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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

"Agosto" com Guida Vianna, Leticia Isnard e grande elenco chega a BH


Espetáculo promete emocionar o público mineiro
Foto: Silvana Marques
Em sua 18ª edição, o Festival Teatro em Movimento recebe em Belo Horizonte “Agosto”, montagem que arrebatou público e crítica, sendo considerado pelo portal Observatório do Teatro como uma das melhores peças da década. A obra é do americano Tracy Letts, vencedora do Pulitzer de melhor drama e Tony de melhor texto, que inspirou também o filme Álbum de Família, com Meryl Streep e Julia Roberts, exibido no Brasil, em 2013. Trata-se de uma contundente e emocionante história sobre conflitos familiares, sobre o inconfessável, sobre o que fica entalado na garganta e sufoca. Com direção e adaptação de André Paes Leme, a montagem brasileira é vencedora dos prêmios Cesgranrio de Melhor atriz para Guida Vianna e APTR de melhor atriz para Guida Vianna e Leticia Isnard e de melhor ator coadjuvante para Claudio Mendes e foi idealizada pela produtora Maria Siman. Completam o elenco os atores Alexandre Dantas, Claudia Ventura, Eliane Costa, Guilherme Siman, Isaac Bernat, Julia Schaeffer, Isabella Dionísio, Marianna Mac Niven e Isabelle Dionísio. O espetáculo será encenado dos dias 4 a 6 de outubro, sexta-feira às 21h, sábado às 20h, e domingo às 20h, no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube, com ingressos a partir de 35 reais. As sessões contarão com tradução em Libras. 

A realização em Belo Horizonte é do Festival Teatro em Movimento, por meio da lei Federal de Incentivo à Cultura. A peça tem realização nacional da Primeira Página Produções e Trupe Produções e a montagem foi produzida com o patrocínio da Porto Seguro. 

“AGOSTO”

O enredo traz a história de uma família desconectada, desfeita, cujos membros insistiram na união o quanto puderam, da forma que puderam, mas que chega finalmente ao limite da desistência. Apesar de se tratar de um texto denso, forte, há certa descontração na peça, uma divertida recusa em levar-se demasiado a sério, uma tendência a nos passar “rasteiras” cômicas justamente nos momentos em que achamos que não há mais espaço para o riso.

Ainda que o autor americano Tracy Letts tenha construído todos os personagens da peça com complexidade e relevância para a trama, Violet (Guida Vianna) e Bárbara (Letícia Isnard) são as suas protagonistas.

Violet é uma mulher que vive numa situação limite, literal e metaforicamente falando. Literal porque faz quimioterapia para um câncer de boca e talvez sua morte esteja anunciada. Metaforicamente, porque sua família está se desmantelando: o marido sumiu, as filhas só esperam o funeral para partir e a ela só restará permanecer sozinha aos cuidados de uma empregada que ela não conhece. Bárbara é a filha preferida porque Violet a julga a mais inteligente e a mais parecida com ela. Os temperamentos parecidos levam as duas a embates frequentes. Violet guarda profunda mágoa de Bárbara porque ela não voltou pra casa quando soube do seu câncer, mas voltou quando o pai desapareceu. A peça conta uma história familiar na extensão de seus conflitos e de seus afetos. “E essa família pode servir como espelho reflexivo para qualquer indivíduo,” afirma Guida Vianna.

Também vencedora do Prêmio APTR, como atriz coadjuvante, Letícia Isnard defende a ideia de que “Bárbara é uma mulher forte, que está num momento de total desestabilização. Seu casamento está ruindo, vive em crescente conflito com a filha adolescente, está a muito afastada das irmãs, do pai e bate de frente com sua mãe, Violet. Ela luta para não ter o mesmo destino da mãe: a solidão, consequente de uma personalidade forte, acachapante e agressiva. A tendência de Bárbara é ficar igualzinha a Violet. E romper com esse ciclo de infelicidade e violência é também um ato de amor”.

A montagem do diretor André Paes Leme divide o palco nos cômodos da casa em que se passa a história, o que exige uma visão ativa do espectador. “A ação passeia por todos os espaços e a proposta do autor é que o público possa ver simultaneamente todos os ambientes. Na nossa concepção, as cenas são sobrepostas: a personagem que está num determinado ambiente estará exatamente ao lado de outra que ocupa outra área da casa. Gradativamente, as diferentes cenas vão convivendo no palco.” Ele conta que priorizou as situações de conflito e buscou não valorizar ao detalhe a construção do ambiente de cada cena. “Interessa a mim a complexidade das relações familiares, a intensidade com que depositamos no núcleo familiar tanto um amor inquestionável como também despejamos as angústias e inseguranças das nossas vidas”, diz o diretor. “Textos como esse revelam o quanto imprevisível é o comportamento humano”, completa. 

Se o destino das personagens é inevitavelmente trágico, isso não faz de “Agosto” uma tragédia. Tracy Letts usa recursos do melodrama, da comédia de costumes, das sitcoms da televisão norte-americana e do vaudeville, mantendo a unidade formal, a coerência interna e estética da sua obra.

Produção

Tracy Letts é um dos mais importantes autores do teatro contemporâneo dos EUA. Nascido em Tulsa, Oklahoma, é um dos mais importantes autores norte-americanos vivos. Vencedor dos prêmios Pulitzer na categoria Melhor Drama e Tony na categoria Melhor Texto, August: OsageCounty estreou em Chicago em 2007, na montagem do Steppenwolf Theatre Company (companhia a que pertence Letts), encenada depois em Nova York e Londres, entre outras cidades e países.  Em 2013, a obra inspirou o filme Álbum de Família protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts, além de Ewan McGregor, Juliette Lewis, Sam Shepard e Benedict Cumberbatch. 

E agora tem sua primeira montagem no Brasil pelas mãos da produtora Maria Siman, da Primeira Página Produções, em parceria com Andrea Alves e Sarau Agência de Cultura Brasileira. Responsável pela produção de importantes espetáculos como Ensina-me a ViverO Pequeno PríncipeO Grande Circo MísticoIncêndios Maria do Caritó, Maria Siman adquiriu os direitos do texto teatral para montagem no Brasil após assistir ao filme Álbum de Família. “Percebi que se tratava de dramaturgia adaptada para o cinema e parti em busca dos direitos de montagem da peça no Brasil”, lembra.

Sobre Guida Vianna 

Formada em Comunicação Social pela PUC Rio, Guida Vianna estudou teatro no curso do Tablado entre 1971 e 1975, onde desde 1980 leciona improvisação teatral, tendo dirigido mais de 20 peças com seus alunos. Foi redatora da revista Cadernos de Teatro durante 15 anos. Atuou em seis novelas, quatro mini-séries e sete filmes. Atriz, diretora e produtora, Guida Vianna foi indicada quatro vezes ao prêmio de melhor atriz, ganhando o Prêmio Shell em 2004 e o Prêmio Qualidade Brasil 2006. Já participou de mais de 30 espetáculos teatrais. Além dos trabalhos de grupo (a sua formação), já representou vários autores importantes: Brecht, Arrabal, Shakespeare, Albee, Beckett, Pinter, Tennessee Williams, Schnitzler, Sheridam, Visniec. Interpretou Hamm, de Samuel Beckett, em Fim de Jogo, personagem associado a grandes atores. Atualmente integrou o elenco da série infantil Valentins, do canal Gloob, como a vovó Reggy e participou da novela O Sétimo Guardião. 

Ficha Técnica

Texto: Tracy Letts. Tradução: Guilherme Siman. Direção e Adaptação: André Paes Leme. Elenco/personagens: Guida Vianna (Violet Weston), Letícia Isnard (Barbaraordhan), Alexandre Dantas (Steve Heidebrecht),  Claudia Ventura (Karen Weston), Cláudio Mendess (Charlie Aiken), Eliane Costa (Mattie FaeAiken), Guilherme Guilherme Siman (Charles Júnior), Isaac Bernat (Beverly Weston/Bill Fordham), Julia Schaeffer (Johnna Monevata), Isabella Dionísio (Jean Fordham),  Marianna Mac Niven (Ivy Weston). Diretor Assistente: Anderson Aragón. Cenografia: Carlos Alberto Nunes. Figurino: Patrícia Muniz. Iluminação: Renato Machado. Música: Ricco Viana. Diretor Assistente: Anderson Aragón. Cenografia: Carlos Alberto Nunes. Figurino: Patrícia Muniz. Iluminação: Renato Machado. Música: Ricco Viana. Projeto Gráfico: Mais Programação Visual. Fotografia: Silvana Marques. Produção Executiva: Felipe Valle. Direção de Produção: Andrea Alves Maria Siman. Idealização e Coordenação Geral: Maria Siman. Realização: Primeira Página Produções e Trupe Produções, com patrocínio da Porto Seguro/ Realização em Belo Horizonte: Festival Teatro em Movimento

“Agosto”
Classificação: 16 anos. Duração: 130 minutos. Gênero: Comédia dramática.
Dias e horários: 4 a 6 de de outubro, sexta-feira, às 21h, sábado às 20h e domingo às 20h
Local: Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube - Rua da Bahia 2244 - Lourdes/Belo Horizonte/MG
Valor do Ingresso: R$  70,00 (inteira) - R$  35,00 (meia entrada)
Vendas: bilheteria do teatro ou www.eventim.com.br
Informações: 31 35161360 - 

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Hamlet no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube

Premiado espetáculo faz curta temporada na capital mineira
Foto: Nityam Prem
Acostumada a processos que resultam na criação de uma dramaturgia própria (vide Inveja dos Anjos e A Marca da Água – que levaram o Prêmio Shell de Melhor Autor em 2008 e 2012, além de O Dia em que Sam Morreu – Prêmio Cesgranrio de Melhor Texto em 2014), a Armazém Companhia de Teatro se volta agora para um outro tipo de processo, onde o que mais interessa é o seu posicionamento sobre a narrativa. Partindo da obra fundamental de Shakespeare, a Companhia retorna a capital mineira para apresentar, no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube, de 9 a 11 de novembro, o espetáculo HAMLET. A ideia geral da Armazém é encontrar um Hamlet do nosso tempo. Um Hamlet cheio de som e fúria. Não numa atualidade forçada, mas ressaltando aspectos da obra que dialogam com esse coquetel de conflitos contemporâneos que vemos todos os dias jorrando nas grandes cidades do mundo.

Patrocinada pela Petrobras desde 2000, a Armazém Companhia de Teatro completou 30 anos de existência no final de 2017, travando um complexo diálogo criativo com um dos melhores materiais dramatúrgicos da história. Hamlet é o príncipe da Dinamarca. Apenas um mês separa a morte repentina e inexplicável de seu pai  e o novo casamento de sua mãe. O príncipe tem visões de seu pai, que afirma que foi envenenado pelo irmão, e exige que Hamlet se vingue e mate o novo Rei (seu tio e padrasto). Hamlet se finge de louco para esconder seus planos, e vai perdendo o controle sobre sua própria realidade no meio deste processo. Ou seja, a invenção teatral do século XVI de um príncipe que fingia loucura e o espírito inflamado do nosso século entraram inevitavelmente em colisão. Já não há mais fingimento. A loucura de Hamlet tornou-se a loucura do mundo.

A história de Hamlet é a história da destruição de uma ordem estabelecida. Shakespeare representa a corte real dinamarquesa mergulhada em corrupção. Assassinato, traição, manipulação e sexualidade são as armas usadas na guerra para preservar o poder. No centro dessa história está Hamlet, um homem desesperadamente preocupado com a natureza da verdade, um homem notável que quer ser mais verdadeiro do que, provavelmente, é possível ser. E que exige do resto do mundo que sejam todos verdadeiros com ele. Mas é possível conhecer a si mesmo integralmente? É possível conhecer integralmente as pessoas a seu redor? Hamlet se fragmenta, nossa época o faz assim, um sujeito destrutivo, atormentado e letal.

“É importante tratar Shakespeare como se ele fosse um genial dramaturgo recém-descoberto com algumas coisas urgentes a dizer sobre a guerra, sobre a loucura do mundo e sobre nossos líderes políticos modernos”, comenta Paulo de Moraes que escreveu o roteiro das cenas antes de Maurício Arruda Mendonça fazer a tradução. “Maurício conseguiu uma poesia sem pompa, que comunica sem perder a beleza. E é grande mérito dos atores que essa poesia chegue rasgando, ela é língua, ela é corpo, ela é carne”, conclui o diretor.

Em cena, sete atores dão vida aos personagens de Shakespeare: Patrícia Selonk (Hamlet), Ricardo Martins (Claudius), Marcos Martins (Polonius), Lisa Eiras (Ofélia), Jopa Moraes (Laertes), Isabel Pacheco (Gertrudes) e Luiz Felipe Leprevost (Horácio). Em participação em vídeo, Adriano Garib  é o Espectro.

Desde a estreia, em junho de 2017, no Rio de Janeiro, onde realizou quatro temporadas, Hamlet passou por São Paulo, Angra dos Reis, Aracaju, Curitiba, Fortaleza, Londrina, Natal, Porto Alegre, Recife, Salvador e Vitória, além de ter realizado uma temporada de muito sucesso no CCBB Belo Horizonte. Aproximadamente 30 mil pessoas assistiram ao espetáculo nas mais de 120 apresentações realizadas até o momento.

Prêmios de Hamlet

Hamlet recebeu o Prêmio Cesgranrio de Teatro 2017, na categoria de Melhor Iluminação, além de ter sido indicado nas categorias de Melhor Espetáculo, Direção, Cenografia, Iluminação, Figurino e Categoria Especial (pela Trilha Sonora Original). Também recebeu o Prêmio Shell 2017 de Melhor Cenário, além de indicações para Melhor Direção e Melhor Iluminação. No Prêmio APTR, o espetáculo recebeu os prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante (Lisa Eiras) e Melhor Cenário, além de indicações nas categorias de Melhor Espetáculo, Direção, Atriz, Iluminação e Figurino. Hamlet também recebeu o Prêmio Cenym 2017 de Melhor Atriz (Patrícia Selonk) e Melhor Companhia de Teatro.

O que disse a crítica

“A direção de Paulo de Moraes é de um artesanato criterioso. O primeiro ato reúne as características formais ampliadas numa sucessão de recursos surpreendentes. No segundo, o desenvolvimento da trama ganha o ritmo de um voo rasante. A cenografia de Carla Berri e Paulo de Moraes confere à caixa cênica a imponência de estrutura envidraçada, que se movimenta como anteparo de vilanias e abrigo de duelos. A iluminação de Maneco Quinderé define a coloração dramática de assassinatos e a luminosidade da maquinaria do palco com a autoridade de sua assinatura. O elenco está igualmente alinhado com a proposta vibrante do encenador.” (Macksen Luiz, Jornal O Globo)

“Em mais um grande acerto, a Armazém Companhia de Teatro equilibra com maestria o clássico e o contemporâneo nesta releitura da tragédia de Shakespeare. Patrícia Selonk dá uma aula de interpretação na pele do (quase) enlouquecido protagonista, muito bem acompanhada Lisa Eiras (Ofélia) e um amadurecido Jopa Moraes – que se desdobra em três papéis. Discretas referencias à realidade política do país também são muito bem exploradas.” (Renata Magalhães, Revista Veja Rio)

“Patrícia Selonk assina um Hamlet histórico, um desempenho monumental, construção de carne, afeto, razão desmedida, impossibilidade, flerte com o desejo humano desvairado de absoluto. A condição feminina faz parte da busca da contradição. Ela imprime ao personagem mais uma nota de oscilação e de incerteza sensível, fortalece a identificação do protagonista com a imagem patética do cidadão impotente do nosso tempo, a partir de uma intensa vibração afetiva subterrânea.” (Tânia Brandão, blog Folias Teatrais)

“A versão de Hamlet, da Armazém Companhia de Teatro, é um marco.” (Claudia Chaves, Jornal do Brasil)

“A montagem de Paulo de Moraes enfatiza não apenas a semelhança entre a Dinamarca da ficção e o Brasil atual, mas também o poder letal daqueles que conseguem superar a melancolia e o desespero e resolvem agir. E tal superação transcende o pessoal e se afigura como um gesto político. (…) além disso o encenador conseguiu extrair uma das mais brilhantes performances de Patrícia Selonk. Na pele de Hamlet, a atriz potencializa ao máximo toda a fragilidade e potência do personagem, tornando verossímeis tanto a melancolia e inércia do personagem no início quanto a fúria devastadora que o domina a partir do momento em que decide efetivamente agir. E no que se refere ao célebre monólogo ‘Ser ou não ser’, proferido em voz baixa e impregnado de uma dor que chega a ser exasperante, bastaria este breve e sublime momento para ratificar o que todos já sabem: Patrícia Selonk é uma das melhores intérpretes do país.” (Lionel Fisher, crítico e jurado dos prêmios APTR e Cesgranrio)

“A escolha de Patrícia Selonk para interpretar o príncipe vingador foi ousada e certeira. Ela se entrega por completo ao personagem e sua performance é marcada por muitas nuances, conseguindo transmitir as angústias e contradições de um indivíduo à sombra da memória (e do ódio) do pai. A Armazém consegue mostrar que Shakespeare é um autor essencialmente popular. Ele fala sobre o humano sem idealizações e não está confinado em uma torre de marfim que alguns críticos e estudiosos quiserem aprisioná-lo por séculos. Hamlet permanece atual porque a sombra da crueldade, da loucura, o questionamento do ser ou não ser, diz respeito à nossa natureza (ainda que muitas vezes queiramos negá-la).” (Márcio Bastos, Jornal do Commércio - Recife)

Sobre a Armazém Companhia de Teatro

Em 2018, a Armazém Companhia de Teatro segue apresentando sua versão de Hamlet em turnê nacional. Com mais de 40 prêmios nacionais no currículo, a companhia também foi premiada duas vezes no Festival Fringe de Edimburgo (na Escócia), com o prestigiado Fringe First Award (2013 e 2014) e no Festival Off de Avignon (na França), com o Coup de Couer de la Presse d’Avignon (2014).

A Armazém Companhia de Teatro foi formada em 1987, em Londrina, em meio à efervescência cultural vivida pela cidade paranaense na década de 80 - de onde saíram nomes importantes no teatro, na música e na poesia. Liderados pelo diretor Paulo de Moraes, o senso de ousadia daqueles jovens buscando seu lugar no palco impregnaria para sempre os passos do grupo: a necessidade de selar um jogo com o seu espectador, a imersão num mundo paralelo, recriado sobretudo pela ação do corpo, da palavra, do tempo e do espaço.

Com sede no Rio de Janeiro desde 1998, a companhia acaba de completar 30 anos de formação. Graças ao patrocínio continuado da Petrobras, desde 2000, a companhia tem conseguido levar seu trabalho aos públicos mais variados, tanto do Brasil quanto do exterior. Sempre baseando seus espetáculos em pesquisas temáticas (com a criação de uma dramaturgia própria com ênfase nas relações do tempo narrativo) e formais (que se refletem na utilização do espaço, na construção da cenografia, ou nas técnicas utilizadas pelos atores para conviver com o risco de encenar em cima de um telhado, atravessando uma fina trave de madeira ou imersos na água), a questão determinante para a companhia segue sendo a arte do ator. Busca-se para o ator uma dinâmica de corpo, voz e pensamento que dê conta das múltiplas questões que seus espetáculos propõem. E a encenação caminha no mesmo sentido, já que é o corpo total do ator que a determina.

Apesar da construção de espetáculos tão díspares e complementares como A Ratoeira é o Gato (1993), Alice Através do Espelho (1999), Toda Nudez Será Castigada (2005) e O Dia em que Sam Morreu (2014), a Armazém Companhia de Teatro segue sua trajetória sempre investindo numa linguagem fragmentada, que ordene o movimento do mundo a partir de uma lógica interna. Essa lógica interna é a voz da Armazém, talvez a grande protagonista do mundo representacional da companhia.

Ficha técnica

HAMLET
Da obra de William Shakespeare
Montagem da Armazém Companhia de Teatro
Direção: Paulo de Moraes
Tradução: Maurício Arruda Mendonça
Elenco: Patrícia Selonk (Hamlet), Ricardo Martins (Claudius), Marcos Martins (Polonius), Lisa Eiras (Ofélia), Jopa Moraes (Laertes), Isabel Pacheco (Gertrudes) e Luiz Felipe Leprevost (Horácio)
Participação em Vídeo: Adriano Garib (Espectro)
Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurinos: João Marcelino e Carol Lobato
Música: Ricco Viana
Preparação Corporal: Patrícia Selonk
Coreografias: Toni Rodrigues
Preparador de Esgrima: Rodrigo Fontes
Assessoria de Imprensa: Personal Press
Fotografias e Vídeos: João Gabriel Monteiro
Programação Visual: João Gabriel Monteiro e Jopa Moraes
Técnico de Palco: Regivaldo Moraes
Assistente de Produção: William Souza
Produção Executiva: Flávia Menezes
Produção: Armazém Companhia de Teatro
Patrocínio: Petrobras

De 9 a 11 de novembro
Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube - Rua da Bahia, 2244, Lourdes, Belo Horizonte - MG
Sexta-feira e sábado, às 20h; Domingo, às 19h
Da obra de William Shakespeare
Montagem da Armazém Companhia de Teatro
Direção: Paulo de Moraes
Tradução: Maurício Arruda Mendonça
Elenco: Patrícia Selonk, Ricardo Martins, Marcos Martins, Lisa Eiras, Jopa Moraes, Isabel Pacheco e Luiz Felipe Leprevost

Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
– desconto de 50% no valor inteiro na compra de até 2 ingressos para a força de trabalho e clientes do Cartão Petrobras

Duração: 140 minutos (incluindo 10 minutos de intervalo)
Classificação: 14 anos
Drama