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domingo, 9 de fevereiro de 2025

O Papa no Jubileu das Forças Armadas, Polícia e Segurança: o bem pode vencer


Em sua homilia, Francisco ressaltou que a presença das Forças Armadas, Polícia e Segurança "em nossas cidades e bairros, o modo como estão sempre do lado da legalidade e dos mais fracos, torna-se ensinamento para todos nós: ensina-nos que a justiça, a lealdade e a paixão cívica continuam sendo valores necessários hoje em dia. Ensina-nos que podemos criar um mundo mais humano, mais justo e mais fraterno, apesar das forças contrárias do mal".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

Neste domingo (9), foi celebrada a missa para o Jubileu das Forças Armadas, Polícia e Segurança, na Praça São Pedro, com a presença do Papa Francisco.

A missa foi celebrada pelo prefeito do Dicastério para os Bispos, cardeal Francis Prevost. Concelebraram o ordinário militar da Itália, dom Santo Marcianò, e o arcebispo de Vilnius, dom Gintaras Grušas, presidente do Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE). Cerca de 25 mil pessoas participaram da missa na Praça São Pedro. Mais de trezentos foram os concelebrantes, incluindo cardeais, bispos e sacerdotes.

Colocar em primeiro lugar o encontro com os outros

Em sua homilia, o Papa se deteve na atitude de Jesus no lago de Genesaré, descrita pelo evangelista Lucas com três verbos: ver, subir e sentar.

“Jesus não está preocupado em dar uma imagem de si mesmo às multidões, em executar uma tarefa, em seguir um cronograma; pelo contrário, coloca sempre em primeiro lugar o encontro com os outros, a relação, a preocupação com aqueles trabalhos e fracassos que muitas vezes sobrecarregam o coração e tiram a esperança.”

"Foi por isso que naquele dia Jesus viu, subiu e sentou-se", sublinhou o Papa.

Jesus viu. "Ele tem um olhar atento que lhe permite, mesmo no meio de tanta gente, avistar dois barcos atracados na margem e notar a desilusão no rosto daqueles pescadores, que, depois de uma noite que correu mal, lavam as redes vazias. Jesus dirige o seu olhar cheio de compaixão". "Não nos esqueçamos da compaixão de Deus. Das três atitudes de Deus: proximidade, compaixão e ternura. Não se esqueçam: Deus é próximo, Deus é terno e Deus é compassivo, sempre", frisou.

"Jesus olha com aquele olhar cheio de compaixão para os olhos daquelas pessoas, captando o seu desânimo, a frustração de terem trabalhado toda a noite sem apanhar nada, o sentimento de terem o coração vazio, tal como as redes que agora seguram nas mãos", ressaltou Francisco.

Jesus sobe na barca da nossa vida

A seguir, o Papa pediu desculpas por não continuar a leitura da homilia por causa da dificuldade de respirar, devido a uma bronquite que o acometeu nos últimos dias. Prosseguiu a leitura, o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, dom Diego Giovanni Ravelli, 

"Vendo o seu desânimo, Jesus subiu. Pede a Simão que afaste o barco da terra e sobe a bordo, entrando no espaço da vida de Pedro e abrindo caminho naquele fracasso que habita o seu coração. E isto é bonito":

“Jesus não se limita a observar as coisas que não correm bem, como nós fazemos muitas vezes, acabando por nos fecharmos em lamentos e amarguras. Em vez disso, Ele toma a iniciativa, vai ao encontro de Simão, detém-se com ele naquele momento difícil e decide subir na barca da sua vida, que naquela noite regressou à terra sem nenhum resultado.”

A esperança que renasce

"Por fim, tendo subido, Jesus sentou-se. Nos Evangelhos", disse o Papa, "esta é a postura típica do mestre, daquele que ensina. Efetivamente, o Evangelho diz que ele se sentou e ensinou. Depois de ter visto nos olhos e no coração daqueles pescadores a amargura de uma noite de trabalho em vão, Jesus sobe a bordo do barco para ensinar, isto é, para anunciar a boa nova, para levar luz àquela noite de desilusão, para narrar a beleza de Deus no meio das dificuldades da vida humana, para fazer sentir que, mesmo quando tudo parece perdido, ainda há esperança. E é aí que acontece o milagre: quando o Senhor sobe no barco da nossa vida trazendo-nos a boa nova do amor de Deus que sempre nos acompanha e sustenta, então a vida recomeça, a esperança renasce, o entusiasmo perdido retorna e podemos lançar de novo as redes ao mar".

"Irmãos e irmãs, esta palavra de esperança acompanha-nos hoje ao celebrarmos o Jubileu das Forças Armadas, Polícia e Segurança, a quem agradeço o serviço prestado, saudando todas as Autoridades presentes, as Associações e Academias Militares, bem como os Ordinários castrenses e os Capelães", disse Francisco, acrescentando:

“A vós está confiada uma grande missão, que abrange múltiplas dimensões da vida social e política: a defesa dos nossos países, o compromisso em prol da segurança, a guarda da legalidade e da justiça, a presença nas prisões, a luta contra a criminalidade e as diferentes formas de violência que ameaçam perturbar a paz social. E recordo ainda aqueles que prestam o seu importante serviço em situação de catástrofes naturais, na salvaguarda da criação, no resgate de vidas em alto mar, na defesa dos mais frágeis, na promoção da paz.”

Uma presença que é ensinamento para nós

"Também a vocês o Senhor pede para fazerem como Ele: ver, subir, sentar-se", disse ainda o Papa. "Ver, porque vocês são chamados a manter um olhar atento, capaz de captar as ameaças ao bem comum, os perigos que pairam sobre a vida dos cidadãos, os riscos ambientais, sociais e políticos a que estamos expostos", sublinhou o Francisco. "Subir, porque suas divisas, a disciplina que os forjou, a coragem que os distingue, o juramento que prestam, são coisas que os recordam o quanto é importante não só ver o mal, mas denunciá-lo, subir a bordo do barco que está numa tempestade e, com a missão a serviço do bem, da liberdade e da justiça, empenhar-se para que ele não afunde", acrescentou.

“E, por fim, sentar-se, porque a sua presença em nossas cidades e bairros, o modo como estão sempre do lado da legalidade e dos mais fracos, torna-se ensinamento para todos nós: ensina-nos que, apesar de tudo, o bem pode vencer. Ensina-nos que a justiça, a lealdade e a paixão cívica continuam sendo valores necessários hoje em dia. Ensina-nos que podemos criar um mundo mais humano, mais justo e mais fraterno, apesar das forças contrárias do mal.”

Capelães, presença de Cristo

O Pontífice recordou também os capelães, que são uma presença sacerdotal importante no meio dos militares. "Eles não servem – como por vezes e infelizmente aconteceu na história – para abençoar atos perversos de guerra. Não! Eles encontram-se no meio de vocês como a presença de Cristo, que quer acompanhar, ouvir e oferecer a vocês a sua proximidade, dar-lhes coragem" e apoio "na missão que desempenham todos os dias. Como apoio moral e espiritual, eles caminham com vocês, ajudando-os a realizar suas tarefas à luz do Evangelho e a serviço do bem".

Vigilantes contra a tentação de cultivar um espírito de guerra

Por fim, o Papa agradeceu aos militares pelo que fazem, "por vezes correndo riscos pessoais" e os exortou "a não perderem de vista o propósito de seu serviço e de suas ações: promover a vida, salvar a vida, defender sempre a vida".

“Por favor, peço-lhes que sejam vigilantes: vigilantes contra a tentação de cultivar um espírito de guerra; vigilantes para não deixarem se seduzir pelo mito da força e pelo rumor das armas; vigilantes para não serem contaminados pelo veneno da propaganda do ódio, que divide o mundo entre amigos a defender e inimigos a combater. Em vez disso, sejam testemunhas corajosas do amor de Deus Pai, que nos quer todos irmãos. Caminhemos juntos para construir uma nova era de paz, justiça e fraternidade.”

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Jesus revela o critério pelo qual seremos julgados: o amor

Foto: Vatican media


"Jesus revela o critério para julgar toda a história e o seu drama, e também a vida de cada um de nós. E qual é este critério? É o amor: quem ama vive, quem odeia morre. Isto é: Jesus é a salvação, Jesus é a luz e Jesus é o sinal de contradição".

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

Hoje o Evangelho da liturgia (Lc 2,22-40) nos fala de Maria e José que levam o menino Jesus ao Templo de Jerusalém. Segundo a Lei, eles o apresentam na morada de Deus, para recordar que a vida vem do Senhor. E enquanto a Sagrada Família cumpre aquilo que sempre se fazia no povo de Israel, de geração em geração, acontece algo que nunca havia acontecido antes.

Dois anciãos, Simeão e Ana, profetizam sobre Jesus: ambos louvam a Deus e falam do menino «a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém” (v. 38). Suas vozes comovidas ressoam entre as velhas pedras do Templo, anunciando o cumprimento das expectativas de Israel. Verdadeiramente Deus está presente no meio do seu povo: não porque habita entre quatro paredes, mas porque vive como homem entre os homens.  E esta novidade de Jesus...Na velhice de Simeão e Ana, acontece a novidade que muda a história do mundo.

Da sua parte, Maria e José «estavam admirados com o que diziam» a respeito de Jesus. De fato, quando Simeão toma o menino nos braços, o chama de três maneiras belíssimas, que merecem uma reflexão. Três modos, dá a ele três nomes. Jesus é a salvação; Jesus é a luz; Jesus é sinal de contradição.

Antes de tudo, Jesus é a salvação. Assim diz Simeão, rezando a Deus: «Meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos». Isso sempre nos maravilha: a salvação universal concentrada em um só! Sim, porque em Jesus habita toda a plenitude de Deus, do seu Amor.

Segundo aspecto: Jesus é «luz para iluminar as nações» (v. 32). Assim como o sol que surge sobre o mundo, este menino o resgatará das trevas do mal, da dor e da morte. Como precisamos, também hoje de luz, dessa luz!

Por fim, o menino abraçado por Simeão é sinal de contradição «assim serão revelados os pensamentos de muitos corações». Jesus revela o critério para julgar toda a história e o seu drama, e também a vida de cada um de nós. E qual é este critério? É o amor: quem ama vive, quem odeia morre. Isto é: Jesus é a salvação, Jesus é a luz e Jesus é o sinal de contradição.

Iluminados por este encontro com Jesus, podemos então nos perguntar: eu, tu, tu , tu ,eu, o que espero na minha vida? Qual é a minha grande esperança? Meu coração deseja ver a face do Senhor? Aguardo a manifestação do seu plano de salvação para a humanidade?

Rezemos juntos a Maria, mãe puríssima, para que nos acompanhe nas luzes e nas sombras da história, que nos acompanhe sempre ao encontro com o Senhor.

domingo, 26 de janeiro de 2025

Papa no Angelus: podemos saber tudo sobre Jesus, mas ainda assim não reconhecê-lo

Foto: Vatican media

Durante o Angelus deste domingo (26), o Papa Francisco destacou a importância de reconhecer Jesus como o Salvador que traz uma mensagem que ninguém mais pode nos dar. "Nós também somos chamados a nos questionar sobre sua identidade e missão em nossa vida", afirmou o Pontífice, convidando os fiéis a refletirem sobre a autoridade única de Cristo.

Vatican News

Neste domingo (26), o Papa Francisco, após presidir a missa na Basílica de São Pedro, também se encontrou com milhares de fiéis e peregrinos para a oração mariana do Angelus, na Praça São Pedro. Em sua reflexão, inspirada no Evangelho de Lucas, o Santo Padre recordou o momento em que Jesus, na sinagoga de Nazaré, leu a passagem do profeta Isaías e proclamou: “Hoje se cumpriu esta Escritura” (Lc 4,21), anunciando sua missão evangelizadora e libertadora enquanto Messias.

Francisco ressaltou o impacto dessa declaração entre os conterrâneos de Jesus, que, por conhecê-lo como "o filho do carpinteiro", não conseguiam aceitar sua identidade como o Cristo. "Eles pensavam conhecê-lo bem demais, e isso, ao invés de abrir suas mentes e corações, os bloqueava, como um véu que obscurece a luz", observou o Papa.

Reconhecer a mensagem de Jesus

O Papa destacou que essa atitude dos nazarenos ainda pode ser vista em nossos dias: "Também nós somos interpelados pelas palavras e pela presença de Jesus. Às vezes, pensamos que já o conhecemos, que não há nada de novo a descobrir, porque crescemos com Ele, no catecismo, na paróquia ou em um país de cultura cristã."

Segundo Francisco, esse senso de familiaridade pode nos impedir de reconhecer a singularidade de Cristo e sua mensagem. "Reconhecemos que Jesus traz uma mensagem de salvação que ninguém mais pode nos dar? Sentimos que, de algum modo, também somos pobres, prisioneiros, cegos e oprimidos, necessitados de sua graça?", questionou o Pontífice.

Ao concluir sua reflexão, o Papa confiou os fiéis à intercessão de Maria, Mãe de Deus, pedindo sua ajuda para redescobrir Jesus.

domingo, 12 de janeiro de 2025

Papa convida a festejarmos a data do Batismo como um novo aniversário


Imagens: Vatican media

Angelus, na Festa do Batismo de Jesus, o Papa Francisco voltou a insistir a que que recordemos a data do nosso Batismo, pois é a data em que nascemos no Espírito de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

A festa do Batismo de Jesus, que hoje celebramos, nos faz pensar em tantas coisas, também no nosso Batismo. Jesus, que se une ao seu povo para receber o Batismo para o perdão dos pecados.

Gosto de recordar as palavras de um hino da liturgia de hoje: Jesus vai para ser batizado por João “com a alma nua e os pés descalços”. A alma nua e os pés descalços.

E quando Jesus recebe o batismo se revela o Espírito: «Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer». O rosto e a voz. 

Primeiro de tudo, o rosto. Ao revelar-se Pai por meio do Filho, Deus estabelece um lugar privilegiado para entrar em diálogo e comunhão com a humanidade. É o rosto do Filho amado.

Em segundo lugar, a voz. Rosto e voz: «Tu és o meu Filho amado». Este é um outro sinal que acompanha a revelação de Jesus.

Queridos irmãos e irmãs, a festa de hoje nos faz contemplar o rosto e a voz de Deus, que se manifestam na humanidade de Jesus. E então, perguntemo-nos: nos sentimos amados? Eu me sinto amado e acompanhado por Deus ou penso que Ele esteja distante de mim? Somos capazes de reconhecer o seu rosto em Jesus e nos nossos irmãos? E somos habituados a ouvir a voz?

E eu vos faço uma pergunta: cada um de nós se lembra da data do seu Batismo? Isso é muito importante! Pense: em que dia fui batizado ou batizada? E se não me lembro, ao chegar em casa, perguntemos aos pais e padrinhos a data do Batismo. E festejar a data como um novo aniversário: a do nascimento precisamente no Espírito de Deus. Não se esqueçam! Esta é uma tarefa de casa: a data do meu Batismo.

Confiemo-nos à Virgem Maria, invocando a sua ajuda.

domingo, 5 de janeiro de 2025

Papa: o amor de Deus é poderoso, vamos dizer "sim" à vida

Foto: Vatican media

Sob garoa, diante de milhares de fiéis na Praça São Pedro, Francisco afirmou que o Ano jubilar nos pede para sermos mensageiros de esperança com simples, mas concretos “sins” à vida. "Façamo-lo todos: este é o caminho da salvação".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O primeiro capítulo de João (cfr Jo 1,1-18) inspirou a alocução do Papa Francisco no Angelus do domingo (5), o primeiro de 2025. Ao falar de Jesus, o Evangelho diz que "a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam". Isto é, recorda quanto é poderoso o amor de Deus, que não se deixa vencer por nada e que, para além de obstáculos e rejeições, continua a resplandecer e a iluminar o nosso caminho.

É o que vemos no Natal, quando o Filho de Deus, feito homem, supera muros e divisões. Enfrenta o fechamento da mente e do coração dos “grandes” do seu tempo, preocupados mais em defender o poder do que em buscar o Senhor. Compartilha a vida humilde de Maria e José, que o acolhem e crescem com amor, mas com as dificuldades de quem não tem meios. 

Diante destes e de tantos outros desafios, disse o Pontífice, Deus jamais desiste: encontra mil maneiras para chegar a todos e a cada um de nós onde quer que estejamos, sem cálculos nem condições, abrindo, mesmo nas janelas mais obscuras da humanidade, janelas de luz.

"É uma realidade que nos consola e que nos dá coragem, especialmente num tempo como o nosso, onde há tanta necessidade de luz, de esperança e de paz, onde os homens às vezes criam situações tão complicadas, que parece impossível sair delas. Hoje, a Palavra de Deus nos diz que não é assim: ou melhor, nos chama a imitar o Deus do amor, abrindo feixes de luz onde quer que possamos, com todos que encontramos, em todos os contextos: familiar, social, internacional" .

O convite de Deus, prosseguiu o Papa, é para não ter medo de fazer o primeiro passo, escancarando janelas luminosas de proximidade a quem sofre, de perdão, de compaixão e de reconciliação, para tornar o caminho mais claro, seguro e possível para todos.

"E este convite ressoa de modo especial no Ano jubilar há pouco iniciado, solicitando-nos a ser mensageiros de esperança com simples, mas concretos “sins” à vida, com escolhas que trazem vida. Façamo-lo todos: este é o caminho da salvação".

Aos fiéis presentes na Praça São Pedro, o Pontífice dirigiu alguns questionamentos: de que modo posso abrir uma janela de luz no meu ambiente e nas minhas relações? Onde posso ser um feixe que deixa passar o amor de Deus?

"Que Maria, estrela que guia a Jesus, nos ajude a ser para todos testemunhas luminosas do amor do Pai".

domingo, 29 de dezembro de 2024

O Papa: a escuta mútua é o que podemos aprender hoje com a Sagrada Família


 
“Sabeis por que a Sagrada Família de Nazaré é um modelo? Porque é uma família que dialoga, que conversa. O diálogo é o elemento mais importante para uma família! Uma família que não se comunica não pode ser uma família feliz”: disse Francisco no Angelus ao meio-dia deste domingo (29), festa da Sagrada Família

Raimundo de Lima – Vatican News

“Na família é mais importante ouvir do que entender”, disse Francisco no Angelus ao meio-dia deste domingo (29), festa da Sagrada Família, ao rezar a oração mariana com os fiéis peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Atendo-se à liturgia dominical, o Pontífice destacou que o Evangelho conta que Jesus, aos doze anos de idade, no final da peregrinação anual a Jerusalém, perdeu-se de Maria e José, que o encontraram no Templo discutindo com os doutores (Lc 2,41-52). O evangelista Lucas revela o estado de espírito de Maria, que pergunta a Jesus: “Meu Filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”. Jesus lhe respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”

O Papa frisou tratar-se da experiência de uma família que alterna entre momentos tranquilos e dramáticos. Parece a história de uma crise familiar de nossos dias, de um adolescente difícil e dois pais que não conseguem entendê-lo. Dito isso, o Santo Padre convidou-nos a olhar para essa família:

“Sabeis por que a Sagrada Família de Nazaré é um modelo? Porque é uma família que dialoga, que conversa. O diálogo é o elemento mais importante para uma família! Uma família que não se comunica não pode ser uma família feliz”.

É belo quando uma mãe não começa com uma reprovação, mas com uma pergunta. Maria não acusa nem julga, mas tenta entender por meio da escuta como acolher esse Filho que é tão diferente.

Apesar desse esforço, observou Francisco, o Evangelho diz que Maria e José “não compreenderam o que lhes dissera”, mostrando que na família é mais importante ouvir do que entender. Ouvir é dar importância ao outro, reconhecer seu direito de existir e pensar por si mesmo. Os filhos precisam disso.

Um momento privilegiado para o diálogo e a escuta na família é a hora das refeições. É bom estar juntos à mesa e conversar. Isso pode resolver muitos problemas e, acima de tudo, une as gerações: filhos conversando com os pais, netos conversando com os avós... Nunca ficar fechados em si mesmos ou, pior ainda, com a cabeça no celular. Conversar, ouvir uns aos outros, esse é o diálogo que é bom e que faz crescer!

A família de Jesus, Maria e José é santa, disse o Papa. “No entanto, vimos que até mesmo os pais de Jesus nem sempre o compreendiam. Podemos refletir sobre isso e não nos surpreender se, às vezes, acontecer conosco na família de não nos entendermos uns aos outros. Quando isso acontecer conosco, perguntemo-nos: temos ouvido uns aos outros? Lidamos com os problemas ouvindo uns aos outros ou nos fechamos em silêncio, ressentimento e orgulho? Reservamos tempo para o diálogo? “O que podemos aprender hoje com a Sagrada Família é a escuta mútua”, reiterou.

Francisco concluiu convidando-nos a confiarmos à Virgem Maria e pedindo a Nossa Senhora o dom da escuta para nossas famílias.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Papa: devemos nos maravilhar com o mistério da vida: “nenhuma criança é um erro”

Foto: Vatican media

Devido ao frio intenso, unido aos sintomas de um resfriado que se manifestaram nos últimos dias neste domingo, 22 de dezembro, o Papa Francisco conduziu a oração do Angelus na capela da Casa Santa Marta. Abençoou os "Bambinelli".

Silvonei José – Vatican News

“Sinto muito não estar na Praça com vocês, mas é preciso tomar precauções”. Foi o que disse o Papa Francisco, dirigindo-se aos fiéis presentes na Praça São Pedro, em relação ao seu estado de saúde, no início da alocução que precedeu a oração mariana do Angleus. “Estou melhorando”, garantiu o pontífice.

Devido ao frio intenso, unido aos sintomas de um resfriado que se manifestaram nos últimos dias neste domingo (22), o Papa Francisco conduziu a oração do Angelus na capela da Casa Santa Marta, também em vista dos compromissos da próxima semana, destacou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, em um comunicado divulgado na tarde deste sábado através do canal Telegram.

Francisco em seguida recordou que o Evangelho deste 4º domingo do Advento nos apresenta Maria que, após o anúncio do Anjo, visita Isabel, sua parente idosa, que também está esperando um filho. Trata-se, portanto, do encontro de duas mulheres felizes pelo extraordinário dom da maternidade: Maria acaba de conceber Jesus, o Salvador do mundo, e Isabel, apesar de sua idade avançada, carrega no ventre João, que preparará o caminho para o Messias

Francisco sublinhou que ambas as mulheres “têm muito com o que se alegrar, e talvez possamos senti-las distantes, protagonistas de milagres tão grandes, que normalmente não ocorrem em nossa experiência”. No entanto, a mensagem que o evangelista quer nos transmitir, poucos dias antes do Natal, é diferente. De fato, contemplar os sinais prodigiosos da ação salvífica de Deus não deve nos fazer sentir distantes d’Ele, mas nos ajudar a reconhecer a sua presença e o seu amor perto de nós, por exemplo, no dom de cada vida, de cada criança carregada no ventre pela sua mãe.

“Nenhuma criança é um erro” enfatizou o Papa, dizendo que leu isso no programa “A Sua imagem”. “Nenhuma criança é um erro, o dom da vida”.

O Santo Padre, olhando para a Praça disse que ali havia certamente mães com seus filhos, e talvez houvessem algumas que estejam “grávidas”.

“Por favor, não fiquemos indiferentes à presença delas, aprendamos a nos maravilhar com sua beleza e, como fizeram Isabel e Maria, a beleza das mulheres grávidas. Abençoemos as mães e louvemos a Deus pelo milagre da vida”.

“Eu gosto - disse Francisco, eu gostava, porque agora não posso fazer isso - quando, na outra diocese, eu costumava pegar o ônibus, quando uma mulher que estava esperando entrava no ônibus, imediatamente lhe davam um lugar para sentar: é um gesto de esperança e respeito”.

Nestes dias gostamos de criar uma atmosfera festiva com luzes, decorações e músicas natalinas. Lembremo-nos, porém, - continuou o Papa - de expressar sentimentos de alegria toda vez que encontrarmos uma mãe que leva seu filho nos braços ou no ventre. E quando isso acontecer, rezemos em nossos corações e também digamos, como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre!”; cantemos como Maria: “A minha alma engrandece o Senhor”, para que toda maternidade seja abençoada, e em cada mãe do mundo seja agradecido e exaltado o nome de Deus, que confia aos homens e às mulheres o poder de dar vida às crianças!

Em seguida o Papa disse que iria abençoar os “Bambinelli” (imagens do Menino Jesus) que as crianças trouxeram. “Eu trouxe o meu, afirmou o Papa apontando para a imagem de um Menino Jesus sobre a mesa. Este – confidenciou -, foi-me dado pelo arcebispo de Santa Fé; foi feito pelos aborígenes equatorianos”.

Podemos nos perguntar, então, continuou Francisco: agradeço ao Senhor porque Ele se tornou homem como nós, para compartilhar em tudo, exceto o pecado, a nossa existência? Eu O louvo e O abençoo por cada criança que nasce? Quando encontro uma mamãe grávida sou gentil? Apoio e defendo o valor sagrado da vida dos pequeninos desde sua concepção no ventre materno?

O Santo Padre concluiu pedindo que Maria, a Bendita entre todas as mulheres, nos torne capazes de sentir admiração e gratidão diante do mistério da vida que nasce.

domingo, 8 de dezembro de 2024

Papa: em tempo de guerras e seduções digitais, confiemos toda esperança a Deus

Foto: Vatican Media

No Angelus da Imaculada Conceição, o Papa se detém sobre o esforço de possuir e dominar, sobre a fome de dinheiro, sobre o desejo de ter “amigos poderosos”, os “falsos modelos brilhantes” que vêm da mídia e da internet: deem lugar à docilidade na misericórdia do Pai, como a Virgem fez com o seu “sim” ao Arcanjo Gabriel. “Hoje é um bom dia para decidir fazer uma boa Confissão”, acrescenta. “O Senhor perdoa tudo”.

Antonella Palermo - Vatican News

Maria colocou seu destino em boas mãos. Isso nos é lembrado pela catequese do Papa Francisco no Angelus deste domingo (8), de Solenidade da Imaculada Conceição, na iminência da abertura da Porta Santa do Jubileu. A origem periférica dessa moça humilde e desconhecida torna-se o centro de uma nova história. Até que ponto estamos dispostos, em uma época angustiada e sombria, a fazer como ela fez diante do Arcanjo Gabriel? Essa é a questão central que o Pontífice aborda hoje.

Desejo de domínio ou confiança na misericórdia de Deus?

A contemplação da cena narrada no início do Evangelho de Lucas - que o Papa recomenda reler, passando um pouco de tempo ali, porque “eu asseguro que lhes fará bem” - está sintonizada com os tempos atuais. O Sucessor de Pedro faz uma série de perguntas, como fez na homilia na missa celebrada pouco antes na Basílica de São Pedro. Mais uma vez, é o individualismo e o que vem com ele que preocupa o Papa:

Em nossa época, agitada por guerras e concentrada no esforço de possuir e dominar, eu, onde coloco a minha esperança? Na força, no dinheiro, nos amigos poderosos, ali coloco a minha esperança? Ou na infinita misericórdia de Deus? E diante dos modelos falsos brilhantes que circulam na mídia e na Internet, onde busco eu a minha felicidade? Onde está o tesouro do meu coração? Está no fato de que Deus me ama gratuitamente, que o seu amor me precede para sempre e está pronto para me perdoar quando volto arrependido para Ele? Naquela esperança filial no amor de Deus? Ou me iludo ao tentar afirmar a todo custo o meu eu e a minha vontade?

Em Maria, o encontro do humano e do divino

O humano e o divino se unem nessa pequena palavra dita por Maria. É “um instante abençoado”, enfatiza o Papa. Daquela atitude de uma mulher de Nazaré, dependia o destino de toda a humanidade.

Como na cena da criação de Adão, pintada por Michelangelo na Capela Sistina, em que o dedo do Pai celeste quase toca aquele do homem; também aqui o humano e o divino se encontram, no início da nossa Redenção, se encontram com uma delicadeza maravilhosa, no instante abençoado em que a Virgem Maria pronuncia o seu “sim”.

Reservar tempo para uma bela confissão

Por fim, o Papa marcou um encontro na Praça de Espanha neste domingo (08/12), onde irá, como de costume nesse dia de festa, prestar homenagem à estátua de Maria Imaculada, que se refere, ele nos lembra, àquele serviço da Palavra de Deus que cada um é chamado a renovar na vida cotidiana. Aqui Francisco acrescenta um conselho: “hoje é um belo dia para decidir fazer uma boa Confissão”. E lembra que o Senhor perdoa tudo e todos. Ele retorna à Virgem, que revela um mistério, um amor incondicional. 

Nela não há nada que resista à sua vontade, à vontade de Deus, nada que se oponha à verdade e à caridade. Eis a sua bem-aventurança, que todas as gerações cantarão. Alegremo-nos também nós porque a Imaculada nos deu Jesus, que é a nossa salvação!

domingo, 1 de dezembro de 2024

Papa: em meio às dificuldades, o Advento é uma oportunidade para renovar a esperança

Foto: Vatican media

"Se as preocupações sobrecarregam o coração e nos levam a nos fecharmos em nós mesmos, Jesus, ao contrário, nos convida a erguer a cabeça, a confiar em Seu amor que quer nos salvar e que se aproxima de nós em toda situação de nossa existência", foi a exortação do Papa Francisco em sua reflexão antes da oração mariana do Angelus deste I Domingo do Advento.

Thulio Fonseca - Vatican News

“O convite de Jesus é este: erguer a cabeça para o alto e manter o coração leve e vigilante”.

Foi o que recordou o Papa Francisco, durante a oração mariana do Angelus deste I Domingo do Advento (1 °), com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em sua reflexão, o Santo Padre, ao meditar sobre o evangelho proposto pela liturgia neste tempo em que a Igreja convida os fiéis a se prepararem para o Natal, destacou o convite de Jesus para enfrentar as ansiedades da vida com um coração vigilante e livre, confiando no amor divino que nos sustenta.

"O Mestre quer que nossos corações não fiquem pesados pelas angústias ou preocupações", afirmou o Pontífice ao comentar os eventos catastróficos e as tribulações descritas no Evangelho. "Ao contrário, Ele nos convida a erguer a cabeça, confiando em Seu amor e em Sua promessa de salvação, mesmo nos momentos mais difíceis".

Superar o medo com confiança em Deus

O Papa ressaltou que, nos tempos de Jesus, muitos interpretavam os acontecimentos dramáticos como sinais do fim do mundo, sendo tomados pelo medo. No entanto, Francisco enfatizou que Cristo oferece uma perspectiva diferente: "Ele nos liberta das falsas convicções e nos ajuda a interpretar os fatos à luz do projeto de Deus, que realiza Sua salvação mesmo nas situações mais dramáticas da história".

Francisco também convidou os fiéis a refletirem sobre suas próprias vidas: "Meu coração está sobrecarregado pelas preocupações e pelo medo do futuro? Ou consigo olhar para as circunstâncias diárias com os olhos de Deus, em oração, com um horizonte mais amplo?".

Vigilância e oração

Durante sua alocução, o Pontífice destacou ainda a importância de manter a vigilância espiritual, prevenindo que o coração se torne "pesado" com as preocupações mundanas, pois "todos nós, em muitos momentos da vida, nos perguntamos: como ter um coração 'leve', vigilante e livre que não se deixa esmagar pela tristeza?"

"Pode acontecer, de fato, que as ansiedades, os medos e as preocupações com nossa vida pessoal ou com o que acontece no mundo atualmente pesem sobre nós como pedras e nos lancem no desânimo. Se as preocupações sobrecarregam o coração e nos levam a nos fecharmos em nós mesmos, Jesus, ao contrário, nos convida a erguer a cabeça, a confiar em Seu amor que quer nos salvar e que se aproxima de nós em toda situação de nossa existência, a abrir espaço para Ele e, assim, reencontrar a esperança".

Acolher o projeto de Deus

Ao concluir sua reflexão, Francisco expressou seu desejo de que "este tempo do Advento seja uma oportunidade preciosa para levantar o olhar para o Senhor, que alivia o coração e nos sustenta no caminho", e acrescentou:

"Invoquemos a Virgem Maria, que, mesmo nos momentos de prova, esteve pronta para acolher o projeto de Deus".

domingo, 10 de novembro de 2024

Ao alertar para a tentação da hipocrisia, Papa exorta a fazermos o bem sem aparecer

Foto: Vatican media

Que a Virgem Maria nos ajude a combater a tentação da hipocrisia dentro de nós mesmos – Jesus diz a eles: “Hipócritas”, é uma grande tentação a hipocrisia -, e nos ajude a fazer o bem sem aparecer e a fazê-lo com simplicidade.

Vatican News

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

Hoje o Evangelho da liturgia (cfr. Mc 12,38-44) fala-nos de Jesus que, no templo de Jerusalém, denuncia perante o povo a atitude hipócrita de alguns escribas (crf. vs. 38-40).

A estes últimos era confiado um papel importante na comunidade de Israel: liam, transcreviam e interpretavam as Escrituras. Por isso eram muito considerados e as pessoas lhes prestavam reverência.

Para além das aparências, no entanto, seu comportamento muitas vezes não correspondia ao que ensinavam. Alguns, de fato, fortes pelo prestígio e poder de que gozavam, olhavam os outros “de cima para baixo”, faziam pose e, escondendo-se por detrás de uma fachada de falsa respeitabilidade e de legalismo, arrogavam-se privilégios e chegavam até mesmo a cometer verdadeiros furtos em detrimento dos mais fracos, como as viúvas (cfr. v. 40). Em vez de usarem o seu papel para servir os outros, faziam dele um instrumento de prepotência e de manipulação. E acontecia que também a oração, para eles, corria o risco de não ser mais um momento de encontro com o Senhor, mas uma ocasião para ostentar respeitabilidade e falsa piedade, útil para atrair a atenção das pessoas e obter consensos (cfr. ibid.).

Comportavam-se como pessoas corruptas, alimentando um sistema social e religioso em que era normal tirar vantagem às custas dos outros, especialmente dos mais indefesos, cometendo injustiças e garantindo a impunidade.

Destas pessoas Jesus recomenda tomar distância, “ter cuidado” (ver versículo 38) de não imitá-las. Pelo contrário, com a sua palavra e o seu exemplo, como sabemos, ensina coisas muito diferentes sobre a autoridade. Ele fala dela em termos de abnegação e de serviço humilde (cf. Mc 10,42-45), de ternura materna e paterna para com as pessoas (cf. Lc 11,11-13), especialmente em relação às necessitadas (Lc 10,25-37). Convida a quem tem autoridade a olhar para os outros, a partir da sua própria posição de poder, não para humilhá-los, mas para elevá-los, dando-lhes esperança e ajuda.

Então podemos nos perguntar: eu, como me comporto nos meus âmbitos de responsabilidade? Ajo com humildade ou tiro vantagens da minha posição? Sou generoso e respeitoso com as pessoas ou as trato de forma rude e autoritária? E com os irmãos e as irmãs mais frágeis, estou próximo deles, sei inclinar-me para ajudá-los a se levantarem?

Que a Virgem Maria nos ajude a combater a tentação da hipocrisia dentro de nós mesmos, a fazer o bem sem aparecer e com simplicidade.

 *Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

domingo, 3 de novembro de 2024

Papa, Angelus: “a fonte de tudo é o amor, nunca separe Deus do homem”

Foto: Vatican media

O Papa Francisco rezou neste domingo , a Oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, recordando as palavras de Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus” e “amarás o teu próximo”. “Esse é um pouco o coração da nossa fé”.

Silvonei José – Vatican News

“Todos nós - e sabemos isso - precisamos voltar ao coração da vida e da fé, porque o coração é “a fonte e a raiz de todas as outras forças, de todas as outras convicções E Jesus nos diz que a fonte de tudo é o amor, que nunca devemos separar Deus do homem”. Foi o que disse o Papa Francisco aos fiéis e peregrinos reunidos na grande Praça São Pedro na alocução que precedeu o Angelus deste domingo (3).

O Evangelho da liturgia de hoje – destacou o Santo Padre -, nos conta sobre uma das muitas discussões que Jesus teve no templo de Jerusalém. Um dos escribas se aproxima e o questiona: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?”. Jesus responde juntando duas palavras fundamentais da lei mosaica: “Amarás o Senhor teu Deus” e “amarás o teu próximo”. “Amarás o Senhor, teu Deus” e ‘amarás o teu próximo’.

Com sua pergunta – continuou o Papa - o escriba busca “o primeiro” dos mandamentos, ou seja, um princípio que sustenta todos os mandamentos; os judeus tinham tantos preceitos, que buscavam a base de todos eles, um que fosse o fundamental, que colocassem de acordo sobre um fundamental, e havia discussões entre eles, boas discussões porque buscavam a verdade.

O Papa Francisco destacou então que essa pergunta também é essencial para nós, para nossas vidas e para o caminho de nossa fé.

“Também nós, às vezes, nos sentimos dispersos em tantas coisas e nos perguntamos: mas, afinal, qual é a coisa mais importante de todas? Onde posso encontrar o centro da minha vida, da minha fé? E Jesus nos dá a resposta, combinando esses dois mandamentos que são os principais: “Amarás o Senhor teu Deus” e “amarás o teu próximo”. E esse é um pouco o coração da nossa fé”.

Jesus nos diz que a fonte de tudo é o amor, que nunca devemos separar Deus do homem.

“Ao discípulo de todas as épocas, o Senhor diz: no seu caminho, o que conta não são as práticas exteriores, como holocaustos e sacrifícios, mas a disposição de coração com a qual você se abre a Deus e a seus irmãos no amor”.

O Santo Padre reafirmou que podemos fazer muitas coisas, de fato, mas fazê-las somente para nós mesmos e sem amor é errado, fazê-las com o coração distraído ou com o coração fechado é errado. Muitas coisas devem ser feitas com amor.

O Senhor virá e, antes de tudo, nos perguntará: “Como você tem amado?”, disse o Papa, acrescentando: é importante fixar em nosso coração o mandamento mais importante. Qual é ele? Amar o Senhor, teu Deus, e amar o próximo como a si mesmo. E todos os dias façamos nosso exame de consciência e nos perguntemos: o amor a Deus e ao próximo é o centro de minha vida? Minha oração a Deus me impulsiona a ir ao encontro de meus irmãos e amá-los gratuitamente? Reconheço a presença do Senhor no rosto dos outros?

Francisco concluiu pedindo que a Virgem Maria, que trazia a lei de Deus impressa em seu coração imaculado, nos ajude a amar o Senhor e nossos irmãos. 

domingo, 22 de setembro de 2024

O Papa no Angelus: no cuidado com os mais fracos está o verdadeiro poder

Foto: Vatican media


Quer ser grande? Faça-se pequeno, coloque-se a serviço de todos. Com uma palavra tão simples quanto decisiva, Jesus renova nosso modo de vida. Ele nos ensina que o verdadeiro poder não está no domínio dos mais fortes, mas no cuidado com os mais fracos: disse Francisco no Angelus ao comentar o Evangelho deste XXV Domingo do Tempo Comum

Raimundo de Lima – Vatican News

Quantas pessoas sofrem e morrem por causa das lutas pelo poder! Essas são vidas que o mundo rejeita, assim como rejeitou Jesus. Quando Ele foi entregue nas mãos dos homens, não encontrou um abraço, mas uma cruz. No entanto, o Evangelho continua sendo palavra viva e cheia de esperança: Aquele que foi rejeitado, ressuscitou, é o Senhor! Foi o que disse o Papa na alocução que precedeu o Angelus ao meio-dia deste domingo (22), XXV Domingo do tempo Comum.

Hoje, disse Francisco, o Evangelho da liturgia (Mc 9,30-37) nos fala de Jesus anunciando o que acontecerá no ápice de sua vida: “O Filho do Homem é entregue às mãos dos homens e eles o matarão, mas depois de três dias ele ressuscitará”. Os discípulos, no entanto - observou o Pontífice -, enquanto seguem o Mestre, têm outra coisa em suas mentes e lábios. Quando Jesus lhes pergunta sobre o que estavam falando, eles não respondem.

Quer ser grande? Faça-se pequeno

“Prestemos atenção a esse silêncio: os discípulos silenciam porque estavam discutindo sobre quem era o maior. Que contraste com as palavras do Senhor! Enquanto Jesus lhes confiava o sentido da própria vida, eles falavam de poder. E agora a vergonha fecha suas bocas, como antes o orgulho havia fechado seus corações. No entanto, Jesus responde abertamente às palavras sussurradas ao longo do caminho: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último”. Quer ser grande? Faça-se pequeno, coloque-se a serviço de todos.”

Com uma palavra tão simples quanto decisiva, prosseguiu o Santo Padre, Jesus renova nosso modo de vida. Ele nos ensina que o verdadeiro poder não está no domínio dos mais fortes, mas no cuidado com os mais fracos.

Quem acolhe o menor, a mim acolhe

Francisco retomou a passagem desta página do Evangelho em que Jesus chama uma criança, coloca-a no meio dos discípulos e a abraça, dizendo: “Aquele que receber uma destas crianças por causa do meu nome, a mim recebe”. A criança não tem poder: ela tem necessidade. Quando cuidamos do homem, reconhecemos que o homem está sempre necessitado de vida.

“Nós, todos nós, estamos vivos porque fomos acolhidos, mas o poder nos faz esquecer essa verdade. Então nos tornamos dominadores, não servidores, e os primeiros a sofrer são os últimos: os pequenos, os fracos, os pobres.”

Sejamos como Maria, sem vanglória e prontos para servir

Como faz habitualmente, Francisco concluiu propondo-nos – à luz da Palavra do Evangelho - algumas interpelações para nossa reflexão pessoal.

“Sei reconhecer o rosto de Jesus nos pequeninos? Eu cuido do meu próximo, servindo com generosidade? Agradeço àqueles que cuidam de mim? Oremos juntos a Maria, para sermos como ela, livres da vanglória e prontos para servir.”.

domingo, 15 de setembro de 2024

Papa no Angelus: o verdadeiro encontro com Jesus transforma a vida

Foto: Vatican media 

Conhecer Jesus e se relacionar com Ele, deixando-se tocar e incomodar pelo Evangelho: este é o cerne da reflexão de Francisco, que, no Angelus deste domingo,  exorta os fiéis a se converterem, abandonando a mentalidade do mundo: "Tudo muda se você realmente conheceu Jesus!"

Thulio Fonseca - Vatican News

Neste domingo (15), durante a alocução que precede a oração mariana do Angelus na Praça São Pedro, o Papa Francisco refletiu sobre o Evangelho de São Marcos e sublinhou a importância de uma verdadeira relação pessoal com Jesus, que vai além do simples conhecimento teórico.

Diante da pergunta de Jesus aos discípulos, presente na liturgia de hoje: "E vós, quem dizeis que eu sou?" (Mc 8,29), o Pontífice destacou que Pedro respondeu corretamente, afirmando que Jesus é o Cristo. No entanto, logo em seguida, ao ouvir sobre o sofrimento e a morte do Senhor, Pedro se opôs, demonstrando que sua compreensão ainda era limitada pela visão humana e mundana.

Conhecer Jesus verdadeiramente 

Segundo Francisco, conhecer Jesus não se resume a ter informações teóricas sobre Ele, recitar orações ou saber responder corretamente a perguntas de catecismo:

"Na realidade, para conhecer o Senhor, não basta saber algo sobre Ele, é preciso segui-Lo, deixar-se tocar e mudar pelo Seu Evangelho. Trata-se de ter com Ele uma relação, um encontro que transforma a vida".

O Pontífice então reforçou que essa transformação autêntica leva a mudanças profundas: "Eu posso conhecer muitas coisas sobre Jesus, mas se não O encontrei, ainda não sei quem é Jesus. É necessário esse encontro que muda a vida: muda o modo de ser, muda o modo de pensar, muda as relações que você tem com os irmãos, a disposição para acolher e perdoar, muda as escolhas que você faz na vida. Tudo muda se você realmente conheceu Jesus! Tudo muda".

Deixar-se "incomodar" pelo Evangelho

Referindo-se às palavras de Dietrich Bonhoeffer, pastor luterano que se opôs ao nazismo, quando afirmou "O problema que nunca me deixa tranquilo é o de saber o que o cristianismo realmente é para nós hoje, ou mesmo quem é Cristo", o Santo Padre alertou contra o perigo de uma fé que se mantém estática e longe de Deus, pois "infelizmente, muitos já não se fazem mais essa pergunta e permanecem tranquilos, adormecidos, mesmo longe de Deus". E, em seguida, fez um convite aos fiéis a se questionarem:

"Eu me deixo incomodar? Eu me questiono sobre quem é Jesus para mim e qual é o lugar que Ele ocupa na minha vida? Que nossa mãe Maria, que conhecia bem Jesus, nos ajude com essa pergunta", concluiu o Papa Francisco.

domingo, 21 de julho de 2024

Papa no Angelus: "Devemos estar atentos à ditadura do fazer"

Foto: Vatican Media

Durante a oração mariana deste domingo, Francisco fez um alerta para a nossa sociedade frequentemente prisioneira da pressa e do ativismo: somente se o nosso coração não estiver consumido pela ansiedade de fazer, receberemos, no silêncio da adoração, a Graça de Deus.

Thulio Fonseca – Vatican News

“Do Evangelho aprendemos que essas duas realidades, descanso e compaixão, estão interligadas: só quando aprendemos a descansar podemos ter compaixão”. Este foi o cerne da reflexão do Papa Francisco na alocução que precedeu a oração do Angelus, deste domingo (21) para os milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

A liturgia de hoje (Mc 6,30-34), introduziu o Papa, narra que os apóstolos, ao retornar da missão, se reuniram ao redor de Jesus e lhe contaram o que haviam feito; então, Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. As pessoas, no entanto, percebem seus movimentos e, quando descem da barca, Jesus encontra a multidão que o esperava, e sentindo compaixão, Ele começa a ensinar.

Não perder de vista o essencial

Francisco sublinhou que, de um lado, temos o convite ao descanso e, de outro, a compaixão pela multidão, e completou, “parecem duas coisas inconciliáveis, mas, na verdade, elas se complementam”:

“Jesus se preocupa com o cansaço dos discípulos. Talvez Ele perceba um perigo que também pode afetar nossas vidas e nosso apostolado, quando, por exemplo, o entusiasmo em realizar a missão, assim como as responsabilidades e as tarefas que nos são confiadas, nos tornam vítimas do ativismo, excessivamente preocupados com as coisas a fazer e com seus resultados”.

Segundo o Papa, tais comportamentos impostos pela sociedade e pelo trabalho nos deixam agitados e assim perdemos de vista o essencial, arriscando esgotar nossas energias e cair no cansaço do corpo e do espírito:

“Este é um alerta importante para nossas vidas, para a nossa sociedade frequentemente prisioneira da pressa, mas também para a Igreja e para o serviço pastoral: devemos estar atentos à 'ditadura do fazer'!”

"Irmãos e irmãs, vamos tomar cuidado com a ditadura do fazer! Isso pode acontecer por necessidade, também nas famílias, quando, por exemplo, o pai, para ganhar o pão, é obrigado a se ausentar para trabalhar, sacrificando assim o tempo que poderia dedicar à família. Muitas vezes ele sai de manhã cedo, quando as crianças ainda estão dormindo, e volta tarde da noite, quando já estão na cama. E isso é uma injustiça social. Nas famílias, o pai e a mãe deveriam ter tempo para compartilhar com os filhos, para cultivar esse amor familiar e não cair na ditadura do fazer. Pensemos no que podemos fazer para ajudar as pessoas que são obrigadas a viver assim".

Um olhar compassivo em direção ao próximo

Ao mesmo tempo, o descanso proposto por Jesus não é uma fuga do mundo, uma retirada para o bem-estar pessoal, recordou o Pontífice, pelo contrário, diante da multidão perdida, Ele sente compaixão:

“De fato, é possível ter um olhar compassivo, que consegue perceber as necessidades do outro, somente se o nosso coração não estiver consumido pela ansiedade de fazer, se soubermos parar e, no silêncio da adoração, receber a Graça de Deus”.

Descansar no Espírito

O Papa então propôs aos fiéis alguns questionamentos para uma reflexão pessoal: “Eu sei parar durante os meus dias? Sei dedicar um momento para estar comigo mesmo e com o Senhor, ou estou sempre tomado pela pressa das tarefas a realizar? Sabemos encontrar um pouco de 'deserto' interior em meio aos ruídos e às atividades de cada dia?"

Que a Virgem Santa nos ajude a “descansar no Espírito” mesmo em meio a todas as atividades cotidianas, e a sermos disponíveis e compassivos com os outros, concluiu o Papa Francisco.

domingo, 30 de junho de 2024

Papa no Angelus: oferecer a mão para acolher o irmão, sem rótulos e preconceitos

Foto: Vatican Media


Francisco refletiu sobre dois casos de cura relatados no mesmo episódio que traz o Evangelho da liturgia deste domingo. Dois milagres que aconteceram com o toque de Jesus a duas mulheres consideradas impuras. Sem medo, ele se deixou tocar e tocou para curar, sem "discriminar ninguém porque ama todos", disse o Papa, ao exortar essa proximidade a cada um de nós: "precisamos de uma Igreja e sociedade que não excluam ninguém", para acolher e amar "sem rótulos e preconceitos".

Andressa Collet - Vatican News

Neste domingo (30), de Solenidade dos Santo Pedro e Paulo no Brasil, o Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração mariana, o Pontífice refletiu sobre o Evangelho da liturgia de hoje que trata de dois milagres relatados em único episódio (Mc 5:21-43), "um de cura e outro de ressureição": a cura da mulher que sofria de hemorragia e foi curada apenas tocando no manto de Cristo; e a filha de Jairo que foi tomada pela mão por Jesus, que estando morta, levantou-se e voltou a viver.

Os dois casos "ocorrem por meio do contato físico", recordou o Papa, que indagou: "por qual motivo é importante esse 'tocar'? ". Porque ambas "são consideradas impuras", segundo "uma concepção religiosa errônea", e não se poderia haver um contato físico com elas. Mas, sem medo, Jesus se deixa tocar porque Deus não separa os puros dos impuros. 

“Deus não faz essa separação, porque todos somos seus filhos e a impureza não vem da comida, da doença ou mesmo da morte, mas a impureza vem de um coração impuro.”

O acolhimento sem discriminação, rótulos e preconceitos 

Deus, insistiu o Papa, não mantém distância "diante do sofrimento do corpo e do espírito, das feridas da alma, das situações que nos esmagam e até mesmo diante do pecado". Deus "não se envergonha de nós, não nos julga; ao contrário, Ele se aproxima para se deixar tocar e para nos tocar, e sempre nos levanta da morte", como fez com a filha de Jairo:

"Fixemos no coração essa imagem que Jesus nos dá: Deus é aquele que toma você pela mão e o levanta, aquele que se deixa tocar pela sua dor e o toca para curá-lo e dar-lhe vida novamente. Ele não discrimina ninguém porque ama todos".

E da nossa parte, então, questionou Francisco ao final da alocução que precedeu a oração mariana do Angelus, "acreditamos que Deus é assim?". E ainda: nos deixamos ser tocados pela Palavra e pelo amor do Senhor? E quando se trata do nosso irmão, a gente oferece a mão para se levantar ou mantém distância, "rotulando as pessoas"?

“Irmãos e irmãs, olhemos para o coração de Deus, precisamos que a Igreja e a sociedade não excluam ninguém, que não tratem ninguém como 'impuro', para que todos, com as próprias histórias, sejam acolhidos e amados sem rótulos, sem preconceitos, sejam amados sem adjetivos”.

domingo, 23 de junho de 2024

Papa: Jesus não nos poupa dificuldades, mas nos ajuda a enfrentá-las

Foto: Vatican Media


"Jesus nos faz corajosos. Deste modo, nós aprendemos sempre mais a nos agarrar a Ele, a confiar na sua potência", disse o Papa comentando o Evangelho deste domingo

Vatican News

Jesus não nos poupa dificuldades, mas nos ajuda a enfrentá-las: foi o que disse o Papa ao rezar o Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro neste XII Domingo do Tempo Comum (23). O Evangelho apresenta Jesus na barca com os discípulos, no lago de Tiberíades. Improvisamente, chega uma forte tempestade e a barca corre o risco de afundar. Jesus, que estava dormindo, acorda, ameaça o vento e tudo volta à calmaria (cfr Mc 4,35-41).

No entanto, a situação assusta os discípulos, mesmo sendo eles pescadores. "Parece que Jesus queria colocá-los à prova", comentou Francisco. Quando começa o pânico na embarcação, com a sua presença, Jesus os conforta, os encoraja e os exorta a terem mais fé. Para o Pontífice, o Mestre faz isso por dois motivos: reforçar a fé dos discípulos e torná-los mais corajosos.

Com efeito, eles saem dessa experiência mais conscientes da potência de Jesus e da sua presença em meio a eles e, portanto, mais fortes e prontos a enfrentar outros obstáculos e dificuldades, inclusive o medo de se aventurar para anunciar o Evangelho. 

"E também conosco Jesus faz o mesmo, em especial na Eucaristia: nos reúne em volta de Si, nos doa a sua Palavra, nos nutre com o seu Corpo e o seu Sangue, e depois nos convida a tomar o largo, para transmitir a todos o que ouvimos e compartilhar com todos o que recebemos, na vida de todos os dias, mesmo quando é difícil".

Jesus, prosseguiu Francisco, não nos poupa as contrariedades, mas, sem nunca nos abandonar, nos ajuda a enfrentá-las, "nos faz corajosos!". Deste modo, nós aprendemos sempre mais a nos agarrar a Ele, a confiar na sua potência, que vai bem além de nossas capacidades, a superar as incertezas e as hesitações, os fechamentos e os preconceitos, com coragem e grandeza de coração, para dizer a todos que o Reino dos Céus está presente, é aqui, e que com Jesus ao nosso lado podemos fazê-lo crescer juntos para além de qualquer barreira.

O Papa então se dirige aos fiéis com alguns questionamentos: nos momentos de provação, sei fazer memória das vezes em que experimentei, na minha vida, a presença e a ajuda do Senhor? Quando chega a tempestade, me deixo levar pela agitação ou me agarro a Ele, para encontrar calma e paz, na oração, no silêncio, na escuta da Palavra, na adoração e na compartilha fraterna da fé?

"Que a Virgem Maria, que acolheu com humildade e coragem a vontade de Deus, nos doe, nos momentos difíceis, a serenidade de se abandonar a Ele", concluiu.

domingo, 16 de junho de 2024

O Papa: Deus cuida de nós com a confiança de um Pai e espera de nós boas obras

 
Foto: Vatican Media

O Senhor coloca em nós as sementes de sua Palavra e de sua graça, sementes boas e abundantes, e depois, sem nunca deixar de nos acompanhar, espera pacientemente. Ele continua a cuidar de nós, com a confiança de um Pai, mas nos dá tempo, para que as sementes se abram, cresçam e se desenvolvam para dar frutos de boas obras: disse Francisco na oração mariana do Angelus deste XI Domingo do Tempo Comum

Raimundo de Lima – Vatican News

Saber esperar com confiança! Foi a exortação do Santo Padre na alocução que precedeu a oração do Angelus ao meio-dia deste domingo (16), com milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Francisco deteve-se sobre o Evangelho deste XI Domingo do Tempo Comum, que nos fala do Reino de Deus por meio da imagem da semente, usada várias vezes por Jesus e nos convida a refletir particularmente sobre uma atitude importante – destacou o Pontífice: a espera confiante.

Saber esperar com confiança

De fato, na semeadura, por mais que o agricultor espalhe ótima e abundante semente, e por melhor que prepare o solo, as plantas não brotam imediatamente: leva tempo! Por isso, é necessário que, após a semeadura, ele saiba esperar com confiança, para permitir que as sementes se abram no momento certo e os brotos brotem do solo e cresçam, fortes o suficiente para garantir, no final, uma colheita abundante.

Sob a terra, o milagre já está acontecendo, há um grande desenvolvimento, mas é invisível, é preciso paciência e, enquanto isso, é necessário continuar cuidando dos torrões, regando-os e mantendo-os limpos, apesar do fato de que, na superfície, nada parece estar acontecendo, ressaltou o Papa, explicando que o Reino de Deus também é assim.

O Senhor quer que todos nós possamos crescer

O Senhor coloca em nós as sementes de sua Palavra e de sua graça, sementes boas e abundantes, e depois, sem nunca deixar de nos acompanhar, espera pacientemente. Ele continua a cuidar de nós, com a confiança de um Pai, mas nos dá tempo, para que as sementes se abram, cresçam e se desenvolvam para dar frutos de boas obras. E isso porque não quer que nada se perca em seu campo, que tudo atinja a plena maturidade; quer que todos nós possamos crescer como espigas cheias de grãos.

Francisco observou que ao fazer isso, o Senhor nos dá um exemplo: também nos ensina a semear com confiança o Evangelho onde quer que estejamos e depois esperar que a semente lançada cresça e dê frutos em nós e nos outros, sem desanimar e sem deixar de apoiar e ajudar uns aos outros, mesmo quando, apesar de nossos esforços, nos parece não ver resultados imediatos. “Na verdade - prosseguiu o Pontífice -, muitas vezes, mesmo entre nós, além das aparências, o milagre já está em andamento e, no devido tempo, produzirá frutos abundantes”!

Sejamos semeadores generosos e confiantes do Evangelho

Concluindo, o Santo Padre propôs algumas interpelações para nossa reflexão pessoal:

Deixo semear em mim a Palavra? Semeio com confiança a Palavra de Deus nos ambientes em que vivo? Sou paciente na espera ou fico desanimado porque não vejo os resultados imediatamente? E sou capaz de confiar tudo serenamente ao Senhor, enquanto faço o melhor que posso para proclamar o Evangelho?”.

Por fim, confiou à Virgem Maria, que acolheu e fez crescer dentro de si a semente da Palavra, que nos ajude a sermos semeadores generosos e confiantes do Evangelho.

domingo, 9 de junho de 2024

O Papa: com a busca por poder e dinheiro, o homem se torna escravo

Foto: Vatican media


No habitual Angelus dominical, o Santo Padre convidou os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro neste domingo (9) a refletirem sobre a liberdade de Jesus, que era “completa e sem condicionamentos”.

Silvonei José – Vatican News

O homem deve sempre se perguntar se ainda é uma pessoa livre ou se, em vez disso, está se tornando “prisioneiro de mitos do dinheiro, do poder e do sucesso”. “Mitos” que, segundo o Papa Francisco, levam a sacrificar a serenidade e a paz, a minha e a dos outros". No habitual Angelus dominical, o Santo Padre convidou os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro a refletirem sobre a liberdade de Jesus, que era “completa e sem condicionamentos”.

“Jesus era um homem livre”, enfatizou o Pontífice, diante das riquezas, diante do poder e diante da busca pela fama e aprovação.

Jesus era livre diante das riquezas: por isso, deixou a segurança de seu vilarejo, Nazaré, para abraçar uma vida pobre e cheia de incertezas, curando gratuitamente os doentes e qualquer pessoa que o procurasse para pedir ajuda, sem nunca pedir nada em troca.

Jesus era livre diante do poder, continuou o Papa: "de fato, embora chamasse muitos para segui-lo, nunca forçou ninguém a fazê-lo, nem procurou o apoio dos poderosos, mas sempre se colocou do lado dos últimos, ensinando seus discípulos a fazerem o mesmo".

“Por fim, era livre diante da busca de fama e da aprovação e, por isso, nunca desistiu de falar a verdade, mesmo ao custo de não ser compreendido, de se tornar impopular, até o ponto de morrer na cruz, não se deixando intimidar, nem comprar, nem corromper por nada e por ninguém".

“E isso também é importante para nós”, disse ainda o Papa, exortando os fiéis a sempre se perguntarem: “sou uma pessoa livre? Ou me deixo aprisionar pelos mitos do dinheiro, do poder e do sucesso, sacrificando a estes a serenidade e a paz minha e dos outros?" “Se nos deixamos condicionar pela busca do prazer, do poder, do dinheiro ou do sucesso, nos tornamos escravos dessas coisas”, destacou o Pontífice.

Concluindo: “que a Virgem Maria nos ajude a viver e amar como Jesus nos ensinou, na liberdade dos filhos de Deus”.

domingo, 2 de junho de 2024

Papa no Angelus: contra a lógica do egoísmo, tornemo-nos cristãos "eucarísticos"

Foto: Vatican media


“Graças à Eucaristia, nos tornamos profetas e construtores de um mundo novo. Quando superamos o egoísmo e nos abrimos ao amor, estamos partindo o pão de nossas vidas como Jesus”, disse o Papa Francisco no Angelus, referindo-se à festa de Corpus Christi, cuja solenidade a Igreja no Brasil celebrou na última quinta-feira.

Thulio Fonseca - Vatican News

Neste domingo (2) , diante de milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o Papa Francisco dedicou a meditação que precede a oração do Angelus à solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, celebrada hoje na Itália e em outros países. O Pontífice, em sua alocução, refletiu sobre o Evangelho da liturgia, que nos apresenta a Última Ceia de Jesus (Mc 14,12-26), durante a qual Ele realiza um gesto de entrega:

“No pão partido e no cálice oferecido aos discípulos, é Ele mesmo que se doa por toda a humanidade e se oferece pela vida do mundo”.

Tornar-se "pão partido" para o próximo

Francisco sublinhou que, no gesto de partir o pão, há um aspecto importante presente nas palavras de Jesus: "e lhes deu", e completou: "A Eucaristia, de fato, remete antes de tudo à dimensão do dom. O Senhor toma o pão não para consumi-lo sozinho, mas para parti-lo e dá-lo aos discípulos, revelando assim sua identidade e sua missão", pois, de toda a sua vida, Jesus fez um dom.

"Compreendemos, assim, que celebrar a Eucaristia e alimentar-se desse Pão, como fazemos especialmente aos domingos, não é um ato de culto desvinculado da vida ou um simples momento de consolação pessoal. Sempre devemos nos lembrar que Jesus tomou o pão, partiu-o e lhes deu e, portanto, a comunhão com Ele nos torna capazes de também nos tornarmos pão partido para os outros, de compartilhar o que somos e o que temos."

Cristãos “eucarísticos”

Segundo o Papa, este é o chamado de todo cristão: tornarmo-nos "eucarísticos", ou seja, pessoas que não vivem mais para si mesmas, na lógica da posse e do consumo, mas que sabem fazer de suas vidas um dom para os outros. Assim, graças à Eucaristia, nos tornamos profetas e construtores de um mundo novo:

"Quando superamos o egoísmo e nos abrimos ao amor, quando cultivamos laços de fraternidade, quando compartilhamos os sofrimentos de nossos irmãos e dividimos nosso pão e nossos recursos com os necessitados, quando colocamos à disposição de todos os nossos talentos, então estamos partindo o pão de nossas vidas como Jesus."

Dom de amor

Por fim, o Santo Padre convidou os fiéis a uma reflexão interior:

"Perguntemo-nos então: guardo minha vida somente para mim ou a dou como Jesus? Eu me gasto pelos outros ou estou fechado em meu pequeno eu? E, nas situações do dia a dia, sei como compartilhar ou busco sempre o meu próprio interesse?"

"Que a Virgem Maria, que acolheu Jesus, o Pão descido do Céu, e se doou inteiramente junto com Ele, ajude também a nós a nos tornarmos um dom de amor, unidos a Jesus na Eucaristia", concluiu Francisco.

domingo, 28 de abril de 2024

O Papa: a fé em Jesus, o vínculo com Ele, nos abre para receber a seiva do amor de Deus

Foto: Vatican Media


Permanecer no Senhor significa crescer no relacionamento com Ele, dialogar com Ele, acolher sua Palavra, segui-lo no caminho para o Reino de Deus. Portanto, trata-se colocar-nos a caminho atrás d’Ele, de nos deixarmos provocar por seu Evangelho e de nos tornarmos testemunhas de seu amor: disse o Papa Francisco em seu último compromisso em terras venezianas, este domingo, 28 de abril, na Missa celebrada na Praça São Marcos

Raimundo de Lima – Vatican News

A fé em Jesus, o vínculo com Ele, não aprisiona nossa liberdade, mas, ao contrário, nos abre para receber a seiva do amor de Deus, que multiplica nossa alegria, cuida de nós com o cuidado de um bom vinhateiro e faz nascer brotos mesmo quando o solo de nossa vida se torna árido. Foi o que disse o Santo Padre na celebração da Eucaristia – centro e ápice da vida cristã –, ponto alto de sua visita pastoral a Veneza, este domingo (28), numa Praça São Marcos repleta de fiéis e peregrinos, cerca de 10.500, de Veneza e das dioceses do Vêneto, norte da Itália.

Somente aquele que permanece unido a Jesus dá frutos. Em sua homilia, Francisco deteve-se sobre o Evangelho deste V Domingo do Tempo Pascal, que nos traz a parábola da videira.

Eu sou a videira e vós sois os ramos

Jesus é a videira, nós somos os ramos. E Deus, o Pai misericordioso e bom, como um agricultor paciente, trabalha conosco com cuidado para que nossa vida seja repleta de frutos. É por isso que Jesus recomenda que conservemos a dádiva inestimável que é o vínculo com Ele, do qual dependem nossa vida e fecundidade.

Assim, a metáfora da videira, ao mesmo tempo em que expressa o cuidado amoroso de Deus por nós, por outro lado nos adverte, pois se rompermos esse vínculo com o Senhor, não poderemos gerar frutos de boa vida e nós mesmos corremos o risco de nos tornarmos ramos secos, que serão jogados fora.

Tendo como pano de fundo a imagem usada por Jesus, continuou o Pontífice, penso também na longa história que liga Veneza ao trabalho das videiras e à produção de vinho, no cuidado de tantos viticultores e nos numerosos vinhedos que surgiram nas ilhas da Lagoa e nos jardins entre as calas da cidade, e naqueles que engajaram os monges na produção de vinho para suas comunidades.

Isso é o que conta, permanecer no Senhor, habitar n’Ele

Mas a metáfora que saiu do coração de Jesus também pode ser lida ao pensarmos nessa cidade construída sobre a água e reconhecida por essa singularidade como um dos lugares mais evocativos do mundo. Veneza é uma só com as águas sobre as quais está situada e, sem o cuidado e a proteção desse ambiente natural, poderia até deixar de existir. Assim também é nossa vida: nós também, imersos para sempre nas fontes do amor de Deus, fomos regenerados no Batismo, renascemos para uma nova vida pela água e pelo Espírito Santo e fomos inseridos em Cristo como ramos na videira. Em nós flui a seiva desse amor, sem o qual nos tornamos ramos secos que não dão frutos.

Francisco deteve-se sobre uma das palavras-chave dadas por Jesus aos seus apóstolos antes de concluir sua missão terrena: trata-se da palavra “permanecei”, exortando os apóstolos a manter vivo o vínculo com Ele, a permanecer unidos a Ele como os ramos à videira.

Irmãos e irmãs, isso é o que conta: permanecer no Senhor, habitar n’Ele. E esse verbo - permanecer - não deve ser interpretado como algo estático, como se quisesse nos dizer para ficarmos parados, estacionados na passividade; na realidade, ele nos convida a nos colocarmos em movimento, porque permanecer no Senhor significa crescer no relacionamento com Ele, dialogar com Ele, acolher sua Palavra, segui-lo no caminho para o Reino de Deus. Portanto, trata-se colocar-nos a caminho atrás d’Ele, de nos deixarmos provocar por seu Evangelho e de nos tornarmos testemunhas de seu amor.

Produzir os frutos do Evangelho em nossa realidade

E nós, cristãos, disse Francisco, que somos ramos unidos à videira, a videira do Deus que cuida da humanidade e criou o mundo como um jardim para que possamos florescer nele e fazê-lo florescer, como respondemos?

Permanecendo unidos a Cristo, seremos capazes de produzir os frutos do Evangelho na realidade em que vivemos: frutos de justiça e paz, frutos de solidariedade e cuidado mútuo; escolhas de cuidado com o meio ambiente, mas também com o patrimônio humano: precisamos que nossas comunidades cristãs, nossos bairros, nossas cidades se tornem lugares hospitaleiros, acolhedores e inclusivos. E Veneza, que sempre foi um lugar de encontro e de intercâmbio cultural, é chamada a ser um sinal de beleza acessível a todos, a começar pelos últimos, um sinal de fraternidade e de cuidado com a nossa casa comum. Veneza, terra que faz irmãos. Obrigado!

Concluída a celebração eucarística - último compromisso da visita pastoral do Papa a Veneza -, Francisco visitou de forma privada a Basílica de São Marcos para venerar as relíquias do Santo Evangelista, detendo-se por um breve momento em oração.