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quinta-feira, 16 de maio de 2024

CCBB BH recebe o espetáculo “Let´s Play That ou Vamos Brincar Daquilo”, com Tuca Andrada

Foto: Ashlley Melo


Montagem celebra a vida e obra do poeta Torquato Neto, com teatro, poesia, literatura e música. Temporada acontece de 24 de maio a 24 de junho

Vida e obra de Torquato Neto saem da literatura para o teatro, com “Let´s Play That ou Vamos Brincar Daquilo”, espetáculo que é um híbrido de recital de poesia, show, jogo, aula, debate e stand-up. A montagem faz parte de um projeto que marca os 50 anos de morte do poeta piauiense e tem atuação e criação do ator Tuca Andrada, a partir da leitura da antologia “Torquatália”, de Paulo Roberto Pires. 

Para a produção da peça foram convidados os músicos Caio Cesar Sitônio, que assina a direção musical, e Pierre Leite, que assina a sonoplastia. Tuca também divide a direção com Maria Paula Costa Rêgo. A peça estreou em Recife, em 2023, com sessões esgotadas e, agora, chega ao CCBB BH, para temporada entre os dias 24 de maio e 24 de junho, de sexta a segunda, às 19h. Os ingressos serão vendidos a partir de 15 reais, no site e na bilheteria do CCBB. 

Neste espetáculo, sem quarta parede e com duração de 80 minutos, Andrada apresenta as impressões e marcas que teve ao se envolver com a obra do poeta piauiense Torquato Neto e convoca o público a interagir: perguntando, fazendo críticas e tirando dúvidas. Tudo isso torna a montagem sempre renovada a cada apresentação, uma reconstrução em si mesma.

“Let´s Play That ou Vamos Brincar Daquilo” se desenvolve numa arena ou semi-arena onde o público, jovem e adulto, está dentro da ação. Como se numa roda de amigos, o ator começa a contar a história de um artista inclassicável / não enquadrável, sobre qualquer aspecto, e o efeito produzido nele. No palco, o mundo e o tempo de Torquato Neto tomam conta do ator e ele narra sua visão da história, com a ajuda apenas de um banco, sonoplastia, música, dança e com um chão coberto com poesias do Poeta.

Não há efeitos grandiosos de luz, apenas climas que vão se estabelecendo com o decorrer da peça. O figurino também é simples, sendo apenas uma calça e camiseta brancas. A ideia é retomar a simplicidade do contador de histórias, do repentista, do cantador de feira que apenas com a voz e o corpo conduz a audiência para fora do tempo presente, transportando-a para outros universos. 

E os universos de Torquato são muitos: poeta, jornalista, agitador cultural, compositor, cineasta, ator e um dos ideólogos do movimento mais importante na cultura brasileira, na segunda metade do século XX, a Tropicália. Torquato era, antes de tudo, um apaixonado pelo Brasil e pelas diversas formas de comunicação. Apesar de uma vida curta – se matou aos 28 anos, em 1972 – mudou radicalmente a maneira de se fazer poesia e jornalismo no país. Nunca publicou um único livro em vida, mas sua obra continua reverberando em muitos artistas brasileiros até hoje, haja vista o presente espetáculo.

SINOPSE

“Let´s Play That, ou Vamos Brincar Daquilo” narra o encontro do ator Tuca Andrada com a vida/obra do artista Torquato Neto e o efeito produzido desse encontro em sua própria vida. O espetáculo é um híbrido de recital de poesia, show, jogo, aula, debate e stand-up. Um espetáculo sem quarta parede, em que o ator se comporta como se estivesse numa roda de amigos contando uma história.

Circuito Liberdade 

O CCBB BH é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

Let´s Play That, ou Vamos Brincar Daquilo, com Tuca Andrada

Quando: 24 de maio a 24 de junho

Temporada: Sexta a segunda

Horário: 19h 

Local: Teatro II – CCBB BH – Praça da Liberdade

Duração: 80 minutos

Classificação Indicativa: 16 anos

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), disponíveis no site e na bilheteria do CCBB BH

Sessão em Libras e bate-papo após o espetáculo: 15/06 (sábado)

Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Espetáculo " A Visita da Velha Senhora" Chega a Belo Horizonte

Texto apresenta um olhar irônico sobre os valores morais
da justiça e esperança - Foto: Cacá Bernardes
O texto do suíço Friedrich Dürrenmatt apresenta um olhar irônico sobre a fragilidade dos nossos valores morais, da justiça e da esperança

“Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia”, diz Denise Fraga.  “A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.” 

Em A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220 mil pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: “Como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?” Em Galileu Galilei, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140 mil pessoas, o tema é revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?

Agora chega A Visita da Velha Senhora, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.

O espetáculo cumpriu temporada em São Paulo e Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, “A Visita da Velha Senhora” estará em cartaz nos dias 26, 27, 28 e 29 de abril, no Teatro SESIMINAS. Com patrocínio do Bradesco, parceiro e patrocinador de “Alma Boa de Setsuan” e “Galileu Galilei”, e realizado em Belo Horizonte através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, pela NIA Teatro, Centro Cultural SESIMINAS, Ministério da Cultura e Governo Federal.

A direção é do cineasta Luiz Villaça, que depois do sucesso de Sem Pensar, de Anya Reiss, e A Descida do Monte Morgan, de Arthur Miller, retorna mais uma vez ao teatro. A montagem tem a sofisticação de contar com cenários e figurinos do mineiro Ronaldo Fraga, que foi o vencedor da 30ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. A batuta do maestro Dimi Kireeff, na direção musical, o desenho de luz de Nadja Naira, da companhia brasileira de teatro, Lucia Gayotto na preparação vocal, Keila Bueno nas coreografias e preparação Corporal e Simone Batata, no visagismo.

A Visita da Velha Senhora teve nominações ao Prêmio Shell nas categorias Melhor Atriz (Denise Fraga) e Melhor Figurino (Ronaldo Fraga) e ao Prêmio Aplauso Brasil nas categorias Melhor Atriz (Denise Fraga), Melhor Direção (Luiz Villaça), Melhor Arquitetura Cênica (Ronaldo Fraga) e Melhor Espetáculo Independente.

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta.  Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, o suíço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank?  Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária?  Ou fará justiça?  O que é fazer justiça?  Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro? 

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais?   Por outro lado, quanto nos custa a não submissão?  O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão. Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder?  Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

“Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht.  Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.
  
Por Denise Fraga
Amo a comédia porque confio no humor e na ironia como um poderoso agente para a reflexão. Só se ri daquilo que se entende. O humor chama o pensamento e, com isso, dá eficácia e prazer à comunicação de uma ideia.  É incrível como muitos dos autores tidos como clássicos confiavam nisso, mas estão com a risada do público presa na poeira de suas linhas. É preciso sacudi-las, dar uma escovada, deixá-las voar.

Brecht dizia: divertir para comunicar. Me identifico com isso. Divertir o público e mandá-lo para casa em estado de reflexão é o que tem me garantido a sensação de plenitude com o meu ofício. O sucesso de ALMA BOA e GALILEU me confirmaram a popularidade de Brecht. Mais da metade de nosso público talvez nunca tivesse ouvido falar dele, mas nem por isso deixaram de ser completamente capturados por sua genialidade.

Esta necessidade de propagar aquilo que me tocou o coração, dar-lhe comunicação e clareza para ver mover no outro o que moveu em mim, se tornou mesmo a grande força motriz de meu trabalho. Tem dado certo. E a cada espetáculo, renovo minha esperança de continuar fazendo o Teatro em que acredito.
  
Ficha Técnica:
Autor: Friedrich Dürrenmatt
Stage rights by Diogenes Verlag AG Zürich
Tradução: Christine Röhrig
Adaptação: Christine Röhrig, Denise Fraga e Maristela Chelala
Direção Geral: Luiz Villaça
Direção de Produção: José Maria
Elenco: Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Eduardo Estrela, 
Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves,
Fábio Nassar e Rafael Faustino
Direção de Arte: Ronaldo Fraga
Direção Musical: Dimi Kireeff
Trilha Sonora Original: Dimi Kireeff e Rafael Faustino
Desenho de Luz: Nadja Naira
Produção Executiva: Marita Prado
Preparação Corporal e Coreografias: Keila Bueno
Direção Vocal: Lucia Gayotto
Preparação Vocal: Andrea Drigo
Visagismo: Simone Batata
Assistente de Direção: André Dib
Assistente de Produção: Musical Nara Guimarães
Engenheiro de Mixagem: Fernando Gressler
Camareira: Cristiane Ferreira 
Assistente de Iluminação e Operador de Luz: Robson Lima
Operador de Som: Janice Rodrigues
Cenotécnicos: Jeferson Batista de Santana, Edmilson Ferreira da Silva
Assessoria Financeira: Cristiane Souza
Fotografia: Cacá Bernardes
Making Off: Pedro Villaça e Flávio Torres
Redes Sociais: Nino Villaça
Programação visual: Gustavo Xella
Assessoria de Imprensa BH: Personal Press
Projeto realizado através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Produção Original: SESI-SP | FIESP
Patrocínio Exclusivo: Bradesco
Realização: NIA Teatro, Ministério da Cultura e Governo Federal

A Visita da Velha Senhora
Denise Fraga, Tuca Andrade e grande elenco
Dias 26, 27, 28 e 29 de abril
Quinta a sábado, às 20h; Domingo, às 18h
Informações: (31) 3241-7181 e www.centroculturalsesiminasbh.com.br
Classificação: 14 anos
Duração: 120 min
Gênero: Comédia Trágica

Ingressos:
R$ 70 (inteira) / R$ 35 (meia entrada)
Ingressos à venda na bilheteria do Teatro SESIMINAS ou pelo site www.tudus.com.br