fcagroup.com

facebook.com.br/casafiatdecultura

Instagram: @casafiatdecultura

Twitter: @casafiat

YouTube: Casa Fiat de Cultura

http://www.circuitoliberdade.mg.gov.br/

Mais informações sobre o trabalho da artista 

Instagram: @carolabotura

Site: www.carolinabotura.com

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Por que o plástico não precisa ser o vilão do meio ambiente?

 *Por Alessandra Zambaldi 

O plástico tem sido tema central de amplos debates públicos, especialmente em relação a seus riscos ambientais. Em São Paulo, desde 1º de janeiro, nenhum estabelecimento comercial pode fornecer copos, pratos, talheres, agitadores para bebidas e varas para balões de plásticos descartáveis. 

De acordo com a nova lei, esses produtos agora devem ser substituídos por outros elaborados com materiais biodegradáveis, compostáveis ou reutilizáveis. No entanto, esta alternativa, além de não resolver o problema ambiental, ainda vai gerar um novo tipo de lixo na natureza, problema com o qual o poder público não poderá lidar da maneira correta. Sendo assim, a emenda pode ser inúmeras vezes pior do que o soneto. 

Produtos com embalagens que afirmam ser "biodegradáveis" ou "compostáveis" na grande maioria das vezes se degradam apenas em condições especiais e isso pode complicar os esforços de reciclagem. Portanto, aquele copo de café que possui logotipo indicando ser biodegradável não vai se decompor entre os compostos orgânicos que as pessoas têm em casa, mas, para se degradar adequadamente, precisará ser enviado para instalações de compostagem industriais. 

O processo de compostagem industrial envolve alto calor e umidade precisamente controladas, entre outras condições, e não está disponível na maior parte do país. Já se este lixo for parar em um aterro, ficará lá por muito tempo, porque é improvável que seja exposto a condições que ajudariam a se decompor. Além disso, a produção desses itens consome mais recursos, cria mais resíduos e resulta em mais poluição do que a produção de itens plásticos descartáveis. 

Obviamente, entendemos ser fácil apontar o plástico como o grande vilão que precisa ser proibido, afinal ninguém no mundo fica feliz com imagens de mares e rios repletos de embalagens e com animais morrendo por conta do produto. No entanto, banir os plásticos de consumo não soluciona os problemas, mas apenas desvia a atenção de soluções reais e, em vez disso, prejudica os consumidores e o meio ambiente. 

Para resolver a questão ambiental do plástico, é preciso melhorar a qualidade das práticas de gestão de resíduos, produzir materiais que tenham o menor impacto ambiental possível, investir em coleta adequada e incentivar a reciclagem disponibilizando locais especializados acessíveis para que a população possa fazer o descarte do material que utiliza em seu dia a dia. A grande variedade de formas em que pode ser reciclado também precisa ser vista como um benefício do material. Isso não só é mais ecológico, mas também torna o plástico um material muito flexível para as necessidades do mundo moderno. 

Outro ponto importante: com a trágica chegada da pandemia, os argumentos e o debate sobre o uso do material também ganharam outra direção: a saúde e a vida. A pandemia transformou a produção e uso do plástico em um material essencial de sobrevivência. Nos hospitais e laboratórios, ambientes essenciais na luta pela vida, o plástico está sendo utilizado em grande escala para produção de máscaras, luvas, seringas, tubos de ensaio, cateteres e outros produtos. 

Além disso, aditivos que inativam o Sars-Cov-2 inseridos a produtos plásticos permitiram que diversos objetos e superfícies com as quais as pessoas têm contato diário em lugares públicos e em suas casas oferecessem uma barreira extra de segurança contra a doença. Este é o caso do Alpfilm Protect que já contava com propriedades antifúngicas e bactericidas graças à presença de micropartículas de prata e que, com a pandemia, passou por uma série de estudos para adequações em sua composição com o objetivo de assegurar sua eficácia antiviral, em especial contra o novo coronavírus. 

Já no espaço doméstico, o plástico foi o material que mais entrou nas casas. Itens básicos de sobrevivência, como água e alimentos, tiveram alta de estoque: muitas vezes embalados em materiais plásticos. Também podemos encontrar o material em máscaras n95. Além disso, com o plástico é possível vedar produtos e alimentos, o que evita a degradação rápida da comida, além da contaminação por doenças, garantindo a segurança alimentar e também evitando o desperdício de alimentos, especialmente em um momento com tanta instabilidade econômica e desemprego. 

Não há dúvida de que a crise dos plásticos é um problema sério e que precisamos encorajar uma mudança de atitude em relação à mentalidade de uso único da sociedade com pessoas favorecendo o consumo inteligente e o pensamento sobre o ciclo de vida, além de realizar seu descarte apropriado. Mas devemos ter em mente os benefícios ambientais e econômicos que os plásticos oferecem e usar a inovação para aderir à melhor solução. 

Alessandra Zambaldi é diretora de Comércio Exterior na Alpes. Graduada em Engenheira Química pela Escola de Engenharia Mauá e pós graduada em Negócios Internacionais e Comércio Exterior pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), possui carreira desenvolvida na indústria de plásticos, com forte atuação em projetos de exportação, com vendas de plásticos para embalagens para o mercado externo.