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sexta-feira, 23 de maio de 2025

Bocaiúva inaugura exposição permanente sobre a família de Henfil, Betinho e Chico Mário

Foto: Divulgação 

Centro de Memória Casa Figueiredo Souza será lançado nesta sexta-feira (23) com mostra que une afeto, política e resistência e conta com patrocínio da Cemig através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.  Lançamento da exposição e da casa terá a Mostra Arte  Cidadania com intensa programação cultural até 25 de maio.

A cidade de Bocaiúva, no norte de Minas Gerais, será palco de um dos mais emocionantes projetos de memória do país, a exposição permanente “Balaio Mineiro – Memória de uma Família Brasileira”. O lançamento ocorre no dia 23 de maio de 2025, e é uma celebração da herança cultural, política e afetiva da família dos irmãos Henfil (Henrique de Souza Filho), Betinho (Herbert de Souza) e Chico Mário (Francisco Mário) – nomes emblemáticos da cultura e da cidadania brasileiras, filhos de Maria da Conceição. A exposição marca a inauguração do Centro de Memória Casa Figueiredo Souza, localizado no Complexo Cultural e Turístico Estação Ferroviária de Bocaiúva, e integra a primeira edição da Mostra Estação Arte Cidadania, que segue até 25 de maio com intensa programação cultural.

A exposição “Balaio Mineiro – Memória de uma Família Brasileira” é fruto de um cuidadoso trabalho de resgate histórico e afetivo, e é inspirada no livro homônimo de Wanda Figueiredo, uma das filhas de Dona Maria. Com 672 páginas, a obra mergulha nas experiências da família Figueiredo Souza, entrelaçando relatos íntimos, documentos e lembranças que atravessam os grandes eventos da história brasileira do século XX, como o golpe de 1964, o exílio, anistia, a redemocratização, a epidemia da Aids e a campanha contra a fome. A narrativa revela não apenas os feitos dos irmãos Henfil, Betinho e Chico Mário, mas também destaca a importância das mulheres da família, que sustentaram pilares e esculpiram os alicerces dos valores que caracterizam essa história. Também é inspiração para o projeto o livro “A Lista de Alice”, onde Betinho relembra a cidade da sua infância, e traz o conceito da Pequena e Grande Bocaiúva: “o fato é que onde exista uma pessoa nascida em Bocaiúva, define-se uma extensão territorial para além das fronteiras do município”. 

A exposição, idealizada por Regina Souza, neta de Dona Maria, nasce do acervo afetivo das mulheres da família, composto por cartas, fotos, documentos e objetos guardados por décadas. Regina, cantora, compositora, atriz e produtora, descreve a exposição como um reencontro da memória com o presente, um museu de afeto e um gesto político. “Esta casa é mais do que um espaço expositivo — É a história de uma, das muitas famílias brasileiras, que lutaram e ainda lutam pela liberdade, democracia e justiça social no país”, afirma ela.

O Espaço Onde Vive a Memória

A Casa Figueiredo Souza, que abriga a exposição, é uma casa anexa ao Complexo da Estação, cedida e restaurada pela Prefeitura Municipal de Bocaiúva. A expografia foi criada por Clarissa Neves e Paulo Waisberg a partir da proposta de Regina Souza, idealizadora do projeto, que também assina a direção artística e a curadoria da exposição. O trabalho contou com a colaboração de Yuri Ricardo, co-curador,  pesquisa histórica realizada por Regina, Yuri e Patrícia Lucchesi, e design de Cláudio Santos e Victor Reis. A produção da exposição é de Alexandre Tavera e Regina Souza. A mostra está organizada em cinco salas/núcleos temáticos, que conduzem o visitante por uma experiência sensorial e afetiva. Em “Pequena Bocaiúva”, as raízes da família Figueiredo Souza são recriadas por meio de elementos simbólicos que evocam memória e afeto: cortinas feitas de sacos de arroz, um ferro de brasa e outros objetos que remetem ao encontro entre Maria da Conceição Figueiredo e Henrique José de Souza, na Bocaiúva de 1923. A ambientação inclui ainda uma árvore genealógica, fotos e expositores que traçam a trajetória da família. A metáfora do “Ouro do Cerrado” — nome dado ao pequi, fruto típico do Norte de Minas e querido por gerações da família — traduz a riqueza cultural e afetiva que brota dessa história. Em “Três Irmãos de Sangue”, totens biográficos narram as trajetórias marcantes de Henfil, Betinho e Chico Mário. A sala retrata também a ditadura militar no Brasil, o exílio, anistia e o movimento Diretas Já . O “Cine Glória” homenageia o antigo cinema mudo de Bocaiúva, que teve como um dos fundadores o patriarca da família, Seu Henrique, com exibição do documentário Três Irmãos de Sangue e filmes sobre a família. 

Em “Cinco Filhas de Maria”, a força feminina é celebrada com armários dedicados a cada uma das filhas da matriarca, onde estão inscritos os nomes das filhas de Dona Maria, uma síntese de suas trajetórias, reafirmando as mulheres como a força inspiradora e formadora daquela casa. Na parede, a frase: “quem tem mãe, não tem medo”, que Henfil dizia no programa que fazia, o TV Homem, veiculado pela TV Globo na década de 80. “Mãe Coragem” apresenta o afeto e o trabalho de Dona Maria, em um ambiente íntimo e simbólico. Ali, um fogão a lenha e prateleiras que são ocupadas por potes de vidro iluminados com retratos. No fundo da parede, a receita do tradicional biscoito de farinha de Dona Maria — citado em várias cartas trocadas entre os familiares como símbolo de saudade e união — divide espaço com uma carta manuscrita de Betinho. “Essa cozinha representa a memória da comida e das conversas em volta da mesa, tão comuns na nossa história. E o biscoito de farinha, que é feito com polvilho e cará, é praticamente um personagem, um elo entre a Vovó, seus filhos e filhas”, conta Regina.

Essa exposição é também um grito contra o esquecimento, reforça a idealizadora. No livro, Wanda alerta sobre a invisibilidade das mulheres na própria história familiar: “Onde ficávamos nós, as irmãs dos famosos? Em lugar nenhum. Solenemente ignoradas. E, no entanto, as mulheres sempre haviam segurado a barra da família”. É com esse olhar que Regina constrói a exposição. “As mulheres tiveram um papel importantíssimo na história da família, a começar com a minha avó, que decidiu sair do interior de Minas, contra a vontade do meu avô, para que as filhas e filhos pudessem estudar, e os filhos, hemofílicos, pudessem ter os cuidados de saúde necessários, numa época em que não se tinha muita informação sobre essa doença. É importante que o nome de cada uma delas seja reconhecido na trama desse balaio.

Três Irmãos de Sangue: o legado político, artístico e humano de Henfil, Betinho e Chico Mário 

Henrique de Souza Filho, o Henfil, destacou-se como um dos mais influentes cartunistas brasileiros, utilizando o humor como ferramenta de crítica política, inclusive durante o regime militar. Jornalista, escritor, colaborador do jornal "O Pasquim", criou personagens emblemáticos como os fradinhos Baixim e Cumprido, a turma da Caatinga, com a Graúna, Bode Francisco Orelana, o Capitão Zeferino a Onça Glorinha, o Orelhão, Ubaldo o Paranóico e os personagens que representavam as torcidas de futebol, entre eles o Urubu, Bacalhau e Pó-de-Arroz.

Herbert de Souza, conhecido como Betinho, foi um sociólogo e ativista que se destacou por sua luta contra a fome e a miséria no Brasil. Foi um dos fundadores da AP (Ação Popular), militante da JUC, exilado político e virou símbolo da anistia, através da música “O bêbado e a equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, com o verso: “Meu Brasil, que sonha, com a volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu, num rabo de foguete”. Na volta do exílio, fundou o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) em 1980 e liderou várias campanhas. A "Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida", criada por ele na década de 1990, segue mobilizando a sociedade civil em prol da justiça social. Também criou a ABIA, a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, que atuou para que houvesse o controle dos bancos de sangue no país.

Francisco Mário, conhecido Chico Mário, foi um compositor e violonista que contribuiu significativamente para a música brasileira. Iniciou seus estudos musicais aos cinco anos e, ao longo de sua carreira, lançou cinco discos autorais, ganhou o Prêmio Chiquinha Gonzaga de melhor disco instrumental com “Conversa de Cordas, Couros, Palhetas e Metais.  Chico Mário foi um dos precursores da música independente no Brasil, e numa época em que o mercado da música era dominado pelas grandes gravadoras multinacionais, utilizou a venda antecipada para produzir seus álbuns, como o "Revolta dos Palhaços" em 1980. Ele também desenvolveu o "Método Musical por Cores para Crianças", uma abordagem inovadora para o ensino musical para a época, que depois foi utilizado por grandes marcas de brinquedos.

Os três irmãos, todos hemofílicos, contraíram o vírus HIV em transfusões de sangue e faleceram em decorrência da AIDS: Henfil em 1988, Chico Mário no mesmo ano e Betinho em 1997. Suas trajetórias, marcadas por talento, coragem e compromisso social, continuam a inspirar gerações. 

As Mulheres do Balaio: As Guardiãs da Memória Brasileira 

Na história da família Figueiredo Souza, as mulheres desempenharam papéis fundamentais que, embora muitas vezes eclipsados pela fama de seus irmãos, foram essenciais para a formação dos valores humanitários e culturais que marcaram a trajetória familiar. 

Zilah, foi militante ativa da Ação Católica, e a responsável por levar Betinho para o movimento que influenciou sua formação política.  Participou da Pastoral de Direitos Humanos da Igreja do Carmo, em Belo Horizonte, da frente de Defesa da dos Direitos da Criança de do Adolescente e do Movimento Feminino da Anistia Internacional. Zilah dá nome a importantes espaços em Belo Horizonte, em reconhecimento à sua atuação na defesa dos direitos humanos: o Conjunto Zilah Spósito, no bairro Jacqueline, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Zilah Spósito, localizado na Igreja do Carmo, e a Rua Zilah Spósito, na região Norte da capital. 

Filomena, carinhosamente chamada de Filó, dedicou-se à fotografia, registrando momentos íntimos e cotidianos que hoje são preciosos documentos históricos da vida familiar. Foi revisora do livro “Balaio Mineiro” e atualmente dedica-se ao cuidado da irmã mais velha, Maria Cândida, com 99 anos. Tanda, como é chamada, teve atuação destacada na área social e comunitária. Foi coordenadora de pastorais e do Comitê da Ação da Cidadania da Igreja do Carmo, em Belo Horizonte.

Wanda Figueiredo, jornalista, assistente social e escritora, destacou-se como uma das precursoras da crônica autobiográfica no Brasil, utilizando sua escrita sem pontuação, que causou grande reboliço na literatura, na década de 70, com seus livros Aqui São Paulo, Aqui Rio e Aqui Canoa Quebrada. Para narrar a história da família em seu livro “Balaio Mineiro — Memória de uma Família Brasileira”, Wanda assumiu o tom de uma narrativa documental e poética. 

Maria da Glória, conhecida como Glorinha, possui uma formação diversa, em cursos como sociologia, história, moda, turismo e hoje, aos 85 anos, formou-se em direito. Atua como voluntária em diversos movimentos, principalmente na Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida. 

Por trás de toda essa história, a matriarca, Maria da Conceição Figueiredo Souza, que com sua força, cuidado e dedicação sustentou a família e transmitiu valores que seriam fundamentais para a formação ética de seus filhos e filhas. A exposição “Balaio Mineiro” reconhece e celebra essas mulheres como pilares da memória e da identidade brasileira, destacando suas contribuições muitas vezes esquecidas na história oficial. Maria completaria 119 anos exatamente na data de estreia da exposição, 23 de maio. O gesto é mais que simbólico — é a consagração de uma história que atravessa o século XX e que ajudou a escrever páginas essenciais da democracia, da cultura e da cidadania brasileiras. 

Bocaiúva em Cena: Uma estação para artes, ideias e transformação social

Durante os dias da Mostra Estação Arte Cidadania, o Complexo da Estação Ferroviária de Bocaiúva também será tomado por uma programação cultural diversa, com oficinas, shows, teatro, exibições de filmes, a instalação da Livraria da Estação e Feira Artesanato e Gastronomia.

Chico Pelúcio (Grupo Galpão - BH) ministrará oficina sobre jogo cênico; Márcia Charnizon (BH) falará sobre fotografia e redes sociais; e Marcos Souza (RJ), filho de Chico Mário, conduzirá uma oficina de trilha sonora para audiovisual. O Cine Glória, instalado na própria casa da família, irá exibir filmes como “Três Irmãos de Sangue” e a “A Zeropeia”, entre outros. Patrícia Lucchesi e Tiago Teixeira, doutora e doutor em Filosofia, farão uma palestra inspirada no livro “Ética e Cidadania”, de Betinho. Regina Souza, Maria da Glória, Filomena, Marcos Souza e Ivan Souza fazem uma roda de conversa sobre o livro Balaio Mineiro e histórias da família. Na música, show “Laura Catarina Canta Vander Lee” (BH) e “A outra banda da lua” e “Samba na Origem” com Jukita Queiroz, ambos de Montes Claros/MG.  No teatro o Grupo Cantaqui Contaculá fará a estreia do espetáculo infantil “A Zeropeia”, inspirado no texto de Herbert de Souza, e Cia. de Cá apresenta o espetáculo “Vivenças”, os dois grupos de Montes Claros. Haverá também apresentações de música e dança do Ponto de Cultura de Bocaiúva, Acomsol. E para a abertura do evento, o “Terno de Catopê Nossa Senhora do Rosário” e o grupo “Amigos em Seresta”, ambos de Bocaiúva.

“Esse centro de memória é o intercâmbio da Pequena Bocaiúva com a Grande Bocaiúva, e é também uma casa com um coração aberto, um convite para todos que querem fazer da memória um caminho para a cidadania”, afirma Regina.

Mais do que uma homenagem, “Balaio Mineiro” é um dispositivo de educação, identidade e transformação social. É um convite à reflexão sobre a memória como prática viva e política. Assim como existe a Casa de Juscelino em Diamantina, o Museu Casa Guimarães Rosa em Cordisburgo e a Casa de Drummond em Itabira, Bocaiúva agora também entra no mapa nacional da cultura com o Centro de Memória Casa Figueiredo Souza.

A exposição “Balaio Mineiro – Memória de uma Família Brasileira” estará aberta para visitação com entrada gratuita a partir desta sexta-feira (23), data de sua inauguração oficial em Bocaiúva. Após esse lançamento, a Casa Figueiredo Souza funcionará como um espaço de memória viva, com uma programação contínua que irá incluir oficinas, encontros literários, apresentações artísticas e atividades educativas, reforçando seu papel como um centro cultural permanente e pulsante no norte de Minas Gerais.

Programação 23, 24 e 25 de Maio 2025 

Dia 23/05 (Sexta-feira)

● 19h - Apresentação do Terno dos Catopês Nossa Senhora do Rosário e São Benedito (Bocaiúva/MG).

● 20h - Solenidade de abertura da Mostra Estação Arte Cidadania de Bocaiúva com inauguração do Centro de Memória Casa Figueiredo Souza e a exposição “Balaio Mineiro, memória de uma família brasileira”.

● 21h - Apresentação do Grupo Amigos em Seresta (Bocaiúva/MG). 

● Abertura da Livraria da Estação:

Um espaço dedicado à produção literária da família Figueiredo Souza. Em destaque, o livro Balaio Mineiro — Memória de uma Família Brasileira, de Wanda Figueiredo; o recém-lançado Autista aos 54, de Lufa (Luiz Fernando Souza Spósito, sobrinho de Wanda); Atrás do Biombo — Conversando com Chico Mário, de Nívia Souza, viúva do compositor Francisco Mário; além de títulos de Henfil e publicações da Ação da Cidadania.

● Abertura da Feira de Artesanato e Gastronomia:

Reunindo expositores locais, a feira promove a economia criativa e valoriza as tradições da região.

Dia 24/05 (Sábado)

● 9h às 12h - Oficina: Retratando quem? Pensamento e criação de imagens nas mídias sociais– Com a fotógrafa Márcia Charnizon (Belo Horizonte/MG).

● 9h às 12h - Oficina: A música como linguagem audiovisual – Com Marcos Souza, compositor de trilha sonora para cinema (Rio de Janeiro/RJ).

● 13h às 16h - Oficina: O jogo como fundamento – Com Chico Pelúcio, ator, diretor e um dos fundadores do Grupo Galpão (Belo Horizonte/MG).

● 16h - Palestra: Ética e Cidadania – um diálogo com Betinho, com Patrícia Lucchesi, doutora em Filosofia Antiga pela UFMG e Thiago Teixeira, doutor em Filosofia pela PUC Minas (BH). Inspirada no livro Ética e Cidadania, do sociólogo Herbert de Souza, a palestra propõe uma reflexão histórico-filosófica sobre os valores éticos e o exercício da cidadania. 

● 18h - Teatro infantil: Grupo Cantaqui Contaculá, com estreia do musical “A Zeropeia”, inspirado no livro de Herbert de Souza e músicas originais do CD “A Zeropeia (Montes Claros/MG).

● 19h - Apresentação de dança e música do Ponto de Cultura Acomsol (Bocaiúva/MG).

● 20h - Show: Samba na Origem, com Jukita Queiroz (Montes Claros/MG).

● Exibição permanente de filmes no Cine Glória, uma das salas do Centro de Memória Casa Figueiredo Souza, entre eles, o documentário “Três Irmãos de Sangue” (direção de Angela Patrícia Reiniger) e a animação “A Zeropeia”, uma história de Herbert de Souza, o Betinho (direção de Rodrigo Ribeiro Guimarães).

Dia 25/05 (Domingo)

● 9h às 12h – Oficina: Retratando quem? Pensamento e criação de imagens nas mídias sociais– Com a fotógrafa Márcia Charnizon (Belo Horizonte/MG).

● 9h às 12h - Oficina: Trilha Sonora para audiovisual – Com o compositor Marcos Souza, (Rio de Janeiro/RJ).

● 13h às 16h - Oficina: Teatro, o jogo como fundamento – Com Chico Pelúcio, ator, diretor e um dos fundadores do Grupo Galpão (Belo Horizonte/MG).

● 17h - Roda de conversa com Regina Souza, idealizadora da Exposição Balaio Mineiro e da Mostra Estação Arte Cidadania, Maria da Glória e Filomena, filhas de Dona Maria, Marcos Souza, filho de Chico Mário e Ivan Souza, filho de Henfil.

● 18h - Show: Laura Catarina Canta Vander Lee (Belo Horizonte, MG).

● 19h- Teatro: Cia. de Cá com o espetáculo “Vivenças” (Montes Claros/MG).

● 20h– Show: A Outra Banda da Lua (Montes Claros, MG).

Cemig: a energia da cultura

A Cemig é a maior incentivadora de cultura em Minas Gerais e uma das maiores do país. Ao longo de sua história, a empresa reforça o seu compromisso em apoiar as expressões artísticas existentes no estado, de maneira a abraçar a cultura do estado em toda a sua diversidade. Além de fortalecer e potencializar as diferentes formas de produção artística, a Cemig se apresenta, também, como uma das grandes responsáveis por atuar na preservação do patrimônio material e imaterial, da memória e da identidade do povo minero. Os projetos patrocinados pela companhia, por meio de Lei Estadual e/ou Federal de Incentivo à Cultura, têm por objetivo beneficiar o maior número de pessoas, nas diferentes regiões do estado, promovendo a democratização do acesso às práticas artísticas. Assim, investir, incentivar e impulsionar o crescimento do setor cultural em Minas Gerais reflete o posicionamento da Cemig em transformar vidas com a sua energia.

Mostra Estação Arte Cidadania, de 23 a 25 de maio / Exposição Permanente “Balaio Mineiro – Memória de uma Família Brasileira”

Local: Casa Figueiredo Souza – Complexo Cultural e Turístico Estação Ferroviária, Bocaiúva (MG)

Inauguração: 23 de maio de 2025

Horário: 19h

Entrada gratuita

Instagram: mostra.estacaoartecidadania e casa.figueiredosouza

Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

quinta-feira, 8 de maio de 2025

“Clássico Sobre Rodas” leva carros antigos e programação cultural à Nova Lima

Foto: Divulgação

Evento gratuito será realizado no Centro de Memória da AngloGold Ashanti e deve reunir 500 visitantes

No domingo (18), das 10h às 16h, o Centro de Memória da AngloGold Ashanti, em Nova Lima, recebe o evento “Clássico Sobre Rodas”, uma celebração aberta ao público que promete reunir apaixonados por carros antigos, história e cultura em um só lugar. Na área externa da unidade, o público poderá apreciar de 30 a 40 veículos antigos, com modelos clássicos nacionais e importados, representando diferentes décadas e estilos. 

Com entrada gratuita e previsão de receber até 500 visitantes ao longo do dia, o evento tem como proposta valorizar o antigomobilismo como patrimônio cultural material e imaterial, promovendo o encontro de colecionadores e fortalecendo o diálogo com a memória local.  

Haverá apresentações musicais ao vivo ao longo do dia: das 10h às 12h, Léo da Viola interpretará sucessos do pop e do rock nacional; e das 13h30 às 15h30, a Banda Lobo Temporal se apresentará com um repertório de pop/rock. 

Segundo o superintendente do Instituto AngloGold Ashanti, Diego Pereira, o evento reforça o compromisso da empresa com a valorização da cultura e da memória, além de posicionar o Centro de Memória como um importante espaço de convivência e preservação histórica aberto à comunidade.  

Além da exposição, o evento contará com visitas mediadas ao interior do Centro de Memória (com agendamento no local e vagas limitadas por grupo) e um espaço instagramável com mobiliário de época para registros fotográficos em clima retrô.  

 A programação é uma iniciativa do Instituto AngloGold Ashanti, em parceria com a Prefeitura de Nova Lima, por meio do Departamento Municipal de Turismo, e conta ainda com o apoio da Confraria Antigomobilista de Nova Lima. 

Clássico Sobre Rodas 

Local: Centro de Memória da AngloGold Ashanti 

Endereço: Rua Direita, s/n – Centro – Nova Lima/MG 

Data:  18 de maio (domingo) 

Horário: Das 10h às 16h 

Entrada gratuita 

Sobre o Instituto AngloGold Ashanti 

É a frente social da AngloGold Ashanti Brasil, responsável por coordenar e potencializar as ações de investimento social da empresa, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e o bem-estar das comunidades onde atua. Ao longo de 2025, R$ 13 milhões serão direcionados a iniciativas que promovam a cultura, o meio ambiente, o desenvolvimento social e a diversificação econômica, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas. O propósito do Instituto é impulsionar o crescimento humano e social, construindo um legado sólido e duradouro para as futuras gerações. 

Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

sábado, 3 de agosto de 2024

Da Ghama lança single 'Vem Nega' nas plataformas digitais

Foto: Divulgação 


Música faz parte do álbum 'Sinal de Paz', com lançamento previsto para este semestre

O cantor Da Ghama, fundador e ex-guitarrista do Cidade Negra, lançou a faixa ‘Vem Nega’ na última sexta-feira (2). A música já está disponível nas plataformas digitais.  

O single faz parte do pré-lançamento do álbum ‘Sinal de Paz’, terceiro projeto solo do artista, que tem previsão de estreia ainda para o segundo semestre deste ano. 

Com composição de Vell Rangel, que faz parte do movimento reggae Rio, a letra é interpretada por Da Ghama e celebra o amor em plenitude. Em seu álbum “BaixAfrikaBrasil” (2017),  o cantor chegou a lançar a música, mas não trabalhou com ela na época. Com os lançamentos digitais e a volta dela no novo disco, a intenção é outra.  

“Escrita pelo meu amigo, ‘Vem Nega’ é uma composição de 2004, que tem como inspiração a paixão de uma amiga. Com a sintonia que eles tinham, Vell conseguiu transmitir uma essência de leveza na poesia, com arranjos em destaque para o metal e backing vocal. Neste álbum, que traz uma mensagem ‘paz e amor’ de verdade, de fato em homenagem ao esprírito do reggae, quero trabalhar com mais afinco entre os principais singles do disco”, revela Da Ghama. 

A canção, que ganha espaço nas plataformas digitais como Spotify, Apple Music, Deezer e outros, em junho deste ano, ganhou sua versão lyricvideo no Youtube, dirigida por Renan Rocha. 

Para o músico, a iniciativa foi para presentear os casais e os apaixonados no mês do amor. “A obra tem uma letra maravilhosa e linda, ainda em conjunto com imagens que traduzem isso. Queríamos que os casais curtissem”, afirma.

 Em fevereiro deste ano, lançou o “Reggae do Avião”, com Evandro Mesquita, da banda Blitz, nos vocais junto com ele, e instrumental dos integrantes do Planta & Raiz. A música também faz parte do ‘Sinal de Paz’ e pode ser conferida nos perfis do artista nas plataformas online.  

Sobre o Da Ghama 

De Belford Roxo, no Rio de Janeiro,  construiu sua carreira como compositor, cantor, guitarrista e produtor musical. O músico ganhou destaque na cena musical como fundador e guitarrista da banda de reggae Cidade Negra, nos anos 90. Ao lado do grupo, trilhou um  caminho de sucesso e muitas contribuições com artistas de renome por 22 anos. 

Com 35 anos de carreira, morando agora em Itanhaém, no Litoral de São Paulo, Da Ghama segue como artista solo. Com dois álbuns já lançados, “Violas e Canções” (2010) e “BaixaAfrikaBrasil” (2017),   trabalha em seu novo disco “Sinal de Paz”. O artista também comanda sua produtora Reggae Brasil Produções Artísticas.  

terça-feira, 16 de julho de 2024

Flavia Renault abre "Roda das Deidades", primeira exposição individual na capital mineira

Foto: Divulgação 
Trabalhos inéditos trazem a influência religiosa da família e do Barroco Mineiro, levando o visitante a circular nesta roda feminina e divina

Flavia Renault apresenta a exposição individual 'Roda das Deidades', no Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, com curadoria de Paula Borghi, trazendo sete peças em escala humana, realizadas com algodão cru e gavetas antigas de madeira, ao lado de outras obras, mostrando uma influência fortemente religiosa e do Barroco Mineiro, expressões que marcam a exposição e sua pesquisa como um todo.

A deidade é a fonte de tudo aquilo que é divino. Sobre a escolha do título, ela explica: “É um roda de conversas, que pode ser tanto de seres invisíveis, de forças, como de mulheres, de Deusas. É também uma dança circular, algo que a gente vê em todas as culturas.” A instalação fica localizada no centro da sala expositiva, atuando tal qual um círculo sagrado comumente adotado em ritualísticas.

Em diálogo com essa grande instalação, apresenta-se também um conjunto de desenhos realizados a partir de documentos familiares e uma série de esculturas que se utilizam, sobretudo, de materiais como madeira, tecido e papel. Expondo principalmente trabalhos inéditos, produzidos entre os anos de 2022 e 2024, a curadora Paula Borghi comenta: “São trabalhos que conversam com o Barroco Mineiro e justamente por isso a espiritualidade é algo tão importante para a mostra. O que temos é uma discussão contemporânea sobre o tema, que vai desde uma missa católica, a uma conversação filosófica goetheana e um sabbath das bruxas”.    

Contemplada no Projeto Galerias – Artes Visuais da UFMG, Roda da Deidades é a primeira individual da artista na capital mineira, território tão importante para sua formação artística e pessoal.

Sobre Flavia Renault

É graduada em Artes Plásticas pela FAAP. Logo após a graduação deu a volta por terra pelo Brasil com o Projeto Contorno, resultando em dois livros incentivados pela Lei Rouanet, em 1999. Partindo de questões existencialistas, com ocorrências metafóricas do conceito de renascimento, sua obra é marcada por uma característica cíclica. Pela revisitação de memórias pessoais, familiares e até mesmo ficcionais, seu trabalho comumente apresenta resíduos encontrados e objetos colecionados. Das exposições mais recentes, vale destacar a individual Arquipélago no Centro Cultural Correios de São Paulo - 2023 e as coletivas Três Marias no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro - 2024 e Toda volta na Galeria Babel em São Paulo - 2023. Carioca de nascimento e residente em São Paulo desde a juventude, Flavia Renault vem de uma família mineira marcada por mulheres artistas. Foi em Belo Horizonte que ela teve seu primeiro vínculo com as artes visuais e é nesta cidade que ela encontra uma segunda morada. 

Sobre Paula Borghi

É doutoranda e mestre em Artes Visuais na linha de História e Crítica de Arte pela UFRJ. Curadora independente, recentemente realizou exposições no Museu das Culturas Indígenas, Casa das Rosas, Biblioteca Mário de Andrade, Paço Imperial, Museus de Ribeirão Preto e Pinacoteca de São Bernardo do Campo. Foi curadora adjunta da 11ª Bienal do Mercosul.

Texto curatorial Roda das Deidades

Existem certas coisas que são fundamentais para a vida, por mais que aos olhos de outros sejam vistas como cacarecos sem a menor utilidade. Isso porque há uma certa “loucurinha lúcida” em colecionar determinados elementos,  acreditando que documentos antigos e burocráticos sejam capazes de serem transformados em trabalhos de cura. Tal como se vê nas figuras de ex-votos, imagens que estabelecem uma comunicação tangível com o divino e exercem um papel fundamental nas práticas religiosas e culturais ao longo dos séculos, a produção artística de Flavia Renault vai ao encontro deste lugar mágico dos objetos.

Trabalhando com uma diversidade de técnicas e materiais, muitas vezes os objetos presentes em sua produção se encontram na forma de amuletos (possuem uma carga mágica e um poder de proteção), heranças familiares (reestabelecem conexões com o passado), coletas (demarcam os lastros da vida) e regalos (celebram a identificação do outro para com nós mesmos) entre outros. Todavia, o que eles têm em comum é o fato de serem como tesouros para a artista, como peças insubstituíveis que carregam a carga simbólica de toda uma vida.

Portanto, a compreensão da importância de cada uma das materialidades aqui presentes talvez seja o primeiro passo para se adentrar à individual de Flavia Renault, artista que trabalha com arte como quem monta um altar. Há uma reverência aos artefatos utilizados em seus trabalhos, pois eles são capazes de traduzir em imagem o jeito dela enxergar a vida, ao mesmo tempo em que apontam para aquilo que é próprio do invisível. Em outras palavras, acredita-se que o modo como a matéria por ela é trabalhada acarreta uma responsabilidade espiritual ao fazer artístico.

É por esta dimensão espiritual e subjetiva, própria da conexão da artista com cada elemento, que é traçado um mapa simbólico, afetivo e imaginativo para se percorrer a mostra. O chifre de boi é capaz de fazer uma conexão do céu com a terra, enquanto que seios simbolizam a fertilidade e o alimento primeiro; a vela ilumina os caminhos e detém o sopro da vida; o livro é o grande guardião da sabedoria e assim por diante. Cada objeto carrega um significado e uma forma de se vincular com as histórias de seus símbolos e da própria artista.

Não à toa, a primeira grande imagem que salta aos olhos ao se entrar no espaço expositivo é a de um círculo, um dos símbolos mais antigos e recorrentes na História da Humanidade. Trata-se de uma imagem cuja natureza e origem não são individuais e sim coletivas, nomeada pelo psicanalista analítico Carl G. Jung de símbolo arquétipo; a grosso modo, aquilo que detém muita numinosidade ou energia psíquica, impregnado de uma herança comum de padrões de comportamentos emocional e intelectual, manifestado há muitas e muitas gerações, como se expressasse um código universal.

Portanto o círculo, um símbolo arquétipo com um fundo psíquico comum à humanidade, cria uma relação direta com o ciclo da vida, como bem se nota em Roda das Deidades e a própria artista contextualiza: É uma roda de conversas, que pode ser tanto de seres invisíveis, de forças, como de mulheres, de Deusas. É também uma dança circular, algo que a gente vê em todas as culturas. Se poderia também mencionar que a montagem circular do trabalho estaria em relação a um sabbath das bruxas, uma ciranda popular, ao ato coletivo de formar um círculo com os corpos etc...  (...)

Paula Borghi

São Paulo, julho 2024


Exposição: Roda das Deidades

Artista: Flavia Renault

Curadoria: Paula Borghi

Assessoria de Imprensa: Paula Ramagem

Local: Centro Cultural UFMG 

Av. Santos Dumont, 174 - Centro – Belo Horizonte | MG

Abertura: 16/08/2024

Visitação: 16/08 a 22/09/2024

Dias e horários: terças a sextas: 9h às 20h | sábados, domingos e feriados: 9h às 17

Censura livre. 

Gratuito