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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Dia Mundial das Comunicações: o desafio de "ir e ver" em tempos de pandemia

 * Fernanda Ribeiro 

Ao utilizar terra, sangue de animais ou pigmentos de plantas os homens da pré-história se comunicavam. Desenhos e pinturas rupestres ficaram impregnadas em paredes de cavernas para outras pessoas interpretarem a mensagem proposta. 

As formas de comunicação mudaram, mas o desejo de se conectar com o outro sempre fez parte da vida humana. Auxiliadas pela tecnologia nos dias de hoje, as pessoas seguem se comunicando. Muitos profissionais se empenham e se especializaram em colaborar com esse processo. É o caso, por exemplo, da atividade jornalística. 

Produzir informações objetivas, imparciais, mantendo o compromisso com os fatos apurados, faz parte da essência da profissão. E na comunicação cristã não é diferente. Neste mês em que se celebra o Dia Mundial das Comunicações, os jornalistas têm uma missão: "ir e ver". O pedido faz parte da mensagem especial escrita pelo Papa Francisco em janeiro deste ano. No texto, o Pontífice aponta que "é necessário sair da presunção cômoda do "já sabido" e mover-se, ir ver, estar com as pessoas, ouvi-las, recolher as sugestões da realidade, que nunca deixará de nos surpreender em algum dos seus aspectos". 

Francisco chama a atenção com uma expressão já conhecida, afirmando que é preciso "gastar as solas dos sapatos" em prol da informação de qualidade. Ressalta que mesmo que a tecnologia seja uma ferramenta importante nesse processo, nada substitui a presença física. "Há mais de dois mil anos que uma corrente de encontros comunica o fascínio da aventura cristã. Por isso, o desafio que nos espera é o de comunicar, encontrando as pessoas onde estão e como são", conclui o Santo Padre. 

A tarefa é ainda maior quando as circunstâncias do dia a dia são colocadas em pauta. Em uma pandemia mundial, como alcançar tal objetivo? As palavras devidamente embasadas não representam desrespeito à segurança do profissional, muito menos às determinações das autoridades de saúde. São propósitos de vida para uma sociedade que necessita viver com mais segurança e intensidade, com base no que é real. 

O comunicador que trabalha com a verdade, tem esse compromisso consigo mesmo. No momento em que nem todos podem se fazer presentes, é preciso encontrar meios para exercer o trabalho da melhor forma possível. A colocação de Francisco também trata da adaptação, de sair do comodismo e fazer a diferença na arte de comunicar. Nada impede que o trabalho seja apurado com profissionalismo e que o texto, em áudio, vídeo ou impresso, seja um reflexo vivo das relações humanas. 

Ao citar São Paulo, o Papa exemplifica que "sua fé, esperança e caridade impressionaram os contemporâneos que o ouviram pregar" e que "mesmo onde não se podia encontrar pessoalmente este colaborador de Deus, o seu modo de viver em Cristo era testemunhado pelos discípulos que enviava" (1 Cor 4, 17). 

"Ir e ver" é, neste momento, uma questão de humanidade. Para aqueles que se empenham em encurtar as distâncias, o caminho é manter o mesmo ritmo na profissão. O que se espera é que, muito em breve, todos possam voltar a correr, de fato, atrás da notícia. 

* Fernanda Ribeiro é repórter do Telejornal Canção Nova Notícias 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Reflexão: O sacramento da presença

*Thúlio Fonseca 

Quando pensamos no tema educação, nos lembramos de grandes pedagogos, pensadores e estudiosos dos séculos passados, mas raramente associaremos este tema tão interessante a algum santo da Igreja Católica. Porém, com tamanha alegria, apresento para vocês uma referência neste assunto: São João Bosco, conhecido popularmente como Dom Bosco, um sacerdote italiano, que viveu no século XIX, fundador da Congregação Salesiana e canonizado em 1934 pelo Papa Pio XI. 

Dom Bosco enfrentou na cidade de Turim, localizada no norte da Itália, um grande desafio: formar e educar crianças, adolescentes e jovens, excluídos e explorados por uma sociedade oportunista, em plena Revolução Industrial, no qual a educação não era nem um pouco evidenciada, pelo contrário, estava sucumbida pela mão de obra barata e pelas cifras lucrativas dos ricos barões, donos de fábricas com turnos intermináveis e condições precárias de trabalho.

Em seu chamado vocacional, aquele pobre sacerdote de estatura baixa e de um coração gigantesco havia compreendido que seu campo de missão seria acolher aqueles meninos marginalizados, dar-lhes um lar digno, repleto de amor, capacitação profissional e, acima de tudo, uma espiritualidade pautada na misericórdia de Deus. E foi assim que, incansavelmente, Dom Bosco fez. Impulsionado pelo lema: "Da mihi animas cetera tolle", que significa "Dai-me almas e ficai com o resto", ele gastou toda a sua vida pela salvação dos jovens, principalmente dos pobres e abandonados. 

O santo dos jovens, como é popularmente conhecido, desbravou muitos campos, foi além do seu tempo, e como um visionário, também contribuiu muito no campo da educação, desenvolvendo métodos muito úteis ainda nos dias de hoje. Dom Bosco criou o Sistema Preventivo, que se opõe a todo e qualquer tipo de repreensão, e se baseia, sobretudo, na relação, onde o educador enxerga o aluno como um amigo, e este o vê como um benfeitor, que o aconselha e quer ajudá-lo a ser melhor. 

E dentro daquele cenário de exploração e agressão, que Dom Bosco via atingindo todos os dias seus jovens, percebeu que era necessário fazer algo com a finalidade de uma comunicação educativa válida, de modo que a linguagem do amor fosse indispensavelmente colocada em primeiro lugar. Não basta ao educador amar os jovens; isto é, não basta que os jovens sejam amados pelo educador, eles devem saber que são amados por ele. Esta é uma das intuições psicológicas e pedagógicas mais brilhantes criadas por Dom Bosco. 

E precisamente pela necessidade de "os jovens saberem que são amados", surge a importância de que o educador manifeste o seu amor, e isso se dá, inevitavelmente, por meio da presença. E Dom Bosco ensina que a melhor forma para que isso aconteça é compartilhar as alegrias com os jovens, viver em contato com eles, compreendê-los, tentar sintonizar-se com seus sentimentos, não pensar em esquemas mentais irreconciliáveis, mas compreender suas situações, dúvidas e necessidades. E para que o círculo educacional entre o educador e aluno se feche é preciso que haja familiaridade, confiança, amizade verdadeira, principalmente no pátio, ou seja, no contato informal, rejeitando então toda apatia e indiferença. 

Em nosso contexto atual podemos constatar que isso é verdadeiramente muito aplicável e funcional, e até percebemos, neste período em que vivemos, como a tecnologia pode ser uma ajuda interessante. As escolas e os centros de formação profissional não deixaram de ser eficazes, mesmo em meio aos desafios da pandemia. 

O ambiente digital tornou-se então uma forma de se comunicar e de estar presente. E também nos levou a enxergar como é tão necessária a relação humana. Que não é suficiente uma tela como um instrumento de aproximação, mas que é preciso, de fato, o encontro, o estar juntos, aprender e ensinar por meio do toque e do olhar, e assim, partilhar, alegrar-se, recolher lágrimas e deixarmo-nos tocar pela grandeza da relação e do afeto, pois ensina também Dom Bosco que "a educação é assunto do coração". 

Somos então convidados, principalmente por Dom Bosco, que liturgicamente celebramos sua memória no dia 31 de janeiro, a sermos os primeiros portadores do sacramento da presença em nosso coração. Mesmo que atualmente o ensino remoto seja uma saída eficaz, não podemos correr o risco de nos acostumar com a ausência das relações, no ambiente familiar e também no ambiente escolar. Deixemos que os ensinamentos deste santo tão atual, ilumine nossos passos e principalmente o futuro das novas gerações. São João Bosco, rogai por nós! 

*Thulio Fonseca é ex-aluno salesiano e missionário da Comunidade Canção Nova, atualmente na Frente de Missão em Roma - Itália.