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domingo, 5 de abril de 2026

Casa Fiat de Cultura inaugura exposição que investiga memória e reconstrução a partir do bordado

Foto: Rodrigo Antunes


Na Piccola Galleria, a artista visual Rita de Souza apresenta 14 obras entre desenho e bordado sobre papel, tendo a chita como ponto de partida 

Com obras que se expressam com delicadeza e força, a Casa Fiat de Cultura realiza, na Piccola Galleria, a exposição Reparar entre linhas, da artista visual Rita de Souza. A mostra reúne 14 obras entre desenhos e bordados sobre papel, que nascem de um gesto simples e atento: observar, desenhar e recompor. Ao transpor para o papel as tramas de um tecido desfeito — a chita —, a artista constrói composições em que o suporte se transforma em espaço de reinvenção. A exposição fica em cartaz de 7 de abril a 24 de maio de 2026. Toda a programação é gratuita e integra as comemorações dos 20 anos da Casa Fiat de Cultura. 

Mais do que representar a matéria, as obras partem dela como memória e repertório visual. Marcada por cores vibrantes e estampas florais, a chita surge como ponto de partida para investigações sobre identidade e tempo. Esse material ocupa um lugar central no processo da artista: associado à cultura popular brasileira, ao ambiente doméstico e ao universo feminino, carrega uma visualidade intensa que atravessa gerações. Ao trazê-lo para o campo do desenho e do bordado, Rita de Souza não apenas recupera sua força simbólica, mas também tensiona sua fragilidade. O que antes era superfície contínua se desfaz, se fragmenta e se reorganiza em novas composições. As cores, ainda que muitas vezes sugeridas mais do que explícitas, permanecem como memória visual, evocando a presença vibrante da chita mesmo quando ela já não está inteira. 

Ao desfazer, fotografar, desenhar e bordar seus fragmentos, Rita de Souza desloca esse universo para o campo do desenho, onde as cores se insinuam e as formas se reorganizam em composições mais contidas, mas ainda carregadas de intensidade. Nesse processo, o gesto manual ganha protagonismo. Sobrepor fios deixa de ser apenas um procedimento técnico e passa a estruturar o pensamento da obra. As imagens resultam de um equilíbrio entre controle e espontaneidade, em que o que foi rompido não é simplesmente restaurado, mas transformado em outra forma de presença. “Não me preocupo em seguir uma técnica perfeita de bordado. Minha intenção é que ele se sobreponha ao desenho. Nas obras, a linha é mais um desenho do que propriamente bordado”, explica a artista. 

O título da exposição sintetiza esse movimento. “Neste caso, reparar pode ser entendido tanto como a tentativa de cobrir o espaço que abro quanto como o gesto de observar o detalhe”, ressalta Rita. Cada linha funciona como um registro do tempo, convidando o olhar a se aproximar e perceber nuances que não se revelam de imediato.  

A exposição “Reparar entre linhas” é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Stellantis, da Fiat, copatrocínio da Stellantis Financiamentos e do Banco Stellantis, e apoio do Grupo Sada, do Banco Safra, da Auto Avaliar e da Fiat Seguros. A mostra tem apoio cultural do Circuito Liberdade, do Governo de Minas e do Programa Amigos da Casa. 

Bate-papo de abertura 

Para marcar a abertura da exposição, o público é convidado a participar de um bate-papo com a artista Rita de Souza na terça-feira (7), às 19h.  O encontro aborda o gesto do bordado como prática de atenção e reconstrução, além da escolha da chita como elemento central. O evento é gratuito, com inscrições pela Sympla.  

Sobre a artista 

Rita de Souza nasceu em Belo Horizonte onde vive e trabalha atualmente. Tem formação em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Minas Gerais, História da Arte pela Université de Montréal no Canadá. E é especialista em Arte e Contemporaneidade pela Escola Guignard. Conciliando a Arte e a História, seu trabalho explora a produção artística como forma poética de registros e narrativas. Tentar captar e transformar através da linguagem visual, elementos simples do cotidiano. Busca associar as histórias e memórias presentes em elementos da cultura material com contextos da atualidade. 

Piccola Galleria    

É um espaço destinado a artistas da cena contemporânea e foi criado em 2016 com o intuito de incentivar a produção nacional e internacional. Situado ao lado do painel “Civilização Mineira”, de Candido Portinari, no hall principal da Casa Fiat de Cultura, o pequeno recinto é destinado a exposições de curta duração, mas com toda a visibilidade que a instituição enseja. 

Os artistas que expõem na Piccola Galleria são selecionados por uma comissão de especialistas, que nesta 9ª edição contou com Katia Wille, artista visual e pesquisadora; Giancarlo Hannud, historiador da arte, curador e pesquisador; e Marcel Diogo, artista, professor e curador independente. O processo foi realizado de forma 100% online, de modo a facilitar a inscrição de pessoas de todo o Brasil. No total, mais de 370 trabalhos foram enviados. 

A proposta é apresentar e destacar trabalhos inéditos – pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, instalações, performances e/ou videoarte – de artistas locais, brasileiros ou estrangeiros. Além de Rita de Souza, outros cinco artistas foram selecionados no 9º Programa de Seleção da Piccola Galleria, e suas exposições serão exibidas na programação de 2026/2027.  

Casa Fiat de Cultura   

Cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em Braille e atendimento em libras. Mais de 100 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 20 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 800 mil participaram de suas atividades educativas. 

Exposição “Reparar entre linhas”, de Rita de Souza, na Casa Fiat de Cultura     

Período expositivo: 7 de abril a 24 de maio de 2026 

Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)     

Toda programação da Casa Fiat de Cultura é gratuita 

Bate-papo de abertura da exposição  

7 de abril, terça-feira, às 19h, na Casa Fiat de Cultura 

Inscreva-se gratuitamente pela Sympla 

Casa Fiat de Cultura    

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – Belo Horizonte/MG  

Circuito Liberdade 

Horário de Funcionamento 

Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 21h   

Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h    

Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Casa Fiat de Cultura apresenta exposição "Rembrandt - o mestre da luz e da sombra"

Foto: Leo Lara
Poucos artistas foram capazes de traduzir a alma humana com tanta profundidade quanto Rembrandt van Rijn (1606–1669). Entre claros e escuros, o mestre holandês reinventou a gravura no século 17 e inaugurou uma nova forma de olhar o mundo. Até 25 de janeiro de 2026, a Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, realiza a exposição “Rembrandt – o mestre da luz e da sombra”, reunindo 69 gravuras originais do artista. Com curadoria de Luca Baroni, diretor da Rede dos Museus da  Região Marche Nord (Itália), a mostra chega a Belo Horizonte após temporada no Rio de Janeiro, no Centro Cultural dos Correios e é uma oportunidade rara para o público brasileiro entrar em contato com a delicadeza e a força poética de uma das mentes mais brilhantes da história da arte. A entrada é gratuita.

As obras pertencem a uma coleção privada administrada pela The Art Co., de Pésaro, na Itália, sob a supervisão científica da Rede dos Museus da Região Marche Nord, e abrangem diferentes fases da produção do artista, de 1629 a 1665, representando quase um quarto de toda a sua obra gravada. A mostra proporciona um panorama profundo sobre a genialidade técnica de Rembrandt, seu olhar humanista e seu domínio inigualável do claro-escuro. Depois da Casa Fiat de Cultura, a exposição seguirá para o Palácio Anchieta, em Vitória (ES). 

Rembrandt é reconhecido como um dos maiores mestres da arte ocidental. Sua genialidade está em capturar a essência da experiência humana, dando à luz e à sombra um papel narrativo e emocional. “O que torna Rembrandt atemporal é a capacidade de capturar a alma humana. Suas obras traduzem emoções e dilemas universais, como dor, fé, amor, envelhecimento e esperança. Olhar para uma gravura sua é atravessar os séculos e ainda encontrar relevância, humanidade e verdade”, explica Luca Baroni, curador da mostra e diretor da Rede dos Museus da Região Marche Nord, na Itália. 

Na exposição, o público poderá apreciar obras emblemáticas como Autorretrato com Saskia (1636), A Descida da Cruz (1633), Ressurreição de Lázaro (1632), A Fuga para o Egito (1633), O Jogador de Cartas (1641) e Três Árvores (1643). Para o curador Luca Baroni, outras duas peças merecem atenção especial: “A Morte da Virgem” (1639), em que a luz que desce do alto transfigura o corpo de Maria e a cena em um instante de passagem entre o humano e o divino; e “Busto Feminino” (1630), surpreendente por retratar uma mulher negra com dignidade e intensidade inéditas para sua época. A seleção reflete a amplitude de temas que Rembrandt abordou: das passagens bíblicas às cenas cotidianas, dos retratos intimistas às paisagens melancólicas, sempre com um olhar atento à humanidade de seus personagens. 

Sobre a realização da mostra em Belo Horizonte, o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo, destaca o significado simbólico de trazer um mestre como Rembrandt para o público mineiro. “A Casa Fiat de Cultura se consolida, a cada nova exposição, como um espaço de encontro entre tempos e culturas. Oferecemos uma experiência estética de amplitude rara que vai da arte contemporânea a obras consagradas como as de Rembrandt.” 

A exposição “Rembrandt – o mestre da luz e da sombra” é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, da Premium Comunicação Integrada de Marketing e da Casa Fiat de Cultura. Conta com o patrocínio da Biancogres, do Supermercados BH, da Stellantis e da Fiat. A mostra tem apoio institucional do Circuito Liberdade, além do apoio do Governo de Minas e do Programa Amigos da Casa.  A organização é da The Art Co.  em conjunto com a Brasil Meeting Points. 

A técnica como poesia 

Em suas gravuras, a técnica se transforma em linguagem espiritual. O uso inovador da luz e da sombra, chamado chiaroscuro, atinge seu auge: a luz revela não apenas o volume, mas a emoção, e a sombra esconde e, ao mesmo tempo, convida à introspecção.  

Rembrandt foi pioneiro na arte da gravura em água-forte e ponta-seca, técnicas que exigem precisão e sensibilidade. O artista gravava suas matrizes em chapas de cobre, cobrindo-as com uma fina camada de cera onde traçava o desenho com uma agulha. Ao mergulhar a chapa em ácido, as linhas se fixavam no metal, dando origem às imagens. Com o uso da ponta-seca, conseguia linhas mais suaves e profundas, criando texturas quase pictóricas. 

Seu processo era inovador e intuitivo. Em vez de buscar uma perfeição técnica imediata, o artista explorava a experimentação: alterava suas matrizes, imprimia novas versões, ampliava contrastes e, muitas vezes, deixava a tinta acumular-se propositalmente nas chapas, produzindo áreas de sombra densa e misteriosa. Cada impressão, portanto, era única. 

Segundo Luca Baroni, “Rembrandt não gravava apenas imagens, mas ideias. Ele usava a matriz como um laboratório, um espaço de invenção. Suas gravuras são fragmentos do pensamento em movimento, registros visíveis da própria criação artística.” 

Espelho da alma 

As gravuras apresentadas na Casa Fiat de Cultura revelam o caráter profundamente experimental de Rembrandt. Ao contrário de muitos artistas de sua época, que seguiam regras rígidas de composição, ele ousava. Explorava o erro como parte do processo, imprimindo camadas sobre camadas até atingir o equilíbrio entre o visível e o imaginário. 

Esse espírito experimental pode ser percebido em obras como Cristo Pregando, também conhecida como Os Cem Florins (1648), considerada uma das mais complexas gravuras do artista. Nela, a luz parece surgir de dentro da própria cena, como se a fé iluminasse o espaço. Essa fusão entre técnica e transcendência fez de Rembrandt um dos nomes mais influentes da arte mundial, admirado por artistas como Goya, Picasso e Van Gogh

A influência da arte italiana 

Embora nunca tenha visitado a Itália, Rembrandt manteve um intenso diálogo com os mestres renascentistas e barrocos italianos, como Rafael, Ticiano e Federico Barocci. Através das gravuras e desenhos que circulavam na Holanda, ele absorveu a “luz italiana” e a transformou em uma matriz espiritual para sua própria pesquisa sobre o claro-escuro. Essa relação invisível, mas poderosa, moldou uma linguagem universal da luz, em que emoção e razão, sombra e revelação, convivem em harmonia. 

O curador destaca que “a exposição na Casa Fiat de Cultura destaca essa herança, evidenciando como o olhar de Rembrandt dialoga com a tradição humanista italiana ao mesmo tempo em que anuncia uma modernidade inquieta, marcada pela introspecção e pela busca de uma verdade interior”.  

O legado de um mestre 

Rembrandt deixou cerca de 300 pinturas, 300 gravuras e mais de 2 mil desenhos, entre autorretratos, paisagens, retratos coletivos e cenas bíblicas. Mais do que representar o visível, ele procurava compreender a alma humana. 

O legado de Rembrandt atravessa séculos. Suas inovações no uso da luz e da sombra inspiraram práticas na pintura, na fotografia, como o conhecido esquema de ‘Rembrandt lighting’, e técnicas de iluminação no cinema. Sua forma de trabalhar o claro-escuro tornou-se um recurso visual que traduziu a condição humana em traços de luz e penumbra. 

“A Crucificação” (1641) e “A Ressurreição de Lázaro” (1632) 

Uma experiência estética e acessível  

Na Casa Fiat de Cultura, a mostra foi concebida para oferecer uma experiência de imersão e contemplação nas obras de Rembrandt. Em um ambiente de iluminação controlada, as gravuras são expostas de modo a destacar o contraste entre luz e sombra. O público receberá lupas para observar cada detalhe das gravuras.  

A exposição também apresentará conteúdos educativos e recursos de acessibilidade, como releituras táteis em 3D, entre elas uma reprodução do autorretrato de Rembrandt, que permite aos visitantes com deficiência visual “tocar” e perceber as expressões do artista.  

Na sala de leitura, o público encontrará uma bibliografia selecionada sobre a vida, a obra e o contexto artístico de Rembrandt. Já na sala imersiva, reproduções em animação transportam o visitante para o universo visual de Rembrandt, permitindo explorar seus traços minuciosos, jogos de luz e sombra e detalhes quase imperceptíveis a olho nu. Esses ambientes convidam à observação atenta e ao despertar do imaginário, conectando passado e presente por meio da experiência sensorial e da curiosidade intelectual. 

Rembrandt: o artista e o homem 

Nascido em Leiden, em 1606, Rembrandt é considerado um expoente da Era de Ouro holandesa. Desde cedo, destacou-se como pintor e gravurista, alcançando reconhecimento em Amsterdã durante o período do Barroco. De família humilde era o quinto filho do dono de um moinho à beira do rio Reno (Rijn). O amor pelo rio fez seu pai incorporá-lo ao próprio nome passando a assinar Harmen Gerritz van Rijn. 

Todos na casa moíam grão, mas Rembrandt gostava de pintar e queria ir para a escola. Aos sete anos ingressou na Escola Latina de Leiden. Com muito sacrifício, seu pai o matriculou na Universidade de Leiden, mas só conseguiu mantê-lo durante nove meses. 

Ao deixar a universidade, Rembrandt ingressou no ateliê do pintor Jacob Isaaksz, que lhe ensinou a técnica, o preparo das tintas, a montagem das telas e a disciplina do desenho. Em 1623, aconselhado pelo professor, foi para Amsterdã, onde estudou com o pintor romanista Pieter Lastman. Em 1627, Rembrandt voltou para Leiden e instalou seu próprio ateliê com seu amigo e também pintor Jan Lievens. Nessa época, recebeu várias encomendas particulares. 

Em 1631, após a morte do pai, resolveu instalar-se em Amsterdã. Um ano depois já era famoso, um dos pintores mais caros e procurados da cidade. Rembrandt retratava os ricos e bem-sucedidos burgueses, pois era moda enfeitar as paredes com o próprio retrato. Em 1632, pintou um dos seus quadros mais famosos: A Lição de Anatomia do Doutor Tulp (1632). O sucesso da obra provocou dezenas de encomendas de retratos em grupo. 

Com riqueza de detalhes, grande expressividade e forte apelo dramático, Rembrandt desenvolveu um estilo singular. Influenciado inicialmente por Caravaggio, fez uso de uma técnica refinada, retratando cenas religiosas, cotidianas, e ainda, temas mitológicos e algumas paisagens. Parte de seu trabalho é notório o uso de cores frias, enquanto em outros, Rembrandt optou por usar cores fortes e vibrantes. Além disso, uma de suas técnicas de pintura estava no intenso jogo de luz e sombras característico do estilo barroco. 

Rembrandt faleceu em outubro de 1669, aos 63 anos, em Amsterdã, sendo enterrado num túmulo desconhecido. Contudo, o reconhecimento do seu gênio artístico foi recuperado a partir do século XIX, consolidando-o como um dos maiores artistas de todos os tempos. 

Luca Baroni, curador  

É Diretor da Rete Museale Marche Nord e professor adjunto na Universidade Ca' Foscari de Veneza. Entre 2012 e 2022, estudou história da arte na Scuola Normale Superiore em Pisa, primeiro como aluno de graduação e depois como doutorando, sob a supervisão do Professor Massimo Ferretti. Em março de 2023, obteve seu doutorado com a dissertação Federico Barocci. É membro correspondente da Deputazione di Storia Patria per le Marche e membro da Accademia Italiana della Cucina.  

Realizou pesquisas em importantes museus nacionais e internacionais: entre 2015 e 2017, no Departamento de Gravuras e Desenhos da Uffizi, onde foi curador da exposição Simone Cantarini. Obras em Papel na Uffizi; em 2019 no Staatliche Museen zu Berlin; em 2020 no Warburg Institute em Londres; e entre 2021 e 2022 no Departamento de Gravuras e Desenhos do Museu Britânico.   

Sua pesquisa acadêmica concentra-se na arte italiana entre os séculos XVI e XVIII, com ênfase particular em obras sobre papel (desenhos e gravuras). Também investigou artistas como Rafael, Anselmo Bucci, Raffaello Schiaminossi, Giuseppe Diamantini e Rembrandt, aos quais dedicou exposições e publicações. Contribui regularmente para periódicos acadêmicos, incluindo Master Drawings, Bollettino d’Arte, Print Quarterly e Artibus et Historiae. Desde 2015, foi curador de mais de vinte exposições, abrangendo desde Antigos Mestres até arte contemporânea. Desde 2024, é membro do Conselho Científico e Editorial do periódico L’Idea | Testi Fonti Lessico • Disegni. Em 2025 tornou-se Tesoureiro do Edição Nacional das Obras de Federico Zuccari.   

Casa Fiat de Cultura

Cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar relevantes exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em Braille e atendimento em libras. Mais de 100 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari e outros. Há 19 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 4,5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 800 mil participaram de suas atividades educativas. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte.  

Exposição “Rembrandt – o mestre da luz e da sombra” na Casa Fiat de Cultura 

Período expositivo: Até 25 de janeiro de 2026 

Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)   

Entrada gratuita 

Casa Fiat de Cultura     

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – Belo Horizonte/MG    

Circuito Liberdade   

Horário de Funcionamento   

Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 21h     

Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h    

Informações         

Instagram: casafiatdecultura     

YouTube: Casa Fiat de Cultura 

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segunda-feira, 7 de julho de 2025

Casa Fiat de Cultura convida o jornalista Rogério Tavares e o arquiteto Ulisses Morato para ciclo de conversas

Talks, que integra a programação paralela da mostra “Cartografias Inventadas” e o evento Modernos Eternos Street, conta com a participação do arquiteto Ulisses Morato e do jornalista Rogério Tavares 

Como a arte, a literatura e a arquitetura dialogam entre si para recriar memórias, ressignificar paisagens e transformar a maneira como nos relacionamos com a cidade? Essa é uma das reflexões propostas pelo ciclo de conversas “Talks Cartografias Inventadas”, realizado pela Casa Fiat de Cultura nos dias 8 e 9 de julho, sempre às 19h30. O evento convida o público a pensar sobre o papel da criação artística na construção de territórios afetivos e na preservação da memória urbana. Os interessados podem se inscrever gratuitamente pela Sympla. 

Nesta terça-feira (8), o arquiteto e professor Ulisses Morato conduz a palestra “Praça da Liberdade – desde o século XIX contando a história da nossa arquitetura”, em que propõe uma viagem pela história urbanística de Belo Horizonte a partir da trajetória construtiva da Praça da Liberdade. Com seu conjunto arquitetônico diverso, o local é palco privilegiado para se compreender as transformações culturais, políticas e estéticas que marcaram a capital mineira desde sua fundação. 

Já na quarta-feira (9), o jornalista e presidente emérito da Academia Mineira de Letras, Rogério Tavares, conduz o bate-papo “Se me falha a memória: um diálogo plástico e poético”. A partir da experiência artística de Andréa Vilela na elaboração das obras da exposição “Cartografias Inventadas”, Rogério Tavares vai desenvolver um diálogo que mostra que as diferentes artes podem se conectar por meio da subjetividade e da vivência nas cidades. Num diálogo poético com o romance “Por onde andou meu coração”, da autora mineira Maria Helena Cardoso, o corpo edificado da cidade será apresentado como algo que permanece, testemunha de tantas vidas que já se foram, resistindo à passagem do tempo e, provavelmente, à finitude da própria vida. 

O “Talks Cartografias Inventadas” é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Stellantis e da Fiat, copatrocínio da Stellantis Financiamentos, do Banco Stellantis, do Banco Safra e da Sada. O evento é uma parceria com o Modernos Eternos Street, tem apoio institucional do Circuito Liberdade, além do apoio do Governo de Minas e do Programa Amigos da Casa. 

Os convidados 

Ulisses Morato é doutor em arquitetura pela Universidade de Lisboa, especialista em Construção Civil pela UFMG e arquiteto pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Atuou na diretoria do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-MG) e no Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. É professor de pós-graduação na PUC Minas, editor da página Arquitetos de Belo Horizonte, colunista do Portal BHAZ de Notícias e gestor da Cultura Arquitetônica, dedicada a serviços e eventos na área do patrimônio edificado. 

Rogério Tavares é jornalista, doutor em literatura e presidente emérito da Academia Mineira de Letras, onde ocupa a cadeira de número 8. Em 2024, tornou-se Comendador da Ordem do Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Tem nove livros publicados. O mais recente é “Os elefantes viriam pela manhã - treze contos à procura de Dalton Trevisan” (Autêntica, 144 páginas). 

A exposição “Cartografias Inventadas” 

A exposição “Cartografias Inventadas na Casa Fiat de Cultura”, em cartaz até o dia 24 de agosto de 2025, convida o público a olhar para a Praça da Liberdade não como um espaço fixo, mas como território simbólico, onde as lembranças individuais e coletivas desenham novas paisagens. Sob curadoria de João Caixeta, a mostra apresenta ao público 17 obras inéditas das artistas mineiras Andréa Vilela e Mirella Spinelli.  

Partindo da Praça da Liberdade, um dos principais pontos turísticos de Belo Horizonte, as artistas constroem um mapa afetivo em que memória, imaginação e pertencimento se entrelaçam. Ao invés de retratar o espaço urbano com seus contornos objetivos, elas propõem uma reinvenção sensível da paisagem, revelando camadas visíveis e invisíveis do tempo. 

Andréa Vilela, por meio de aquarelas sutis, evoca atmosferas silenciosas nas quais os contornos parecem emergir do gesto suave e da transparência. Já Mirella Spinelli trabalha com tintas acrílica e óleo para criar estruturas visuais mais densas, em que a cor e a matéria se impõem como exercício de presença e escavação poética. Ambas se encontram na leveza do traço, na construção de imagens que acolhem os silêncios, os vazios e a impermanência. 

A mostra integra o Modernos Eternos Street, evento cultural de arquitetura, design, décor e arte.  

Casa Fiat de Cultura   

Cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braille e atendimento em libras. Mais de 90 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 19 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 4,5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 700 mil participaram de suas atividades educativas. 

Talks Cartografias Inventadas na Casa Fiat de Cultura  

Palestra “Praça da Liberdade – desde o século XIX contando a história da nossa arquitetura”, com o arquiteto e professor Ulisses Morato 

8 de julho, das 19h30 às 21h, na Casa Fiat de Cultura  

Inscrições gratuitas pela Sympla

Palestra “Se me falha a memória: um diálogo plástico e poético”, com o jornalista Rogério Tavares  

9 de julho, das 19h30 às 21h, na Casa Fiat de Cultura 

Inscrições gratuitas pela Sympla: bit.ly/TalksCartografias   

 Exposição “Cartografias Inventadas na Casa Fiat de Cultura” 

Período expositivo: até 24 de agosto de 2025 

Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)   

Casa Fiat de Cultura    

Praça da Liberdade, 10, Funcionários – Belo Horizonte/MG  

Circuito Liberdade  

Horário de Funcionamento 

Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 21h   

Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h     

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quinta-feira, 10 de abril de 2025

Casa Fiat de Cultura inaugura "Natureza Transformada: atravessamentos espaciais"

Foto: Leo Fontes

Com curadoria de Guilherme Wisnik, Casa Fiat de Cultura reúne pela primeira vez no Brasil obras dos artistas italianos Paolo Albertelli e Mariagrazia Abbaldo e da brasileira Marcia Xavier, que modificam seus espaços e integram o ambiente externo à galeria

A natureza se insinua pelos espaços, refaz caminhos e transforma tudo ao seu redor. É a partir desse fluxo incessante que nasce a exposição inédita "Natureza Transformada: atravessamentos espaciais na Casa Fiat de Cultura". Com curadoria de Guilherme Wisnik, a mostra reúne os artistas italianos Paolo Albertelli e Mariagrazia Abbaldo – que apresentam seus trabalhos pela primeira vez no Brasil – e a brasileira Marcia Xavier em um percurso que convida o público a repensar sua relação com o espaço e os elementos do mundo natural. Com aço, vidro, estruturas metálicas e água, as 25 obras em exibição criam um território onde arte, arquitetura e natureza se entrelaçam. Numa parceria entre a Casa Fiat de Cultura e o Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, a obra digital “Copa, Casa Cosmos”, de Estêvão Ciavatta, com narração de Regina Casé, complementa a temática da exposição e transporta o público para o interior de uma árvore Sumaúma (Ceiba pentandra). A exposição proporciona uma experiência sensorial e interativa e fica em cartaz até 8 de junho de 2025, com entrada gratuita.

Os artistas usam linguagens e materiais distintos em suas obras, mas convergem na busca por novas formas de perceber o meio ambiente, sobretudo a respeito da fragilidade do que chamamos de “recursos naturais”. Segundo o curador da exposição Guilherme Wisnik, transformação e atravessamento são os conceitos centrais da exposição. “Na conjunção entre as produções de Marcia Xavier e da dupla Mariagrazia Abbaldo e Paolo Albertelli, a fragilidade da vida humana é confrontada com a perenidade dos minérios e dos espelhos, porém, paradoxalmente, numa época em que toda essa noção de perenidade vai sendo corroída por dentro. Temos, como coletivo humano, obstáculos gigantes a atravessar, no presente e no futuro. E talvez ainda não saibamos ao certo em quais direções seguir. Mas aqui, estamos diante de artistas que nos põem em movimento e em permanente estado de transformação.”

As 16 obras dos italianos Paolo Albertelli e Mariagrazia Abbaldo combinam a poética da leveza com a rigidez do aço. O objetivo da dupla é justamente transformar o peso da matéria-prima usada nos trabalhos em formas etéreas e dinâmicas. Enquanto arquitetos e artistas, eles não se limitaram às paredes da galeria da Casa Fiat de Cultura, mas ultrapassaram os limites físicos dos espaços criando conexões entre o interior e o exterior.

Já os 8 trabalhos da brasileira Marcia Xavier, investigam a interação entre superfícies líquidas e sólidas. Espelhos d'agua, vidros e espelhos distorcem imagens e criam jogos visuais que ressignificam a percepção do espaço e do corpo do espectador. Sua produção propõe reflexões sobre a efemeridade e a constante metamorfose da natureza.

Para o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo, a mostra é um convite para sentir, refletir e se deixar atravessar pela arte. “Ao trazer para o Brasil essa exposição inédita, reafirmamos a vocação da Casa Fiat de Cultura para o intercâmbio cultural entre países e a experimentação, construindo pontes entre natureza e criação humana, presente e futuro”, reflete.

A exposição "Natureza Transformada: atravessamentos espaciais na Casa Fiat de Cultura" é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Stellantis e da Fiat, copatrocínio da Stellantis Financiamento, do Banco Stellantis, do Banco Safra e da Sada. O evento tem apoio institucional do Circuito Liberdade, além do apoio do Governo de Minas, do Programa Amigos da Casa e do Consulado da Itália em Belo Horizonte.   

Paolo Albertelli e Mariagrazia Abbaldo

Os artistas italianos Mariagrazia Abbaldo e Paolo Albertelli investigam as relações entre escultura e paisagem, utilizando principalmente o aço cortado a laser para criar formas leves e dinâmicas. Inspirados pela natureza e pelo movimento, eles transformam materiais rígidos em composições que evocam fluidez e leveza. A precisão técnica e a experimentação com diferentes texturas e acabamentos são características marcantes de seu trabalho.

Um exemplo que pode ser apreciado na exposição é a obra “Cardume”, instalação site-specific que representa o movimento dos peixes. Esse movimento funciona como uma espécie de dança coletiva, em que tudo está em uma suspensão silenciosa. Para Paolo Albertelli, é como se os peixes saltassem para fora da água, flutuassem no ar e, de repente, se transformassem em som. Na obra é possível notar que apesar da coesão, cada peixe mantém uma distância mínima dos outros, um equilíbrio entre proximidade e espaço que garante a fluidez do movimento.

Segundo Guilherme Wisnik, a dupla aborda a natureza de maneira crítica, considerando as mudanças trazidas pelo antropoceno e pelas crises ambientais. “Em sua maneira de ver e trabalhar artisticamente as coisas, a matéria não é inerte, nem a relação entre sujeito e objeto é unilateral. Informada pela fenomenologia, a dupla de artistas italianos entende o processo de significação como uma troca entre espectador e obra, ou ser humano e ambiente circundante, no qual ambas as partes são ativas”, esclarece o curador.

Performance com estudantes

Antes da abertura da exposição, Paolo Albertelli e Mariagrazia Abbaldo promoveram uma experiência artística com cerca de 50 alunos da Fundação Helena Antipoff e da Fundação Torino Escola Internacional, em Belo Horizonte (MG). Os artistas realizaram, junto aos estudantes, uma performance na cobertura da Casa Fiat de Cultura, transformando o local em um palco de experimentações e trocas.

No chão da cobertura do espaço cultural, treze telas monocromáticas se desenrolaram como fotogramas de um filme, formando uma grande composição de mais de 30 metros de comprimento. Os adolescentes se tornaram coautores dessa paisagem, inserindo pedras de minério no desenho traçado pelos artistas, incorporando à obra a materialidade e o peso do tempo.

O resultado dessa performance é a instalação “Manguezal” — obra site-specific que se entrelaça ao percurso de pesquisa dos artistas Mariagrazia Abbaldo e Paolo Albertelli reforçando a possibilidade de novas leituras sobre a relação entre arte e natureza. Sua estrutura remete a um muro natural, típico dos manguezais presentes nos rios brasileiros. Impenetráveis e silenciosos, esses ecossistemas são um elo vital entre a matéria viva das plantas e as condições essenciais da existência humana.

A instalação também dialoga com um elemento arquitetônico conceitual: uma cisterna de aço perfurado, instalada na cobertura da Casa Fiat de Cultura. Por meio de pequenos furos, a água escapa, evaporando e atravessando os espaços da instituição, até desembocar na galeria, onde se integra, de forma metafórica, à obra “Gotas no Relicário” – uma bacia que recolhe gotas de água que caem do teto, numa metáfora da permanência e do ciclo incessante dos fluxos naturais.

Em ressonância com a performance Manguezal, a escultura “Raízes de Mangue”, localizada no centro da sala, se impõe como um elemento arquitetônico site-specific. Produzida no Brasil com aço corten oxidado, a obra divide o espaço expositivo do teto ao chão, como uma verdadeira raiz de mangue, conectando espaços.

Marcia Xavier

Desde seus primeiros trabalhos na década de 1990, Marcia explora a relação entre corpo, arquitetura e paisagem. Inicialmente, sua produção esteve centrada na fotografia, mas ao longo do tempo, expandiu-se para instalações interativas, em que a presença do público é essencial para a experiência da obra.

A água, elemento central da sua pesquisa, age como um espelho que revela realidades distorcidas. Em suas instalações, garrafas, superfícies espelhadas e reflexos instáveis criam composições que dissolvem a fronteira entre o visível e o imaginado. “Transitando dos fluxos aquosos às superfícies polidas, a artista sabe que a água é o espelho primordial, e que o corpo é o grande agente definidor dos espaços”, explica Wisnik.

Na exposição "Natureza Transformada: atravessamentos espaciais na Casa Fiat de Cultura", Marcia convida o público a uma experiência sensorial, na qual a imagem nunca é definitiva. A série “Horizonte Inebriante”, por exemplo, explora a distorção das imagens. Em garrafas – ora de gin, vinho santo ou limoncello –, o álcool é substituído pela água e elas são posicionadas diante da imagem, formando paisagens e horizontes que se deformam conforme o olhar do espectador percorre a obra. 

Em outras obras, como “Prisma”, o horizonte aparece como um ponto de referência sempre mutável, que se dobra, se desfaz e se reorganiza conforme o ângulo do observador. A instalação site-specific é composta por uma parede transparente que divide dois ambientes: dentro e fora. Uma estrutura de ferro e vidro comporta 300 garrafas cheias de água, criando uma “estante-óculos" que deforma a paisagem. O corpo do espectador determina a velocidade da visão, criando um cinema dinâmico por meio da interação entre a água e o movimento de quem percorre o ambiente. Algo semelhante ocorre em “Prisma Praça Raul Soares”. A obra, composta por um cubo espelhado, convida o visitante a interagir por meio da manipulação de peças transparentes – lentes em forma de cilindros de acrílico maciço – que deslizam sobre a imagem, criando anamorfoses. 

Instalação imersiva

A experiência do público se completa com “Copa, Casa, Cosmos”, uma obra imersiva criada por Estêvão Ciavatta e narrada por Regina Casé especialmente para o Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, a instalação sai do Museu e desembarca em Belo Horizonte, convidando o público a mergulhar no interior da Sumaúma (Ceiba pentandra), uma das árvores mais emblemáticas da Amazônia.

Projetada em um ambiente circular, a obra conduz os visitantes por uma jornada visual e sonora que acompanha o crescimento da árvore desde a semente até atingir seu porte monumental. A experiência imersiva destaca as raízes que se espalham pelo solo, os sistemas internos da árvore e sua simbólica conexão entre o céu e a terra. Com exemplares que podem ultrapassar 80 metros de altura, a Sumaúma é reverenciada por diferentes povos indígenas como um elo entre mundos, um lar de entidades divinas e um portal para outras dimensões. 

“A obra é um convite à contemplação e à conexão com a grandiosidade da natureza. Queremos que o visitante sinta o ciclo da vida dessa árvore e sua importância para os ecossistemas tropicais e para as culturas que habitam a Amazônia”, explica Estêvão Ciavatta. 

Visitas temáticas e atividades educativas

Durante o período em que "Natureza Transformada: atravessamentos espaciais na Casa Fiat de Cultura" estiver em cartaz, o Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura vai realizar várias ações educativas, dentre elas, visitas mediadas e acessíveis, para grupos e instituições, utilizando recursos táteis e sensoriais.

Durante os sábados e domingos (dias 12 e 13, 18 a 20, 26 e 27 de abril), sempre às 16h30, serão oferecidas visitas temáticas abordando aspectos técnicos-estéticos e de concepção das obras.

Os artistas Paolo Albertelli, Mariagrazia Abaldo e Marcia Xavier trabalham rompendo com as técnicas tradicionais de escultura para criar instalações espaciais diversas, que confrontam o público com encantamento técnico, reflexões inquietantes e deslumbre estético. A proposta da visita temática é conversar sobre as ideias propostas pela exposição, as técnicas e a biografia dos artistas. Os interessados em participar devem comparecer na recepção da Casa Fiat de Cultura para retirar sua senha.

A programação paralela também contempla o Ateliê Aberto Escultura em expansão. O Ateliê vai explorar a experiência de criar arte a partir das ousadas propostas sobre escultura apresentadas por artistas nas décadas de 1960 e 1970 – período em que a escultura ultrapassou seus limites tradicionais. Nessa atividade, o público construirá uma obra por meio da técnica da assemblagem, interagindo com o espaço externo da Casa Fiat de Cultura. A atividade é aberta para todos. Para participar não é necessário se inscrever. As senhas serão distribuídas na recepção da Casa Fiat de Cultura, por ordem de chegada.

Os artistas

Mariagrazia Abbaldo e Paolo Albertelli são arquitetos e artistas italianos que exploram os limites entre escultura, arquitetura e natureza. Fundadores do Studio C&C, em Turim, na Itália, unem pesquisa e experimentação para criar obras que dialogam com o espaço e desafiam a percepção. Desde 1997, desenvolvem esculturas e instalações marcadas pelo equilíbrio entre materialidade e leveza, utilizando técnicas como corte a laser e fusão de metais. Suas criações já foram expostas em museus e galerias da Itália, França, Suíça e Estados Unidos, integrando acervos de instituições como o Museo Nazionale della Montagna e o Messner Mountain Museum.

Marcia Xavier é uma artista brasileira cuja obra transita entre fotografia, escultura e dispositivos ópticos. Nascida em Belo Horizonte e formada em Comunicação Visual pela FAAP, iniciou sua trajetória nos anos 1990 com séries de autorretratos fragmentados. Seu trabalho evoluiu para a criação de aparelhos que exploram luz, espelhos e refração da água, desafiando a percepção do espectador. Com exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, suas obras integram acervos como os do MAM-SP, MAR-RJ e Maison Européenne de la Photographie, em Paris.

O curador

Guilherme Wisnik é professor livre-docente e vice-diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, além de curador do MuBE (Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia), em São Paulo. Autor de diversos livros sobre arquitetura, arte e urbanismo, incluindo Espaço em Obra (2018) e Lançar Mundos no Mundo (2022), recebeu prêmios como o Jabuti e o “Destaque ABCA”. Foi curador da 10ª Bienal de Arquitetura de São Paulo (2013) e do Pavilhão do Brasil na Expo 2020, em Dubai. Seu trabalho crítico e acadêmico é amplamente publicado em revistas nacionais e internacionais.

Casa Fiat de Cultura  

Cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braille e atendimento em libras. Mais de 90 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 18 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 4,5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 700 mil participaram de suas atividades educativas.

Exposição | Natureza Transformada: atravessamentos espaciais na Casa Fiat de Cultura

Período expositivo até 8 de junho de 2025

Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)  

Tour virtual no site: casafiatdecultura.  

Casa Fiat de Cultura   

Praça da Liberdade, 10, Funcionários – Belo Horizonte/MG 

Circuito Liberdade 

Horário de Funcionamento

Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 21h  

Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h    

Informações  

Instagram: casafiatdecultura  

YouTube: Casa Fiat de Cultura   

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quinta-feira, 6 de março de 2025

Exposição da Casa Fiat de Cultura revela território afrofuturista a partir das obras de Will

Foto: Will

Com pinturas geométricas e retratos, a mostra abre um portal para que passado e futuro coexistam

Inspirado pelo provérbio iorubá "Esú matou um pássaro ontem com a pedra que atirou só hoje", o artista belo-horizontino Will constrói narrativas visuais que transcendem o tempo. Na exposição "Após a chegada", que será inaugurada na terça-feira (11) na Casa Fiat de Cultura, suas 21 obras se tornam um manifesto de ressignificação de territórios. Os retratos e as pinturas geométricas trazem à memória os territórios afro-indígenas, Kemet, no antigo Egito, a Bahia – espaços onde pessoas foram apagadas ou expulsas, e os quilombos brasileiros – locais de luta e resistência. Para marcar o início da exposição, no dia 11 de março, às 19:30h, será realizada uma visita mediada com Will. A mostra ficará em cartaz até 27 de abril de 2025, com entrada gratuita.

Will é autodidata e expressa-se através do desenho desde a infância. Por muito tempo, seu olhar esteve voltado para o que estava ao redor, até perceber a necessidade de uma investigação mais profunda sobre a sociedade, sobre si mesmo e o que estava “dentro”. Durante uma viagem à Bahia, há cerca de três anos, esse movimento interno ganhou forma, dando origem a uma das séries que compõe a exposição “Após a Chegada”.

As obras criadas pelo artista, em sua maioria geométricas, são uma proposição de retomada de territórios. Com pinceladas bem marcadas e tons terrosos, elas fazem referência ao deserto e às pirâmides do Egito, mas também aos centros urbanos e ao que o artista pesquisou, viu e viveu na Bahia. Will as define como afrofuturistas. “Repenso e reconstruo esses locais por meio da pintura, possibilitando que pessoas negras possam ocupá-los e serem protagonistas desses espaços. É como se eu estivesse construindo um novo imagético, numa nova possibilidade de futuro”, explica.

A geometria que compõe as telas da exposição não é apenas estética, mas um gesto político. Em sua cidade natal, Belo Horizonte, Will volta seu olhar sobre o Largo do Rosário, território negro que abrigava a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e que já não existe mais. O artista resgata essas histórias e propõe um novo imaginário em que a ancestralidade não é apenas viva, mas lidera sua própria narrativa. “Nesta exposição, conto uma história ressignificada em arte, mas de uma forma poética”, reflete Will. Como Esú, o orixá do movimento, da comunicação e dos caminhos, o artista se move em um tempo espiralar, abrindo caminhos e oferecendo um convite: enxergar a história para recriar um novo começo.

A exposição “Após a chegada” é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Stellantis, da Fiat, copatrocínio da Stellantis Financiamento, do Banco Stellantis, do Banco Safra e da Sada. O evento tem apoio institucional do Circuito Liberdade, além do apoio do Governo de Minas e do Programa Amigos da Casa.   

Lista de obras

·       Esú Rei (2022)

·       Catimbó (2022)

·       Catimbó (2022)

·       A ancestralidade é viva (2025)

·       Diáspora (2023)

·       Kemet (2023)

·       Reverso (2023)

·       Atlântico (2025)

·       Berço da humanidade (2025)

·       Pirâmide de Gizé (2024)

·       Piscina do Sertão (2024)

·       Faces de lá até o arraial (2024)

·       Largo do Rosário (2024)

·       De Kemet a quebrada (2023)

·       Maria Filipa (2025)

·       Nem tudo é o que é (2024)

·       Miragem (2023)

·       Vestígios de origem (2025)

·       Sobre observação (2025)

·       Deserto da Namíbia (2025)

·       Apenas miragem (2025)

Abertura

Para marcar a abertura da exposição, na terça-feira (11), às 19h30, Will convida o público para uma visita mediada à exposição. Durante a visita, o artista vai aproveitar para compartilhar sobre o seu processo criativo, suas inspirações e curiosidades sobre a sua trajetória na arte. Ele também vai apresentar suas investigações e objetos de estudo tanto na Bahia, quanto na própria capital mineira. Os interessados em participar podem se inscrever gratuitamente pela Sympla. 

Will

Graduando em artes visuais, o artista, autodidata, mineiro de BH, cria um universo particular em suas pinturas. Suas imagens urbanas carregam mensagens políticas, onde nada é tão óbvio quanto parece ser, mas ainda assim é possível decifrar as quase verdades nas quais as pessoas tentam se apoiar. A figuração de pessoas racializadas é uma marca forte do artista. Assim, ele representa a si mesmo e a toda população negra, colocando essas pessoas em locais normalmente aceitáveis em uma sociedade estruturalmente racista. Seus trabalhos já foram exibidos no SESC Palladium, no Palácio das Artes, no Museu de Quilombos e Favelas Urbanos, no Viaduto das Artes e na ArteFasam Galeria. Com a exposição coletiva “Um defeito de cor”, passou pelo Museu de Arte do Rio, Muncab Salvador, Sesc Pinheiros SP e Memorial Minas Gerais Vale. Com a mostra “Encruzilhadas da arte afrobrasileira”, passou pelo CCBB SP, CCBB BH e CCBB RJ.

Piccola Galleria  

O espaço é destinado a artistas da cena contemporânea e foi criado em 2016, com o intuito de incentivar a produção nacional e internacional. Os artistas são selecionados por uma comissão de especialistas, que, na 7ª edição, contou com o curador, pesquisador e educador Bitu Cassundé; a professora, artista e pesquisadora Telma Martins; e a artista e professora Leonora Weissmann. O processo se realizou 100% online, de modo a facilitar a inscrição de pessoas de todo o Brasil. No total, mais de 200 trabalhos foram enviados, e a avaliação dos jurados também se deu no formato virtual. 

A proposta é apresentar e destacar trabalhos inéditos – pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, instalações, performances e/ou videoarte – de artistas locais, brasileiros ou estrangeiros. Além de Will, outros cinco artistas foram selecionados na 7ª edição.

Nas seis edições já realizadas, o Programa de Seleção da Piccola Galleria apresentou o trabalho de 35 artistas, abrigou mais de 400 obras e recebeu um público de 500 mil pessoas. A sala expositiva é um ambiente dedicado às artes visuais e sua criação marcou os 10 anos da Casa Fiat de Cultura. Situada ao lado do painel “Civilização Mineira”, de Candido Portinari, no hall principal da Casa Fiat de Cultura, o pequeno recinto é destinado a exposições de curta duração, mas com toda a visibilidade que a instituição enseja. Local intimista e com grande circulação de público, conta com a chancela da Casa Fiat de Cultura e do Circuito Liberdade, um dos mais importantes corredores culturais do país.   

Casa Fiat de Cultura  

Cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braille e atendimento em libras. Mais de 90 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 19 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 4 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 700 mil participaram de suas atividades educativas.

Exposição “Após a chegada” na Casa Fiat de Cultura  

Período expositivo: 11 de março a 27 de abril de 2025

Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)   

Visita mediada pelo artista Will

11 de março, às 19:30h, na Casa Fiat de Cultura

Inscrição gratuita pela Sympla

Toda programação da Casa Fiat de Cultura é gratuita

Casa Fiat de Cultura   

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – Belo Horizonte/MG 

Circuito Liberdade

Horário de Funcionamento

Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 21h  

Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h   

Informações  

Instagram: casafiatdecultura  

X: casafiat  

YouTube: Casa Fiat de Cultura  

Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Casa Fiat de Cultura inaugura exposição de Bracher em homenagem a BH

Foto: Cristiano Quintino 

Mostra revela a sensibilidade e a paixão de Bracher pela capital mineira, em obras que unem a pluralidade das técnicas do artista em registros de prédios históricos, personalidades, grupos culturais e futebol 

Após quase 10 anos da última exposição de Carlos Bracher em Belo Horizonte, a cidade ganha um presente especial em celebração pelos seus 127 anos: uma exposição inédita deste renomado pintor mineiro. “Belo Bracher Horizonte na Casa Fiat de Cultura” reúne mais de 60 obras do artista, entre pinturas em óleo sobre tela, aquarelas e desenhos a carvão, capazes de transportar o olhar para a força de suas pinceladas e de suas perspectivas singulares, impregnadas de cores e ficções. Com curadoria de Fani Bracher, esposa do artista, a mostra apresenta desde o primeiro quadro feito em Belo Horizonte, retratando o Parque Municipal, até as mais de 30 obras, criadas exclusivamente para a exposição, proporcionando uma visão, que é, ao mesmo tempo, pessoal e coletiva, das faces de Bracher em seus 84 anos de vida. A exposição, que conta com o patrocínio da CSN, fica em cartaz de 12 de dezembro de 2024 a 9 de fevereiro de 2025, com entrada gratuita.  

Carlos Bracher é mineiro, natural de Juiz de Fora, e um dos artistas plásticos mais prestigiados e premiados do Brasil. Ele escolheu Ouro Preto como local para viver, mas nutre profunda admiração por Belo Horizonte. A exposição é, então, a forma por meio da qual Bracher expressa seu amor pela capital mineira. Com suas obras, o artista convida o público a explorar a cidade sob uma nova perspectiva: cada pincelada, traduzida em cores, luzes e sombras, traz fragmentos da essência de BH, revelados por meio dos trajetos percorridos pelos olhos e pelo coração do pintor.  

“Belo Horizonte é minha quase cidade natal. Sou de uma terra muito querida por mim, Juiz de Fora, mas em BH estão minhas raízes eletivas, sensoriais e sensitivas. Eu sempre vim a BH para ter mais vida, mais fontes, mais sabedoria. Eu queria muito fazer essa homenagem, demonstrar minha gratidão à cidade e às pessoas”, afirma Bracher.  

As lembranças e a paixão pela capital se transformam em arte. Os registros destacam as paisagens, a arquitetura – por meio de símbolos icônicos da cidade –, e as personalidades que ajudaram a construir a identidade cultural de BH. Na exposição, o pintor estabelece um arco de tempo e vivências entre o seu primeiro quadro de Belo Horizonte, pintado em 1963, no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, e os dois últimos, a Praça da Liberdade e o Museu Abílio Barreto, marcos do surgimento da cidade, que foram pintados ao ar livre.  

“Ao som da Nona Sinfonia (de Bethoven), Bachianas Brasileiras nº5 (de Villa Lobos) e da Paixão Segundo São Matheus (de Bach) surge a cidade de Bracher. São quadros tecidos na linha do tempo e no bordado colorido de suas memórias e afetos”, revela Fani Bracher, curadora da exposição.  

Com sobreposições de tintas, pinceladas densas e contrastes fortes, o artista – autodidata – apresenta ao público, 60 telas, sendo a maioria delas produzidas em 2024 para integrar a exposição. Entre as 37 obras inéditas estão a Praça da Liberdade e os prédios históricos ao seu entorno; estandartes que retratam, por exemplo, a banda mineira Pato Fu, o Grupo Galpão e o Grupo Corpo – representando sua conexão com a música, o teatro e a dança; e os símbolos da cidade, como o Viaduto Santa Tereza, a Praça da Estação e a Avenida Afonso Pena.  

Nomes importantes como Juscelino Kubitschek e Milton Nascimento, que sempre foram inspiração para o artista, estão representados nas telas das edificações do Complexo da Pampulha e no núcleo “Rostos da inspiração: retratos de arte e alma”. Outro destaque é a obra “Paixão segundo São João”, que foi pintada ao vivo durante a execução da obra de Bach por uma orquestra mineira, no dia 7 de abril de 2024. Esta tela poderá ser apreciada também em seu verso, por trazer recados afetuosos e dedicatórias – uma curiosidade à parte apresentada na exposição. Em um vídeo disponível na galeria da Casa Fiat de Cultura, o público ainda poderá conhecer mais detalhes sobre o artista e seu processo criativo.  

“Assim como Bracher, a Casa Fiat de Cultura também é movida pela arte. Mais do que uma homenagem a Belo Horizonte, esta é uma celebração, um tributo a este grande artista que, com seu entusiasmo e energia criativa, amplia seu legado indelével, que transforma e inspira a todos nós”, celebra o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo. 

A expografia da mostra, desenvolvida pela arquiteta Erika Foureaux, foi inspirada no ateliê de Bracher, que fica em Ouro Preto, para criar um ambiente que conecta o público ao processo de criação e às inspirações do artista. Já as cores das paredes, em tons de marrom, verde, azul e roxo, foram escolhidas a partir das janelas da casa onde o pintor trabalha. Um cavalete, que faz parte da coleção pessoal de Bracher, também compõe o espaço e é uma verdadeira obra de arte pelo seu simbolismo e importância.    

O projeto do qual a exposição faz parte inclui um minidocumentário, que tem direção de Fred Tonucci e pesquisa iconográfica de Blima Bracher, e um livro, que serão lançados no final do período expositivo, completando a trajetória de Bracher. Todo projeto tem coordenação geral de Tatyana Rubim, da Rubim Produções, em colaboração com José Renato, da Portfólio. As fotografias são de Cristiano Quintino. 

A exposição “Belo Bracher Horizonte na Casa Fiat de Cultura” é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Companhia Siderúrgica Nacional, copatrocínio do Banco Safra, da Usiminas e da Sada. Tem apoio institucional do Circuito Liberdade, além do apoio do Governo de Minas, do Programa Amigos da Casa, do eSuites e da Let’s Atlântica.     

Núcleos da exposição 

A exposição “Belo Bracher Horizonte na Casa Fiat de Cultura” está dividida em núcleos, que apresentam a pluralidade das técnicas de Bracher e expressam sua conexão emocional com a capital mineira.  

O azul de Bracher 

Bracher sempre encontrou na paisagem urbana a sua maior inspiração. A partir da Praça da Liberdade, um dos cartões-postais de Belo Horizonte, o artista pinta o que encontra em seu entorno: o prédio do IEPHA, as curvas de Niemeyer, as linhas do coreto projetado por Edgard Nascentes Coelho, o neoclassicismo das edificações tombadas e o prédio modernista da Casa Fiat de Cultura.  

Duas das obras que integram este núcleo, Praça da Liberdade e Museu Abílio Barreto, foram pintadas ao ar livre, sob o olhar do público, como uma forma de ilustrar a coexistência da arte e do artista em processo criativo.  

As obras que compõem este núcleo são:  

Museu Abílio Barreto (2024) 

Praça da Liberdade (2024) 

Prédio do IEPHA (2024) 

Palácio da Liberdade (2022) 

Antiga Secretaria do Interior e Educação | Prédio Rosa (2024) 

A harmonia entre som, cor e movimento 

Apaixonado pelas múltiplas expressões artísticas, Bracher encontra na música, no teatro e na dança uma fonte inesgotável de inspiração. Reconhecendo a riqueza cultural de Minas Gerais, neste núcleo o artista homenageia os renomados grupos mineiros, traduzindo essa conexão em suas criações. 

São apresentados neste núcleo os estandartes:  

Grupo Galpão (2024) 

Grupo Corpo (2024) 

Pato Fu (2024) 

Skank (2024) 

Giramundo (2024) 

Pampulha: o sonho de JK pelas pinceladas de Bracher 

Nascida do sonho visionário de Juscelino Kubitschek, a Pampulha revela espaços de contemplação que instigaram Bracher a criar sua própria versão dela.  

Neste núcleo estão: 

Museu de Arte da Pampulha (2024) 

Casa do Baile (2022) 

Igreja da Pampulha (2022) 

Entre o sagrado e o cotidiano: a fé e os encontros 

Bracher acredita que, ao tocar o sagrado dentro de si, o ser humano se torna capaz de romper fronteiras e alcançar o inatingível. Ele revela, inclusive, que “o seu Deus é a arte”. Por isso, neste núcleo estão igrejas e outros locais emblemáticos de Belo Horizonte.  

São eles: 

Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem (2024) 

Igreja São José (2022) 

Basílica Nossa Senhora de Lourdes (2024) 

Casa Fiat de Cultura (2024) 

Minas Tênis Clube (2024) 

Automóvel Clube de Minas Gerais (2024) 

Conservatório de Música (2024) 

Instituto Estadual de Educação de Minas Gerais (2014) 

Academia Mineira de Letras (2022) 

Palácio das Artes (2024) 

Cine Theatro Brasil (2024) 

Viaduto Santa Tereza (2024) 

Av. Afonso Pena com vista para a Serra do Curral (2024) 

Mercado Central (2024) 

Prefeitura de Belo Horizonte (2024) 

Praça Sete de Setembro (2024) 

Rostos da inspiração: retratos de arte e alma 

Este núcleo reúne figuras emblemáticas que desempenharam um papel significativo na trajetória de Bracher em Belo Horizonte, evidenciando o aspecto mais íntimo e emocional do pintor. Cada tela é um retrato da admiração e do carinho de Bracher por personalidades que ajudaram a construir a identidade cultural da cidade.  

Lô Borges (2014) 

Samuel Rosa (2016) 

Otto Lara Rezende (1987) 

Affonso Ávila (1975) 

Ailton Krenak (2023) 

Inimá de Paula (1997) 

Álvaro Apocalipse (1994) 

Amilcar de Castro (1977) 

Ronaldo Fraga (2021) 

Pedro Cava (2023) 

José Alberto Nemer (1981) 

Milton Nascimento (1997) 

Maurício Tizumba (2024) 

Jonas Bloch (2022) 

Arquitetura em tons de água: memórias e pinceladas 

Nove aquarelas, todas elas inéditas, pintadas em 2024, compõem este núcleo. Elas apresentam ilustram algumas residências de Belo Horizonte de relevância histórica, afetiva e arquitetônica para Bracher. Um retrato de Gustavo Penna, um dos mais importantes arquitetos brasileiros, também está neste núcleo. 

Casa 1 (2024) 

Casa 2 (2024) 

Casa 3 (2024) 

Casa 4 (2024) 

Casa 5 (2024) 

Casa 6 (2024) 

Casa 7 (2024) 

Casa 8 (2024) 

Casa 9 (2024) 

Gustavo Penna (2023) 

A harmonia das cores: a Paixão segundo São João 

A obra “Paixão segundo São João”, de Johann Sebastian Bach, foi interpretada, em abril deste ano, pelo Coral Lírico de Minas Gerais, acompanhado da Orquestra Sesiminas e de músicos convidados. A melodia serviu como inspiração para Bracher, que transformou a força da música em arte, eternizando o espetáculo em um deslumbrante painel.  

Paixão segundo São João (2024)  

Comunidade e criação: o coletivo segundo Bracher 

Este núcleo da exposição traz pinturas em óleo sobre tela, que revelam o mosaico da humanidade, feito de memórias, esperanças e cumplicidade. E apresenta, também, os desenhos a carvão – um processo de experimentação contínuo do artista, em que materiais, proporções e formas são explorados com liberdade. 

Fazem parte do núcleo, as obras: 

Mineirão - Cruzeiro (2022) 

Arena Atlético Mineiro (2024) 

Morro do Papagaio (2024) 

São Francisco (2024) 

Mão de São Francisco (2024) 

Um presente   

A Casa Fiat de Cultura também ganhou um presente de Bracher. Na exposição, dentre as mais de 60 obras exibidas, o público poderá ver o espaço cultural retratado pelos olhos do artista. O presente antecipa as comemorações pelos 19 anos da instituição, que será celebrado em fevereiro de 2025. 

Carlos Bracher  

É o pintor brasileiro que mais expôs no exterior em mostras individuais, como Paris, Roma, Milão, Moscou, Tóquio, Pequim, Londres, Rotterdam, Praga, Basilea, Frankfurt, Haia, Madri, Lisboa, Montevidéu, Santiago do Chile, Bogotá e Kingston. Sobre seu trabalho, já foram publicados sete livros e realizados dezenas de filmes e documentários. 

Mineiro, de Juiz de Fora, dedicou-se à escultura e à pintura. Em 1964 ganha o "Prêmio de Viagem ao Estrangeiro", o mais importante da arte brasileira, promovido pelo Museu Nacional de Belas Artes. Ele e sua esposa Fani se mudam para a Europa onde se estabelecem em Monsaraz e Paris. De volta ao Brasil, escolhem a cidade histórica de Ouro Preto para morar. Ali também se dedica à literatura, sendo hoje membro da Academia Mineira e Letras e Doutor Honoris Causa pala UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto). 

Casa Fiat de Cultura 

Cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em Braille e atendimento em libras. Mais de 90 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 18 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 4 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 700 mil participaram de suas atividades educativas.   

Exposição | “Belo Bracher Horizonte na Casa Fiat de Cultura” 

Período expositivo: 12 de dezembro de 2024 a 9 de fevereiro de 2025  

Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)       

Casa Fiat de Cultura    

Praça da Liberdade, 10, Funcionários – Belo Horizonte /MG   

Circuito Liberdade  

Horário de Funcionamento  

Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 21h    

Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h     

Informações    

facebook: casafiatdecultura    

Instagram: casafiatdecultura    

YouTube: Casa Fiat de Cultura    

Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!


quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Casa Fiat de Cultura inaugura 10º Presépio Colaborativo

Foto: Bia Starling

Com curadoria do artista plástico Leo Piló, o presépio foi construído coletivamente pelo público a partir de materiais reciclados

Há dez anos, a Casa Fiat de Cultura deu início a um projeto contemporâneo, inovador, sustentável e que conta com a participação ativa do público: o Presépio Colaborativo. Em 2024, a instituição celebra a primeira década desta iniciativa, que já se tornou uma tradição nas comemorações de fim de ano de Belo Horizonte e é uma das atrações do Natal da Praça da Liberdade. Relembrando os 150 anos da imigração italiana no Brasil, a 10ª edição do Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura é inspirada nos presépios napolitanos – originários de Nápoles, no sul da Itália –, e traz características e identidade mineiras. O artista plástico Leo Piló é o responsável pela curadoria do Presépio, construído com materiais reciclados, que será inaugurado na quinta-feira (28), às 19h30, com um bate-papo com o curador e apresentação do Coral Copasa. A programação é gratuita e o presépio ficará aberto à visitação até 6 de janeiro de 2025. 

Os tons de verde e vermelho, tão representativos do Natal, e presentes, também, na bandeira italiana, ganham destaque na instalação. A cenografia desenvolvida pelo curador Leo Piló cria uma cidade fictícia localizada na divisa entre Brasil e Itália. À sua volta, um grande cafezal, com cerca de 50 árvores, evoca a atmosfera do início da imigração italiana no Brasil. Os tapetes devocionais, tradição tão forte em Minas Gerais, também fazem parte da ambientação e “preparam o caminho” para a chegada do Menino Jesus.

“Neste ano, celebramos não só os 150 anos da chegada dos imigrantes italianos ao nosso país, mas toda a herança cultural trazida por eles, seja na agricultura, na arte, na música, na arquitetura, no comércio, no design”, explica Leo Piló.

No 10º Presépio Colaborativo, os tradicionais personagens se unem a pessoas da vida cotidiana, assim como nos presépios napolitanos. Os Três Reis Magos, inspirados em grandes personalidades italianas, se transformam no artista Leonardo da Vinci, no escritor e poeta Dante Alighieri e no astrônomo, físico e cientista Galileu Galilei. Maria, mãe de Jesus, é representada por Rita Pavone, estrela pop dos anos 1960, e José, pai de Jesus, por Marcello Mastroianni, um dos maiores atores do cinema mundial. O Menino Jesus vem na garupa de uma scooter, ícone da mobilidade e do design italiano. Juntam-se a eles pessoas comuns em seus ofícios, como o sapateiro, o produtor de vinho, o alfaiate, o pizzaiolo, o músico, o padeiro; e o arlequim – personagem tradicional da commedia dell'arte, originada na Itália no século XVI, que também se tornou uma figura marcante nas festividades de Carnaval.

“A Casa Fiat de Cultura nasce do encontro da italianidade com a mineiridade, duas culturas que têm nas artes um ponto comum que define suas identidades e ao mesmo tempo as aproxima. Com o Presépio Colaborativo, reafirmamos essa conexão, celebramos a coletividade, a sustentabilidade e estimulamos as aspirações sobre o futuro”, afirma o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo. 

Alicerçada na sustentabilidade, a cena natalina foi inteiramente confeccionada pelo público, com materiais reciclados, durante as oficinas realizadas entre os meses de outubro e novembro, na Casa Fiat de Cultura. Por meio de técnicas artísticas como papier collé, papel machê, pintura, colagem, origami, bricolagem composição visual e costura, caixas de papelão, embalagens de papel, plástico, jornal, isopor, oriundos da coleta seletiva, se tornaram matéria-prima para a criação de cada detalhe da instalação. “O Presépio Colaborativo nasce do encontro entre o inesperado e o inusitado. Com a participação do público e com muito respeito à natureza, preparamos uma exposição linda, cheia de poesia. E, claro, incentivamos a reciclagem e recuperação resíduos”, reflete o curador.

O 10º Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Fiat, copatrocínio da Stellantis Financiamento, do Banco Stellantis, do Banco Safra, da Usiminas e da Sada. O evento tem apoio institucional do Circuito Liberdade, além do apoio do Governo de Minas e do Programa Amigos da Casa.    

Inauguração do Presépio

A 10ª edição do Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura terá uma abertura especial. A Capela de Santana, localizada nos jardins da Casa Fiat de Cultura, será o cenário para um bate-papo com o curador do Presépio e artista plástico, Leo Piló. Em seguida, o Coral Copasa, sob regência da maestrina Eliane Fajioli, brindará o público com uma cantata de Natal. Ao final, uma procissão irá reviver a tradição de levar o menino Jesus até o Presépio. Os interessados em participar podem se inscrever gratuitamente pela Sympla.

O artista Leo Piló

Mineiro de Belo Horizonte, Leo Piló é um artista inquieto, criativo, simples e dinâmico. Apresenta trabalhos inusitados, feitos de materiais não convencionais, treinando os olhares para novas possibilidades de construção e meios de sustentabilidade. Sempre compartilhando as técnicas desenvolvidas por meio do aprendizado, o artista procura criar um elo entre arte e natureza, promovendo metodologias de reutilização de resíduos urbanos e gerando novas possibilidades inseridas na realidade atual, em termos de cultura, arte, educação, recursos econômicos e outros benefícios.

Durante quase 15 anos, o artista trabalhou na associação Asmare e ministrou várias oficinas de cenografia, costura, novas possibilidades, papelaria e marcenaria. Um dos grandes destaques de sua carreira foi a exposição Lixoarte, que tinha como objetivo criar, com materiais recicláveis, móveis e objetos para mobiliar uma casa. Em 2014, Leo Piló criou instalações para a exposição “Recosturando Portinari na Casa Fiat de Cultura”, por Ronaldo Fraga, e, desde 2015, é o curador do Presépio da Casa Fiat de Cultura.

Coral Copasa 

Fruto do investimento da Copasa na expressão artística de seus empregados, como forma de humanizar o espaço empresarial e melhorar a qualidade das relações interpessoais e interinstitucionais, o Coral Copasa foi criado em 17 de maio de 1981, fazendo sua estreia em novembro do mesmo ano, na festa para homenagear os empregados que, à época, estavam completando 15 anos de serviços prestados ao saneamento.  Atualmente o grupo é formado por 35 integrantes, entre empregados e aposentados da Companhia, além de pessoas da comunidade. 

Desde sua criação, a maestrina Eliane Fajioli, que também é pianista e cantora lírica, tem sido responsável pela qualidade da trajetória artística do Coral Copasa.  

Casa Fiat de Cultura

Cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em Braille e atendimento em libras. Mais de 90 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 18 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 4 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 700 mil participaram de suas atividades educativas.  

10º Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura  

Curadoria do artista Leo Piló

Período expositivo: 28 de novembro de 2024 a 6 de janeiro de 2025

Entrada gratuita 

Abertura do 10º Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura 

Bate-papo com curador Leo Piló e apresentação do Coral Copasa 

28 de novembro de 2024, às 19h30, na Capela de Santana (jardins da Casa Fiat de Cultura)

Inscrições gratuitas pela Sympla:  

Casa Fiat de Cultura 

Circuito Liberdade 

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – Belo Horizonte/MG 

Informações 

(31) 3289-8900 

facebook: casafiatdecultura 

Instagram: casafiatdecultura