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domingo, 5 de abril de 2026

Casa Fiat de Cultura inaugura exposição que investiga memória e reconstrução a partir do bordado

Foto: Rodrigo Antunes


Na Piccola Galleria, a artista visual Rita de Souza apresenta 14 obras entre desenho e bordado sobre papel, tendo a chita como ponto de partida 

Com obras que se expressam com delicadeza e força, a Casa Fiat de Cultura realiza, na Piccola Galleria, a exposição Reparar entre linhas, da artista visual Rita de Souza. A mostra reúne 14 obras entre desenhos e bordados sobre papel, que nascem de um gesto simples e atento: observar, desenhar e recompor. Ao transpor para o papel as tramas de um tecido desfeito — a chita —, a artista constrói composições em que o suporte se transforma em espaço de reinvenção. A exposição fica em cartaz de 7 de abril a 24 de maio de 2026. Toda a programação é gratuita e integra as comemorações dos 20 anos da Casa Fiat de Cultura. 

Mais do que representar a matéria, as obras partem dela como memória e repertório visual. Marcada por cores vibrantes e estampas florais, a chita surge como ponto de partida para investigações sobre identidade e tempo. Esse material ocupa um lugar central no processo da artista: associado à cultura popular brasileira, ao ambiente doméstico e ao universo feminino, carrega uma visualidade intensa que atravessa gerações. Ao trazê-lo para o campo do desenho e do bordado, Rita de Souza não apenas recupera sua força simbólica, mas também tensiona sua fragilidade. O que antes era superfície contínua se desfaz, se fragmenta e se reorganiza em novas composições. As cores, ainda que muitas vezes sugeridas mais do que explícitas, permanecem como memória visual, evocando a presença vibrante da chita mesmo quando ela já não está inteira. 

Ao desfazer, fotografar, desenhar e bordar seus fragmentos, Rita de Souza desloca esse universo para o campo do desenho, onde as cores se insinuam e as formas se reorganizam em composições mais contidas, mas ainda carregadas de intensidade. Nesse processo, o gesto manual ganha protagonismo. Sobrepor fios deixa de ser apenas um procedimento técnico e passa a estruturar o pensamento da obra. As imagens resultam de um equilíbrio entre controle e espontaneidade, em que o que foi rompido não é simplesmente restaurado, mas transformado em outra forma de presença. “Não me preocupo em seguir uma técnica perfeita de bordado. Minha intenção é que ele se sobreponha ao desenho. Nas obras, a linha é mais um desenho do que propriamente bordado”, explica a artista. 

O título da exposição sintetiza esse movimento. “Neste caso, reparar pode ser entendido tanto como a tentativa de cobrir o espaço que abro quanto como o gesto de observar o detalhe”, ressalta Rita. Cada linha funciona como um registro do tempo, convidando o olhar a se aproximar e perceber nuances que não se revelam de imediato.  

A exposição “Reparar entre linhas” é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Stellantis, da Fiat, copatrocínio da Stellantis Financiamentos e do Banco Stellantis, e apoio do Grupo Sada, do Banco Safra, da Auto Avaliar e da Fiat Seguros. A mostra tem apoio cultural do Circuito Liberdade, do Governo de Minas e do Programa Amigos da Casa. 

Bate-papo de abertura 

Para marcar a abertura da exposição, o público é convidado a participar de um bate-papo com a artista Rita de Souza na terça-feira (7), às 19h.  O encontro aborda o gesto do bordado como prática de atenção e reconstrução, além da escolha da chita como elemento central. O evento é gratuito, com inscrições pela Sympla.  

Sobre a artista 

Rita de Souza nasceu em Belo Horizonte onde vive e trabalha atualmente. Tem formação em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Minas Gerais, História da Arte pela Université de Montréal no Canadá. E é especialista em Arte e Contemporaneidade pela Escola Guignard. Conciliando a Arte e a História, seu trabalho explora a produção artística como forma poética de registros e narrativas. Tentar captar e transformar através da linguagem visual, elementos simples do cotidiano. Busca associar as histórias e memórias presentes em elementos da cultura material com contextos da atualidade. 

Piccola Galleria    

É um espaço destinado a artistas da cena contemporânea e foi criado em 2016 com o intuito de incentivar a produção nacional e internacional. Situado ao lado do painel “Civilização Mineira”, de Candido Portinari, no hall principal da Casa Fiat de Cultura, o pequeno recinto é destinado a exposições de curta duração, mas com toda a visibilidade que a instituição enseja. 

Os artistas que expõem na Piccola Galleria são selecionados por uma comissão de especialistas, que nesta 9ª edição contou com Katia Wille, artista visual e pesquisadora; Giancarlo Hannud, historiador da arte, curador e pesquisador; e Marcel Diogo, artista, professor e curador independente. O processo foi realizado de forma 100% online, de modo a facilitar a inscrição de pessoas de todo o Brasil. No total, mais de 370 trabalhos foram enviados. 

A proposta é apresentar e destacar trabalhos inéditos – pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, instalações, performances e/ou videoarte – de artistas locais, brasileiros ou estrangeiros. Além de Rita de Souza, outros cinco artistas foram selecionados no 9º Programa de Seleção da Piccola Galleria, e suas exposições serão exibidas na programação de 2026/2027.  

Casa Fiat de Cultura   

Cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em Braille e atendimento em libras. Mais de 100 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 20 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 800 mil participaram de suas atividades educativas. 

Exposição “Reparar entre linhas”, de Rita de Souza, na Casa Fiat de Cultura     

Período expositivo: 7 de abril a 24 de maio de 2026 

Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)     

Toda programação da Casa Fiat de Cultura é gratuita 

Bate-papo de abertura da exposição  

7 de abril, terça-feira, às 19h, na Casa Fiat de Cultura 

Inscreva-se gratuitamente pela Sympla 

Casa Fiat de Cultura    

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – Belo Horizonte/MG  

Circuito Liberdade 

Horário de Funcionamento 

Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 21h   

Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h    

Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

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