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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Personagens femininas de Jorge Amado são tema do Sábados Feministas em BH

Foto: Divulgação 
Evento recebe o professor e crítico literário Eduardo de Assis Duarte, na AML, para o debate com entrada gratuita

Num universo literário povoado por personagens femininas fortes, sensuais, irreverentes e, acima de tudo, livres, o escritor baiano Jorge Amado criou figuras inesquecíveis da literatura brasileira – como Gabriela, Dona Flor, Tieta e Teresa Batista. É a partir do olhar atento e contemporâneo do professor e crítico literário Eduardo de Assis Duarte que essas mulheres serão revisitadas na próxima edição dos Sábados Feministas, que acontece em Agosto, no sábado (2), às 10h, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466 – Belo Horizonte). A entrada é gratuita, com abertura dos portões às 9h30.

Doutor em Letras, professor da UFMG e referência nacional em estudos sobre literatura e interseccionalidade, Eduardo de Assis Duarte lançou em 2024 o livro Narrador do Brasil: Jorge Amado, leitor de seu tempo e de seu país, no qual propõe uma leitura tridimensional da obra do autor – a partir da articulação entre gênero, classe e etnicidade. Para Duarte, “gênero, classe e etnicidade são onipresentes na obra de Jorge Amado, e isso até então estava pouco explorado”.

A partir dessa perspectiva crítica, o pesquisador se debruça sobre romances como Cacau, Suor, Jubiabá e Capitães da areia, sem perder de vista as célebres protagonistas femininas da fase mais conhecida do escritor. “Jorge Amado desde o começo volta sua escrita para a elevação das mulheres do povo”, afirma Duarte. “Construídas a partir do ímpeto utópico que faz do romance um apelo por um mundo melhor, suas personagens femininas são inscritas como heroínas sempre em busca da liberdade e da superação da subalternidade a elas prescrita pelo patriarcado”.

A leitura do autor baiano como um intelectual comprometido com as transformações sociais do país é aprofundada com base em teóricas como Simone de Beauvoir e Angela Davis. Duarte identifica em personagens como Gabriela a encarnação precoce de pautas feministas contemporâneas: “sujeito de seu corpo e de sua vontade, Gabriela põe em prática o mantra ‘meu corpo, minhas regras’ bem antes da pílula anticoncepcional se popularizar no país”, analisa.

O projeto Sábados Feministas é uma iniciativa da AML em parceria com o movimento Quem Ama Não Mata e acontece no âmbito do “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 248139)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura, e tem o patrocínio do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e setecentos médicos cooperados e colaboradores. O evento tem apoio do Esquina Santê.

SOBRE O CONVIDADO

Eduardo de Assis Duarte integra o Programa de Pós-graduação em Letras – Estudos Literários, da Faculdade de Letras da UFMG e o Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade – NEIA, dessa Instituição. É autor de Jorge Amado, romance em tempo de utopia (1996), Literatura, política, identidades (2005) e de Narrador do Brasil – Jorge Amado, leitor de seu tempo e de seu país (2024). Organizou, entre outros, de Machado de Assis afrodescendente (3ª ed., 2020); Literatura e Afrodescendência no Brasil – antologia crítica (4 vol., 2ª Reimpr., 2021); Literatura afro-brasileira – 100 autores do século XVIII ao XXI (2ª ed.,2019) e Literatura afro-brasileira – abordagens na sala de aula (2ª ed.,2019). Integra a Comissão Editorial do literafro – Portal da Literatura Afro-brasileira, com informações biobibliográficas, críticas e excertos de cerca de 230 autoras e autores afro-brasileiros.

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