Choose your language

Mostrando postagens com marcador Paula Santoro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paula Santoro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Espetáculo 'Djavanear - Um Tanto Flor, Um Tanto Mar' celebra a obra de Djavan

Foto: Priscila Prade


Karen Julia, Leila Maria, Mattilla, a mineira Paula Santoro e Tontom Périssé estrelam o musical idealizado e produzido por Eduardo Barata, com dramaturgia de Mauro Ferreira e Regina Miranda, que também assina a direção com o produtor

"Assim que o dia amanheceu, lá no mar alto da paixão, dava pra ver o tempo ruir…" A fim de percorrer as arrebentações do oceano musical de Djavan, o idealizador, produtor — e aqui também diretor — Eduardo Barata dá sequência à série de musicais não convencionais, iniciada com as recentes e bem-sucedidas montagens de "Admirável Sertão de Zé Ramalho" e "Noel Rosa: Coisa Nossa", em "Djavanear - Um Tanto Flor, Um Tanto Mar". O novo espetáculo, que deságua em janeiro no Sesc Copacabana, no dia 11 — após temporada no Teatro Itália, em São Paulo —, celebra a obra do cantor, compositor e músico alagoano a partir dos afetos, por meio de 40 músicas, sob as vozes e os olhares femininos. "Desde 2018, estou em busca de construir musicais que não sejam óbvios, como as biografias contadas. A ideia é homenagear a criação e, consequentemente, as obras desses artistas", conta Barata que, para esta missão, convidou o jornalista, escritor e pesquisador musical Mauro Ferreira.

"Ele é um dos maiores conhecedores da Música Popular Brasileira e um grande amigo. Queríamos um texto que existisse a partir das letras do Djavan. A ideia de fazer apenas com mulheres acabou sendo um reflexo da própria obra do nosso homenageado, que escreveu tantas letras dedicadas ao sexo feminino. Então, soou natural para nós que elas se apropriassem das canções", explica o idealizador. Barata viu na diretora, escritora e coreógrafa Regina Miranda sua alma gêmea para conduzir com ele a direção do musical.

Plurais, as atrizes Karen Julia, Leila Maria, Mattilla, Paula Santoro e Tontom Périssé se revezam no palco nesta dramaturgia fragmentada e onírica, costurada por Mauro em parceria com Regina. "É importante que as mulheres estejam em cena não como intérpretes do discurso do homem. Se o discurso é pessoal, vai para o feminino. Se é referencial, continua no masculino. Como a nossa abordagem é em cima dos afetos, temos todos os estágios do amor dentro deste universo djavaneano, e o elenco traz muitas corporalidades. Vamos dos 17 aos 60, combatendo o etarismo. O amor está em todas as idades. Gente jovem acha que com 40 estará fora das possibilidades, mas isso é machismo estrutural", aposta Regina Miranda, que faz questão de não esconder a idade de ninguém. "Tenho 75 anos, quase a mesma idade que Djavan, que está com 74".

"A obra dele é, por vezes, muito masculina. Ouvi-la somente nas vozes de mulheres é interessante. Acho maravilhoso que seja um elenco feminino. As letras são poéticas, falam de amor com imagens de flores, cores, mares. Isso foi um norte para a construção de toda a dramaturgia. Tem textos inspirados em letras de Djavan. São letras impregnadas de amor, paixão e desejo", enfatiza Mauro Ferreira, que não poderia deixar de fora os grandes hits do homenageado.

"Flor-de-Lis", "Açaí" e "Oceano", naturalmente, são alguns dos spoilers do roteiro do espetáculo. "O público espera sucessos de Djavan em qualquer show ou espetáculo relacionado à sua obra. Ele surgiu para o público em 1975, mas pode ser alinhado com a geração genial de Gil, Chico, Caetano, Milton. Não por acaso, ele tem parcerias com Caetano e com Chico. Suas músicas são refinadas, têm harmonias por vezes complexas, mas, surpreendentemente, boa parte das canções dele se comunica com o público. Tanto que a obra de Djavan é recorrente em shows de bares. Todo mundo canta. Tenho orgulho de ter incluído 'A Ilha', música de 1980, lançada na voz do Roberto Carlos. É uma música belíssima que nem todo mundo conhece", instiga o jornalista e escritor.

E para costurar todo esse oceano de hits, os diretores musicais, Alfredo Del Penho e Muato mergulharam nas letras e nas harmonias para dar ritmo ao musical e orquestrar as vozes femininas tão variadas como as de Paula Santoro, que já tem carreira consolidada na MPB, e a de Tontom Périssé, filha de Heloísa Périssé, que faz sua estreia nos palcos.

"Já cantei ao lado de grandes artistas em palco ou estúdio, entre eles, Milton Nascimento, Chico Buarque, Edu Lobo, Nana Caymmi, Guinga, Toninho Horta, Alcione, Angela RoRo, Lô Borges, Flávio Venturini, João Donato, João Bosco, Arthur Verocai e Joyce. Nunca ao lado de Djavan", enumera Paula. Enquanto Tontom comemora a oportunidade de cantar uma de suas músicas favoritas do compositor. "Já escutava Djavan, é difícil escolher uma música, mas acho que a minha favorita é "Azul", que por sorte estou cantando no musical.

E sobre possíveis comparações entre ela e a mãe já consagrada, Tontom avisa: "Nós somos muito diferentes. Ela faz comédia com muita facilidade, já eu não tanto. Apesar de sermos muito diferentes do jeito de atuar, eu e ela gostamos do naturalismo".

Essa diversidade em cena também é valorizada por Karen Júlia. "Pra além do inegável talento desse elenco feminino de “Djavanear”, eu acredito que o potencial do espetáculo está na diversidade. Cada uma tem uma vivência diferente dentro da arte e isso vem somando à nossa troca em cena. Uma das razões de eu ser artista, é o trabalho coletivo… Eu amo estar com pessoas novas, trocar experiências, principalmente com mulheres de diferentes gerações", diz Karen.

A mesma opinião também é compartilhada por Leila Maria, finalista do "The Voice Mais", que está no elenco do espetáculo. "Esse foi um dos motivos que me incentivou a aceitar participar do que de certa forma, seria para mim um desafio! A diversidade do elenco é como um reflexo da obra do Djavan, que tem o poder de alcançar um público assim também: de diferentes origens, idades e classes sociais", diz Leila, que tem o compositor muito presente em sua vida. "No ano passado, talvez a maior consequência de eu ter chegado à final da primeira edição do programa 'The Voice Mais', foi o convite feito pelo selo Biscoito Fino para gravar um CD. E esse disco, que se chama 'Ubuntu', tem só músicas do... Djavan!", afirma.

Conhecida do público pelos espetáculos "Los Hermanos - Musical Pré-Fabricado" e "Funny Girl - A Garota Genial", a atriz e cantora Mattilla, indicada este ano ao Prêmio Bibi Ferreira de Revelação, é responsável por alguns pontos altos do espetáculo. "É uma narrativa nada convencional, portanto, desafiadora. E eu fiquei com alguns solos importantes, como 'Açaí'. É uma letra complexa, que muita gente tem dificuldade de entender, pois sugere muitas imagens e me tira de um lugar mais confortável, mas é ótimo experimentar. Acho que estamos construindo algo muito interessante no musical", conta ela.

Dessa forma, o musical inova na performance dando um olhar feminino para a obra de Djavan. São cinco mulheres de diferentes faixas etárias e etnias no palco, promovendo a diversidade. Acessível, o espetáculo reserva apresentações gratuitas para populações vulneráveis e outras a preços populares, a fim de levar teatro de melhor qualidade àqueles que não têm poder aquisitivo para desfrutar de arte e cultura.

Além das atrizes, o cenário de Natália Lana, a luz de Luís Paulo Neném e o figurino de Luiza Marcier também são personagens importantes na engrenagem de "Djavanear". "Eles ajudam muito a criar as ambientações. Creio que o espectador vai ser transportado para muitos lugares. Os figurinos dão um salto para fora do cotidiano. É como um sonho", delicia-se Regina.

Afinal, "quando é assim, deixa vir do coração", como está na letra de "Se…".

Ficha Técnica

Djavanear - Um Tanto Flor, Um Tanto Mar

Idealização: Eduardo Barata

Dramaturgia: Mauro Ferreira e Regina Miranda

Direção: Regina Miranda e Eduardo Barata

Direção musical: Alfredo Del-Penho e Muato

Direção de movimento: Fabiana Valor

Elenco:

Karen Júlia

Leila Maria

Mattilla

Paula Santoro

Tontom Périssé

Musicistas:

Bruna Saraiva

Georgia Câmara

Maria Baixaria

Cenário: Natália Lana

Figurinos: Luiza Marcier

Iluminação: Luís Paulo Neném

Engenharia de som: Dugg

Assistente de direção e Swing: Rafael Telles

Assistente de direção musical: Bruna Saraiva

Fotos: Priscila Prade

Assessoria de imprensa: Barata Comunicação e Dobbs Scarpa

Direção de produção: Denise Escudero e Elaine Moreira

Produção executiva: Roy D`Peres

Sesc Copacabana - Teatro de Arena

Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana.Rio de Janeiro

De 11 de janeiro a 4 de fevereiro

De quinta a domingo - 20h

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia) / R$ 7,50 ( associados Sesc)

Musical. 12 anos. 70 min.

Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Paula Santoro faz show no Rio de Janeiro

Foto: Márcia Charnizon
Ouça aqui “Sumaúma”:

https://bfan.link/sumauma

A cantora Paula Santoro fará o show de lançamento do álbum "Sumaúma" no Rio de Janeiro, na terça-feira (22), às 20h, no Teatro Prudential .

Os ingressos já estão à venda no site do Sympla e na bilheteria do teatro.

Segundo Paula: "Meu sétimo álbum solo é meu trabalho mais potente, até agora, porque além da sonoridade estar mais vigorosa e com foco no ritmo, os temas do disco são de grande importância e muito atuais".

Show e disco discorrem sobre o feminino, a maternidade, nossas raízes (ancestralidade), a natureza e também a distopia dos tempos atuais. A inspiração maior para fazer o disco foi Ailton Krenak e suas obras. A árvore Sumaúma é considerada a "mãe da floresta" pois, na temporada de chuvas, acumula água em suas raízes tabulares (sapopemas) e na seca, ela extravasa essa água no solo e as plantas ao redor não morrem.

Ainda, segundo a cantora: "É urgente fazermos algo sobre a preservação da natureza e, tento dar meu recado através de minha arte. Aliás, sempre faço arte com intuito de transformar as pessoas e a mim mesma”.

Paula fará uma homenagem a João Donato, cantando também canções dele que não estão no álbum, e será acompanhada por um quarteto de craques: Rafael Vernet - seu maior parceiro na música - arranjador, pianista, produtor musical do álbum e diretor musical do show, o baterista Cyrano Almeida, o contrabaixista Rodrigo Villa e o percussionista Serginho Silva.

O repertório inclui canções como: Yê Melê (Chico Feitosa e Luis Carlos Vinhas), Coisa mais maior de grande (Gonzaguinha), Sassaô (João Bosco), Ê lala lay ê (João Donato e Lysias Ênio), Êmoriô (João Donato e Gilberto Gil), A paz (Donato e Gil), Na boca do sol (Arthur Verocai e Vitor Martins), Sumaúma (Alexandre Andrés e Bernardo Maranhão), Não é céu (Vitor Ramil), Léo (Milton Nascimento e Chico Buarque), Feminina (Badi Assad e Luedji Luna), O sal da terra (Beto Guedes e Ronaldo Bastos),  entre outras canções de seus discos anteriores.

SOBRE PAULA SANTORO

Nasceu em Belo Horizonte. Ela traz suas raízes em sua música, que tem grande influência do Clube da Esquina. Além dos seis álbuns solo já lançados, sua discografia inclui colaborações em gravações de Guinga, Arthur Verocai, Mário Adnet (álbum indicado ao Grammy Latino), Bianca Gismonti e outros. O novo álbum conta com a participação de João Bosco, João Donato, Toninho Horta, Arthur Verocai, Raul de Souza, Mamão (Azymuth), Maurício Tizumba entre outros grandes músicos.

Já dividiu estúdio e palco com grandes nomes da música popular brasileira, como: Chico Buarque, Milton Nascimento, Edu Lobo, Nana Caymmi, Ângela RoRo, Alcione, Joyce, Lô Borges, Flávio Venturini, Guinga, Toninho Horta, entre outros.

Seus álbuns têm recebido excelentes críticas no Brasil e no exterior (Europa, Estados Unidos e Ásia). A sua carreira internacional inclui atuações nos EUA, Europa (França, Inglaterra, Portugal, Espanha, Luxemburgo, Alemanha, Áustria, etc.), Ásia (Índia) e recentemente, no início de 2020, Rússia (Moscou e Sibéria). Ela também excursionou pela Itália e pelo Brasil com o grande compositor e violonista Guinga.

Paula é uma das poucas artistas brasileiras que se apresentou no programa "Later with Jools Holland" da BBC-TV Londres, na noite em que estiveram também Ludacris, Sean Paul e Amy Winehouse.

Na TV, participou das minisséries globais "Aquarela do Brasil" (dublê de voz de Maria Fernanda Cândido), "Chiquinha Gonzaga" (atriz e cantora), Maysa (atriz e cantora), Casa das Sete Mulheres (trilha), Ana Raio e Zé Trovão (tema de abertura juntamente com Sagrado Coração da Terra).

“Fico feliz sempre que ouço minhas músicas interpretadas com liberdade, acima de tudo, e muito talento. Bravo”, diz Edu Lobo.

"Paula Santoro, na minha opinião, é uma das maiores intérpretes do Brasil. Sua voz soa suave quando preciso, mas pode cortar o espaço com firmeza, clareza e também poesia, dependendo do estilo da música”, conclui Toninho Horta.

Show Sumaúma

Local: Teatro Prudential

Dia: 22 de Agosto

Horário: 20 h

Ingresso:

R$80,00 inteira

R$40,00 meia

https://bileto.sympla.com.br/event/85311

 Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Paula Santoro lança novo álbum

Foto: Márcia Charnizon
Ouça agora “Sumaúma”:

https://bfan.link/sumauma

Em “Sumaúma”, Paula Santoro dá voz a canções leves e solares como a copa da árvore que a inspira, e densas e profundas como suas raízes.

O álbum tem participação de compositores como Arthur Verocai, João Bosco e João Donato e recria, de forma contemporânea, a sonoridade dos anos 70.

A inspiração, tanto para o nome do álbum como da canção, vem da árvore tropical Sumaúma, cuja imensa copa é voltada para o astro rei e cuja raiz, a sapopema, é profunda e musical (como instrumento percussivo ela é utilizada para a comunicação entre tribos amazônicas).

Se o novo álbum da cantora fosse um LP, as primeiras canções seriam uma espécie de Lado A. Dizer que se trata de um lado A solar quase não é uma metáfora, tal a sensação – real - de sol da manhã no mar que já invade em “Yê Melê”, a primeira faixa, um canto para Yemanjá composto em 1968 pelos bossa-novistas Chico Feitosa e Luís Carlos Vinhas. E que continua de forma evidente na segunda, “Na boca do sol”, estupenda canção pop de Arthur Verocai e Vitor Martins, lançada no cultuado álbum de estreia de Verocai em 1972. Prossegue na sensual exuberância percussiva do maxixe moderno “Sassaô”, um raro João Bosco letra e música dele, lado bezaço de 1989. E desemboca na bossa-bolero – na verdade um levíssimo lullaby – que João Donato e seu irmão e parceiro Lysias Ênio fizeram para a mãe, “Ê lala lay ê”, lançada em 2001, de versos infantis e solares, “Vejo lá no céu sorrindo/Ê lala lay ê/O sol se abrindo”, a própria mãe como um sol da manhã confortável, a iluminar e aquecer tudo, e não uma noturna e convencional cantiga de ninar.

E se o Lado A é desse jeito leve e solar, o Lado B sendo também parte da “Sumaúma”, árvore e álbum, é a sapopema: imensa como a copa e como o tronco, raízes que são profundas, que dizem o que é preciso ser dito e guardam a água e a seiva para alimentar a vida em momentos difíceis.

Dizer que se trata de um lado B plúmbeo e de ar denso também quase não é metáfora, tal a sensação – real, literal até – da descrição de dias difíceis e reflexivos que já vem com a bela canção de Beto Guedes e Márcio Borges “Caso você queira saber”. Redescoberta no primeiro disco de Beto, lançado pela Odeon em 1973, é uma canção de melodia linda e dolorosa, harmonia sofisticada como as mais sofisticadas canções mineiras, e na letra a descrição de um amanhecer nublado de uma separação: “Você tem que ir embora/Já começa a amanhecer/Parece outro dia negro”. A coisa prossegue ainda mais densa em “E daí (A queda)?”, pinçada do “Clube da Esquina 2” de 1978, a mais dolorosa e política das canções de Milton Nascimento, em parceria com Ruy Guerra, a canção dramática, aqui levada em piano e voz, a letra que descreve como poucos poemas a miséria e o abandono brasileiro: “Tenho os intestinos roucos/Num rosário de lombrigas/Os meus músculos são poucos/Para essa rede de intrigas/Meus gritos afro-latidos/Implodem, rasgam, esganam”, e a resposta no refrão de uma só palavra, “E daí?”, ecoando a indiferença dos poderosos diante do sofrimento.

Como uma pausa para respirar, “Skindô” é um tema da própria Paula Santoro em parceria com Arthur Verocai e que, em ritmo de samba e vestido de cordas exuberantes, enchem de alegria nossos (atuais) dias difíceis, sem qualquer perda de densidade musical. O tema, sem letra, como que prepara a faixa seguinte, justamente a que dá título ao álbum, “Sumaúma”. Não fosse de uma dupla mineira contemporânea, os parceiros Alexandre Andrés e Bernardo Maranhão, a canção conceitua o álbum – “E uma a uma as sumaúmas úmidas/Subindo ao céu/Mergulham fundo na raiz/Num triste trópico do sul” – e é nitidamente em sua riqueza melódica e harmônica, em seu groove meio Beatles, herdeira da tradição mineira do Clube da Esquina e de suas múltiplas influências.

Ainda no tal Lado B, e para reforçar a influência africana nisso tudo, Paula Santoro apresenta outro tema seu, “Afrikanino”, em que se acompanha apenas por seu pandeiro e palmas, faz todas as vozes de um arranjo vocal para uma melodia composta em compasso 6/8 (bem afro-mineiro). É como uma vinheta para desembocar no número final, uma canção de Gonzaguinha de 1981, “Coisa mais maior de grande”, aqui recriada em ritmo de congada mineira, um hino humanista de valorização da vida, e, como no ciclo das sumaúmas, uma proposta de volta ao sol, ao início, à copa da árvore, um renascimento: “Que nada se repete sob o sol/O movimento da vida não deixa que a vida seja sempre igual”.

Este sétimo álbum solo de Paula Santoro, cantora mineira radicada no Rio, traz logo assim de cara dois talentos seus além da afinação perfeita de professora de canto, e do jeito muito pessoal de interpretar canções brasileiras: escolher repertório e, a partir dele, criar um conceito musical. E, a partir do conceito, uma direção musical, que aqui ela divide com seu já antigo parceiro, o pianista Rafael Vernet (produtor musical e arranjador do disco).

Logo no início do processo, Paula percebeu que suas escolhas de repertório para o álbum estavam um pouco diferentes dos anteriores. Tudo estava talvez mais leve, mais rítmico, com mais ênfase no groove – sem perder, no entanto, o gosto também por melodias e principalmente harmonias bem feitas, cantora mineira que é, filha do Clube da Esquina. Mais solar, portanto. “Yê Melê” e “Na boca do sol”, principalmente, mas as outras canções mesmo feitas posteriormente também remetendo à virada dos anos 60 para os 70, inspirou um tipo de sonoridade – o piano elétrico Fender Rhodes, dobrar vozes e fazer vocais, por exemplo - e a ideia de convidar músicos que já atuavam naquela época, como o próprio Arthur Verocai (vocais, violão e arranjos de orquestra), seu ídolo Toninho Horta (guitarra), e o baterista Ivan Conti “Mamão, do lendário grupo Azimuth, a quintessência do som setentista no Brasil.

O Lado B, embora mais denso, também remetia aos anos 70, sobretudo ao Clube da Esquina, o que não é de se estranhar. Entre Minas e Rio, como na sua vida, tudo que acontece em “Sumaúma”, reparem, vem dos dois estados vizinhos, todos os compositores são de um ou de outro, ao ponto do carioca Milton Nascimento ser um símbolo da música mineira e ter morado a vida quase inteira no Rio, do mineiro João Bosco ser em grande medida um compositor carioca, do carioca Gonzaguinha ter se radicado em Minas, como a mineiríssima Paula vive no Rio.

Musicalmente, se o álbum é predominantemente rítmico, grooveado, ao mesmo tempo ele é primoroso do ponto de vista melódico, harmônico e poético, a cara de Paula Santoro e dos músicos que participam, inclusive alguns dos compositores, como Verocai, João Donato e João Bosco.

As canções escolhidas, embora afora as duas composições da própria Paula não sejam inéditas, são de um frescor, e soam como novíssimas. “Yê Melê”, embora já gravada por cantoras do porte de Elis Regina e Maria Bethânia, nunca se tornou muito conhecida e Paula tinha uma visão sobre ela, mais leve e aberta, e que inclui um canto tradicional para Yemanjá, colhido de um grupo de candomblé de Brasília. “Na boca do sol” veio do convívio de Paula com Verocai, já que ela participa como vocalista do conjunto do compositor. “Sassaô” é quase um segredo de João Bosco, uma ode à origem batuqueira e sensual da música brasileira, e uma homenagem à pioneira Chiquinha Gonzaga do corta-jaca (“Me dano porque corto a jaca na banda”). Isso em contraponto às escolhas também muito pessoais das canções densas do lado B, coisas de Beto, Milton, Gonzaguinha, que ela sempre ouviu, mas percebeu a atualidade. As escolhas são tão emocionais que a gravação de “E daí?”, por exemplo, foi a primeira que ela fez, no estúdio caseiro de Rafael Vernet, e não teve qualquer ajuste ou correção – para manter a emoção de melodia e texto na sua voz.

Na verdade, “Sumaúma”, para Paula Santoro, é mais que uma árvore e um álbum musical, como ela diz no poema que escreveu para conceituar o disco:“Sumaúma é minha visão "poéticoimagéticomusical" sobre a nossa existência.Eu visto a natureza para me saber parte dela. Eu sou árvore. Eu sou Sumaúma”

Por isso, na concepção visual do álbum, Paula literalmente se despe e se “veste” de árvore e se amalgama com a natureza, tanto na capa e contracapa - num quadro criado pelo artista plástico Menote Cordeiro - quanto nas fotos de Márcia Charnizon em que Paula interage com as obras do artista plástico Advânio Lessa.

Como cantora, em cada faixa põe a voz a serviço da canção: da canção pura, solar, para fruição, do Lado A; à canção densa, política, bela, para se refletir, do Lado B. A artista como o tronco da árvore, entre a copa e a sapopema da Sumaúma, cantando ora para a imensidão do Universo ou às profundezas da Terra. Ou como na canção que dá título ao álbum e talvez defina a busca da própria música, da arte (e do mistério das Sumaúmas): “Algum lugar/Além do cais, além da dor”.

Hugo Sukman, maio 2023

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Paula Santoro lança single e comemora com show do novo álbum

Foto: Divulgação
Ouça aqui “Ê LALA LAY Ê”:

https://bfan.link/elalalaye

A talentosa cantora mineira Paula Santoro lança seu quarto single “Ê Lala Lay Ê” (feat. João Donato) , seguido de show em Belo Horizonte, em maio, no sábado (6). A apresentação marca a estreia nacional da turnê do álbum “Sumaúma”.

O quarto e último single - antes do lançamento do álbum completo da cantora - é uma música que os geniais irmãos João Donato e Lysias Ênio fizeram para homenagear a mãe que tinha apelido de Lalay. "Ê lala lay ê" representa muito bem o universo de Donato porque foi ele que fez o arranjo, tocou piano e também cantou (com Paula). Portanto, é como se Paula tivesse sido convidada a adentrar nessa atmosfera tão personal dele. A banda que gravou o single é uma maravilha à parte: Rafael Barata na bateria, Luiz Alves no contrabaixo acústico, Armando Marçal na percussão, Ricardo Pontes na flauta e José Arimatéa no flugelhorn, além de Donato. O suingue que resulta, dá vontade de dançar de rosto colado, ou de ficar balançando na rede ninando um (a) filho (a). “Tomei emprestado para mim, a homenagem que fizeram à mãe deles e homenageio a minha mãe que faleceu em 2020.” O single chega em todas as plataformas nesta sexta-feira (28).

SHOW DE LANÇAMENTO

Paula Santoro fará o show de lançamento do álbum "Sumaúma" em Belo Horizonte, em Maio,no sábado (6), às 21h, no Centro Cultural Unimed BH-Minas. Os ingressos já estão à venda no site do Eventim e na bilheteria do teatro.

Segundo Paula: "Meu sétimo álbum solo é meu trabalho mais potente, até agora, porque além da sonoridade estar mais vigorosa e com foco no ritmo, os temas do disco são de grande importância e muito atuais".

Show e disco discorrem sobre o feminino, a maternidade, nossas raízes (ancestralidade), a natureza e também a distopia dos tempos atuais. A inspiração maior para fazer o disco foi Ailton Krenak e suas obras. Ainda, segundo a cantora: "É urgente fazermos algo sobre a preservação da natureza e, tento dar meu recado através de minha arte. Aliás, sempre faço arte com intuito de transformar as pessoas e a mim mesma".

Paula será acompanhada por um quarteto de craques: Rafael Vernet - seu maior parceiro na música - arranjador, pianista, produtor musical do álbum e diretor musical do show,  Léo Pires - baterista, e duas mulheres instrumentistas da nova geração: a baixista Camila Rocha e a percussionista Débora Costa. A presença feminina na banda tem tudo a ver com a concepção do show. A árvore Sumaúma é considerada a "mãe da floresta" pois, na temporada de chuvas, acumula água em suas raízes tabulares (sapopemas) e na seca, ela extravasa essa água no solo seco e as plantas ao redor não morrem.

O repertório inclui canções como: Yê Melê (Chico Feitosa e Luis Carlos Vinhas), Coisa mais maior de grande (Gonzaguinha), Sassaô (João Bosco), Ê lala lay ê (João Donato e Lysias Ênio), Na boca do sol (Arthur Verocai e Vitor Martins), Sumaúma (Alexandre Andrés e Bernardo Maranhão), Não é céu (Vitor Ramil), Léo (Milton Nascimento e Chico Buarque), Feminina (Badi Assad e Luedji Luna), O sal da terra (Beto Guedes e Ronaldo Bastos), Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant), entre outras canções de seus discos anteriores.

SOBRE PAULA SANTORO

Nasceu em Belo Horizonte. Ela traz suas raízes em sua música, que tem grande influência do Clube da Esquina. Além dos seis álbuns solo já lançados, sua discografia inclui colaborações em gravações de Guinga, Arthur Verocai, Mário Adnet (álbum indicado ao Grammy Latino), Bianca Gismonti e outros. O novo álbum conta com a participação de João Bosco, João Donato, Toninho Horta, Arthur Verocai, Raul de Souza, Mamão (Azymuth), Maurício Tizumba entre outros grandes músicos.

Ela já dividiu estúdio ou palco com grandes nomes da música popular brasileira, como: Chico Buarque, Milton Nascimento, Edu Lobo, Nana Caymmi, Ângela RoRo, Alcione, Joyce, Lô Borges, Flávio Venturini, Guinga, Toninho Horta, entre outros.

Seus álbuns têm recebido excelentes críticas no Brasil e no exterior (Europa, Estados Unidos e Ásia). A sua carreira internacional inclui atuações nos EUA, Europa (França, Inglaterra, Portugal, Espanha, Luxemburgo, Alemanha, Áustria, etc.), Ásia (Índia) e recentemente, no início de 2020, Rússia (Moscou e Sibéria). Ela também excursionou pela Itália e pelo Brasil com o grande compositor e violonista Guinga.

Paula é uma das poucas artistas brasileiras que se apresentou no programa "Later with Jools Holland" da BBC-TV Londres, na noite em que estiveram também Ludacris, Sean Paul e Amy Winehouse.

Na TV, participou das minisséries globais "Aquarela do Brasil" (dublê de voz de Maria Fernanda Cândido), "Chiquinha Gonzaga" (atriz e cantora), Maysa (atriz e cantora), Casa das Sete Mulheres (trilha), Ana Raio e Zé Trovão (tema de abertura juntamente com Sagrado Coração da Terra).

“Fico feliz sempre que ouço minhas músicas interpretadas com liberdade, acima de tudo, e muito talento. Bravo”, diz Edu Lobo.

"Paula Santoro, na minha opinião, é uma das maiores intérpretes do Brasil. Sua voz soa suave quando preciso, mas pode cortar o espaço com firmeza, clareza e também poesia, dependendo do estilo da música,” conclui Toninho Horta.

Show Sumaúma

Local: Centro Cultural Unimed BH-Minas.

Dia: 06 de maio

Horário: 21h

Ingresso:

60 inteira

30 meia

https://www.eventim.com.br/event/paula-santoro-sumauma-centro-cultural-unimed-bh-minas-16800009/

 Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Paula Santoro lança terceiro single que vem acompanhado de clipe

Foto: Divulgação
Single exalta a força de cada um/a de nós para transformar o mundo.

Ouça aqui “Coisa mais maior de grande” https://ffm.to/coisa_mais_maior_de_grande

A música “Coisa mais maior de grande” (Gonzaguinha) é o terceiro single do novo álbum da cantora mineira Paula Santoro chamado “Sumaúma”, já em todas as plataformas digitais.

“Coisa mais maior de grande” é canção necessária para um momento de transformação político-sócio-econômica, como agora. A música tem arranjo e piano de Rafael Vernet (também produtor do disco) que trouxe a sonoridade do congado mineiro para a faixa, com a participação de Maurício Tizumba no tambor.

O clipe de “Coisa mais maior de grande” foi dirigido por Túlio Cipó e Patrícia Menezes. No vídeo Paula se “veste” da obra do artista plástico Advanio Lessa.

O primeiro single “Yê Melê” (Luis Carlos Vinhas e Chico Feitosa) - tema afro que já foi gravado por Sérgio Mendes, Elis e Bethânia nos anos 60, já está disponível em todas as plataformas. E o segundo também: “Sassaô” - letra e música de João Bosco com participação dele.

Em ‘Sumaúma’, Paula Santoro dá voz tanto a canções leves e solares como também a outras densas e profundas. O álbum tem participação de compositores como Arthur Verocai, e João Donato e recria, de forma contemporânea, a sonoridade dos anos 70.

Paula Santoro nasceu em Belo Horizonte. Ela traz suas raízes em sua música, que tem grande influência do Clube da Esquina. Além dos seis álbuns solo já lançados, sua discografia inclui colaborações em gravações de Guinga, Arthur Verocai, Mário Adnet (álbum indicado ao Grammy Latino), Bianca Gismonti, Eduardo Neves e outros.

Coisa mais maior de grande (Gonzaguinha)

Enquanto eu acreditar que a pessoa é a coisa mais maior de grande

Porque que na sua riqueza, revoluciona, ensina

Pois pelas aulas do tempo se aprende revolta por cima

Eu vou cantar... Por aí

Eu vou cantar... Por aí

Bonito é que gente é sempre assim tão diferente de gente

Assim como a voz que ecoa não é mais daquele que grita

E essa beleza, na dessemelhança, me aguça a cabeça, me agita

Eu vou cantar... Por aí

Eu vou cantar... Por aí

Que nada se repete sob o sol

O movimento da vida não deixa que a vida seja sempre igual

Nada se repete, sob o sol

Pois nada se repete, nem o sol

Eu vou cantar... Por aí

Eu vou cantar... Por aí

Arranjo: Rafael Vernet

Piano: Rafael Vernet

Contrabaixo acústico: Frederico Heliodoro

Tambor de congado: Maurício Tizumba

Caixa: Felipe Continentino

Coro: Cláudia Assunção, Ernani Maletta, Francesca Della Mônica, Gui Hargreaves, Marcinho Sant'Anna, Maurício Tizumba, Paula Santoro.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Paula Santoro manda um alô

 A cantora Paula Santoro manda um alô exclusivo aos nossos leitores...

Agradecimento especial: Ana Paula Romeiro e Paula Santoro

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Paula Santoro lança single unindo Brasil e África

João Bosco participa do novo trabalho
Foto: Divulgação
Ouça aqui “Sassaô”: https://ffm.to/sassao

A música “Sassaô” é o segundo single do novo álbum da cantora mineira Paula Santoro chamado “Sumaúma”, já em todas as plataformas digitais.

Foi escolhida para o álbum após o produtor musical - Rafael Vernet - e a cantora ouvirem dezenas de canções de João Bosco. Inclusive, esta tem letra e música dele - coisa rara na sua obra.

O arranjo de Rafael trouxe um groove mais africano, bem diferente do original. E a música foi se transformando no estúdio, com a participação de João e de grandes músicos: Rafael Vernet (arranjo, piano e Fender Rhodes), Guto Wirtti (baixo) e Armando Marçal (percussão).

A canção faz uma homenagem à vanguardista Chiquinha Gonzaga quando cita: “me dano porque corto a jaca na banda”, pois o “corta-jaca” foi considerado obsceno, na época.

“Foi uma alegria imensa gravar “Sassaô” e ainda contar com a participação especial do João Bosco (sonho antigo). Sou muito fã dele! E os músicos - que são geniais - fizeram uma base incrível e muito suingada. Brasil e África no mesmo som", conta Paula Santoro.

O primeiro single “Yê Melê” (Luis Carlos Vinhas e Chico Feitosa) - tema afro que já foi gravado por Sérgio Mendes, Elis e Bethânia nos anos 60, já está disponível em todas as plataformas.

Em ‘Sumaúma’, Paula dá voz tanto a canções leves e solares como também a outras densas e profundas. O álbum tem participação de compositores como Arthur Verocai, e João Donato e recria, de forma contemporânea, a sonoridade dos anos 70.

A cantora nasceu em Belo Horizonte. Traz suas raízes em sua música, que tem grande influência do Clube da Esquina. Além dos seis álbuns solo já lançados, sua discografia inclui colaborações em gravações de Guinga, Arthur Verocai, Mário Adnet (álbum indicado ao Grammy Latino), Bianca Gismonti, Eduardo Neves e outros.

Sassaô (João Bosco)   

Na Serra da Barriga eu ouço a sabiá

Me banho na Bacia do Recôncavo

Me dano porque corto a jaca na banda

Me ganham com perfume Cataratas do Amor

Menino (a) eu já plantei

Um pé de manacá

Pra gente ir lá sarrar

Sarrar e se abraçar

Cada bacana tem sua levada

Com a boca torta, o som

A batucada assanhou...

E a batucada vem-que-vem danada

Força da raça, o povo, na alvorada cantou:

É rosicler clarão na mata fechada

Bendito seja o pão e a graça que Deus dá