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| Luciana Bricci - Foto: Divulgação |
Cuidar da saúde mental é essencial. Em meio a agitação diária, uma boa noite de sono e os momentos de lazer ajudam a fazer melhor as atividades profissionais e pessoais.
Conversamos com Luciana Bricci, especialista em TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) e Psicologia Organizacional. Com mais de 25 anos de experiência na área, ela dá dicas importantes para o nosso bem estar:
Revisita de Cultura: Hoje em dia, o povo está com as emoções à flor da pele. Na área da cultura, vemos artistas nacionais e internacionais buscando tratamento da saúde mental. Esse movimento para buscar ajuda, reconhecer que precisa de uma atividade para relaxar, é importante? É necessário adequar a agenda diária aos momentos de lazer?
Luciana Bricci : Sim e não é tendência cultural, é resposta a um adoecimento coletivo. Pela TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), quando a vida se torna uma urgência constante, o cérebro entra em modo de ameaça: pensamentos aceleram, emoções transbordam e o corpo perde a capacidade de autorregulação. Isso explica porque tanta gente “explode” por pouco. Não é opinião: a OMS mostrou que a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou 25% em apenas um ano, ou seja, mais pessoas vivem sob pressão emocional contínua.
Quando artistas e a cultura falam de saúde mental, isso autoriza o cuidado. Pela TCC, reconhecer a necessidade de pausa é um comportamento protetivo, não fraqueza. Adequar a agenda ao lazer é prevenção psicológica. Sem pausas, o cérebro não descansa, ele colapsa.
Revista de Cultura: Quais atividades ajudam a relaxar durante o dia, nem que sejam alguns minutos?
Luciana Bricci: Pela TCC, pequenas mudanças de comportamento regulam emoções — porque emoção segue ação.
• Respiração guiada (3 a 55 minutos)
Meta-análises indicam redução do estresse e da ansiedade por meio de práticas respiratórias breves.
• Micro-pausas (2 a 100 minutos)
Uma revisão científica demonstrou que pausas curtas reduzem fadiga mental e aumentam vigor.
• Movimento leve ou caminhada curta.
Atividade física de lazer está associada a melhor humor e menor estresse, mesmo sem treinamento formal.
Regra de ouro da TCC: pouco, frequente e intencional funciona mais do que esperar o esgotamento.
Revista de Cultura - Na hora de dormir, a interação com o celular pode atrapalhar a noite de sono?
Luciana Bricci : Sim e atrapalha mais do que as pessoas imaginam. Segundo a TCC, o sono ruim alimenta pensamentos disfuncionais no dia seguinte: mais irritação, mais ansiedade e menos tolerância emocional.
Estudos mostram que o uso de telas à noite: reduz a melatonina, aumenta a ativação mental e piora a qualidade do sono. Revisões científicas associam o uso noturno do celular a mais insônia e fadiga diurna. Dormir com o celular é como tentar relaxar com o alarme desligado.
Revista de Cultura: Estabelecer uma agenda de trabalho e os momentos de relaxar é uma boa alternativa para melhorar a saúde mental?
Luciana Bricci: Sim, porque descanso precisa ser compromisso, não culpa.
A TCC mostra que quem deixa o relaxamento “para quando der” vive em modo de cobrança contínua.
E a ciência confirma: micro-pausas programadas reduzem estresse e melhoram bem-estar psicológico. Separar horários de trabalho e recuperação ajuda o cérebro a entender que nem tudo é urgência. Agenda sem descanso não é disciplina. É autoabandono bem organizado.
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Luciana Bricci: “Se você sente que está funcionando por fora, mas por dentro está no limite, isso não é fraqueza — é sinal. A psicologia mostra que pausas curtas, respiração consciente, movimento e sono protegido não são luxo: são saúde mental em prática. Hoje, escolha um gesto pequeno. O cuidado diário é o que impede o colapso silencioso”.

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