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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Projeto Empodeiradas e UERJ celebram sucesso

Foto: Divulgação
Além de toda atuação prática, o Programa Empoderadas da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, fez um trabalho paralelo de pesquisa para avaliar a situação das mulheres e famílias atendidas. E assim otimizar os resultados futuros

 O trabalho foi feito em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e apresentado na última sexta-feira (16) no auditório da Reitoria da UERJ.  No evento foram divulgados também a prestação de contas, o balanço das ações e as inovações adotadas pelo Empoderadas para o enfrentamento da violência contra as mulheres.

O trabalho de pesquisa do Empoderadas na UERJ foi coordenado pela professora doutora Rosangela Malachias, que também é líder do Afrodiásporas, Núcleo de Pesquisas sobre Mulheres Negras, Cultura Visual, Política e Educomunicação em Periferias Urbanas da UERJ. A equipe acompanhou todo o trabalho do Programa estadual em mais de 40 polos espalhados pelos municípios fluminenses. Os núcleos do Empoderadas oferecem esporte, rodas de conversa com psicólogos e capacitação profissional para as mulheres. 

O Empoderadas na prática

O Programa foi idealizado e desenvolvido pela atleta de MMA e jiu-jitsu Érica Paes. E utiliza a prática esportiva para criar um ambiente seguro de diálogo para mulheres, atuando na prevenção e no acolhimento de vítimas da violência.

As atendidas, quase sempre, se tornam alunas do Programa. Em alguns casos, quando necessitam de mais ajuda são orientadas e acompanhadas aos órgãos públicos responsáveis. O Empoderadas tem parceria com os Centros Integrados/Especializados de Atendimento às Mulheres (CIAM/CEAM), a Patrulha Maria da Penha e também com o Ministério Público do Rio.

A aluna que chega ao Empoderadas, muitas vezes, procura os ensinamentos do programa para se prevenir da violência ou aprender a identificar um agressor. O projeto é amplo e consegue atender não apenas as mulheres que passam ou passaram por agressões físicas e emocionais. Mas, também as que querem aprender mais sobre os tipos de violência contra a mulher. Assim, proporciona um empoderamento por meio do conhecimento. 

Pesquisa em campo

 Nestes doze meses, a Pesquisa Empoderadas UERJ acompanhou em campo as atividades dos polos, entrevistando coordenadoras, professores, voluntários e alunas. O trabalho possibilitou a equipe de pesquisa uma participação ativa e uma análise profunda sobre as dimensões, os fatores que geram e posteriormente, os resultados da violência. Desta forma, se estabeleceu um trabalho baseado não em reprodução de números e sim nas histórias, nas vivências que permitem a compreensão e uma visão detalhada da raiz do problema social que engloba a violência contra a mulher e a desigualdade de gênero. 

Outro ponto relevante é a influência do Programa na educação dos filhos das atendidas. Foi possível perceber uma evolução na educação em casa e a percepção de que meninos e meninas precisam ser tratados como iguais, sem “hábitos” instituídos pelo machismo estrutural que acaba por segregar funções e direitos dentro do dos lares.  

 Ao longo da pesquisa foram realizadas diversas ações. Entre elas, a Agenda 2030, no campus da UERJ, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, com oficinas divididas em duas etapas sobre Liberdade Financeira para mulheres. Além da criação de dois desafios-piloto nas escolas, em Anchieta e em Paquetá. 

As políticas públicas que envolvem o enfrentamento das situações de violência foram debatidas em encontros semanais da equipe, formando um grupo de estudos que aprofundou leituras e autores sobre o tema, discutiu metodologias, conceitos e estratégias de pesquisa. E também, a observação de como a Universidade se comporta diante de casos de violência e como isso se reflete na produção acadêmica.

 Academia e a ação governamental

As evidências científicas da pesquisa em campo foram apresentadas em congressos científicos no Brasil e até em Moçambique, ampliando o conhecimento sobre a realidade das violências e apresentando as soluções que o Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Programa Empoderadas, tem promovido.

As vivências da equipe no processo compõem um quadro analítico e crítico, não apenas sintomático, do ambiente sociocultural e econômico gerador e, muitas vezes, multiplicador das violências. O que exige não só do Poder Público respostas, mas de toda a sociedade.

“O fato da ação do Programa ter como ponto inicial uma iniciativa vinda da sociedade civil, criada por uma atleta com a liderança da Érica Paes, e que ganha mais apoio do governo tornando-se um Programa dentro de uma política pública, tem na UERJ uma parceria que indica caminhos promissores pela integração intersetorial”, avalia Malachias, coordenadora geral da pesquisa.

Outras estratégias

A ampliação do conhecimento sobre as políticas públicas de enfrentamento da violência contra as mulheres é fundamental para a inovação. E também aumentar a mobilização não só entre as mulheres, mas de toda sociedade sobre suas responsabilidades comunitárias. “É esse panorama das experiências que a pesquisa de caráter extensionista apresenta como contribuição técnico-científica”, concluiu Malachias.

A extensão universitária é um dos três pilares essenciais da universidade pública, como estímulo à contribuições para a qualificação acadêmica e profissional das pesquisadoras e pesquisadores, quanto para as políticas públicas implementadas: 

“É preciso um novo olhar para a prevenção. Apenas assim conseguiremos evitar os casos e o aumento dos números. Por isso, o Programa não apenas incentiva e orienta suas alunas a denunciar, mais dá a elas suporte e segurança para agir”, destaca Letícia Cruz, diretora de comunicação do programa Empoderadas.

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