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| Foto: Priscila Musa e Tamás Bodolay |
Selma criou “Levante”, instalação site specific inspirada em sua obra “Homens de Barro”, que vem sendo criada há vinte anos. e resultará em uma cidade de figuras antropomórficas gigantes, similares àquelas que estão na praça. A instalação conta com 26 esculturas de diversos tamanhos e traduz o sentimento que o Cura busca nesta edição: chegou a hora do levante.
A artista, que traz em seu trabalho a consciência de um corpo, da geração dele e de sua expansão. O barro, matéria bruta utilizada por décadas na criação de seres com as próprias mãos, é a inspiração para a estética da instalação que ocupa a praça.
Sobre SELMA CALHEIRA
A consciência do corpo, de sua geração e multiplicação - é esta força em estado bruto que Selma Calheira traz para o Cura 22, propondo um levante de imensas figuras de barro e o início de uma marcha coletiva de reafirmação da nossa essência.
Desde seus anos de formação, Selma cultiva uma relação íntima com a terra, recolhendo-a diretamente da fonte, descobrindo-a pouco a pouco, manipulando-a, buscando novas cores e pigmentos, queimando-a em cerâmica.
Mais do que um enorme ateliê a céu aberto, sua fazenda em Ibirataia, na Bahia, é um lugar onde sonhos feitos da terra ganham forma, ano após ano. Ali, as pessoas se reúnem ao redor de um grande forno para conversar, festejar e dar as boas-vindas a cada nova figura que emerge transformada das labaredas de fogo.
Tem sido assim ao longo de duas décadas: trabalho, técnica e visão artística dedicados à realização de um sonho, de um projeto de vida. Com seus mais de 300 homos de barro, que chegam a alcançar 6 metros e meio de altura, Selma Calheira parece resolvida a reunir as histórias de uma multidão. Que assim seja!
A relação de Selma com a terra começou quando, ainda jovem, sua mestra Rosa Werneck pediu que ela procurasse vários tipos de argila. Selma então saiu catando barro e descobriu a quantidade de pigmentos que o material tinha. A partir daí, jamais deixou de colocar, literalmente, a mão na massa.
Sobre a 7ª edição do CURA – Circuito Urbano de Arte
A 7ª edição do CURA – Circuito Urbano de Arte vai até o dia 25 de setembro na Praça Raul Soares, no centro de Belo Horizonte. Desta vez, o festival retoma suas origens e promove uma intensa programação cultural junto a pintura de mais duas empenas, além da impressão de lambe NFT, que também ocupará uma fachada e uma grande instalação na praça.
A instalação na praça já está pronta e é da artista baiana Selma Calheira, que reúne arte, técnica e trabalho para a realização de um projeto de vida que convoca e celebra a coletividade e a força da multidão. Como em toda edição, um artista residente da cidade é o anfitrião de todos e desta vez é Pedro Neves quem assume esse papel. É dele a empena do Edifício Copacabana, no numero 89 da Praça Raul Soares.
Sueli Maxakali é a artista convidada para pintar a empena do Edifício Roma. Forte liderança dos Maxakali, ou Tikmuún, a artista traduz em imagens as vivências de um povo que há incontáveis gerações, vive e cuida da terra. Já Willand Cabal foi a vencedora da convocatória Cura, e sua obra em NFT será impressa em formato lambe para estampar a fachada do Hotel Sorrento. A arte de Willand tem objetivo de gerar estranheza, curiosidade e interesse na cultura ballroom, levando um recado forte para a cidade através da comunidade.
Vale destacar a empena assinada pelo MST (Movimento dos trabalhadores rurais sem terra). Existe um coletivo artístico dentro do MST que, por meio de suas criações, recuperam e perpetuam sua cultura, história e memória. A arte e a criatividade são algumas das ferramentas utilizadas pelos sem terra para o desenvolvimento da luta. Este grupo de artistas vai dar vida à uma empena do Edifício Rochedo, que fica próximo ao Mercado Central.
A partir do dia 21 de setembro começam as atividades culturais com djs, performances, feira gastronômica, entre outras atrações, e que culmina com o show do grandioso Mateus Aleluia, cantor, compositor e pesquisador da músicas ritualísticas afro-brasileiras.
A programação completa, informações sobre os artistas e sobre o festival, assim como link para imagens seguem logo abaixo.
Realização: Cura – Circuito Urbano de Arte
Produção: Agua - Agência Urbana de Arte
Patrocínio Master: Beck’s Beer e Cemig
Patrocínio: CNH Industrial e New Holland Construction, Hermes Pardini e Pottencial Seguradora
Incentivo: Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Belo Horizonte, Lei Estadual de Incentivo a Cultura de Minas Gerais, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo
CURA – Circuito Urbano de Arte 7ª edição
Realização: Cura – Circuito Urbano de Arte
Data: Até 25 de setembro
Local: Praça Raul Soares
https://www.instagram.com/cura.art/
Os artistas
PEDRO NEVES
Nascido em Imperatriz, no Maranhão, Pedro mudou-se para Betim com a família aos sete anos. Aos vinte, começou a pintar a partir de um álbum de família, presságio de uma trajetória atravessada por questões relacionadas à identidade, às raízes e à vivência de um passado que é continuamente projetado no presente.
Sua primeira empena, concebida para o Edifício Copacabana, localizado no número 89 da Praça Raul Soares, será pintada em uma superfície de mais de 433 metros quadrados. Em uma feliz coincidência, é possível visualizá-la a partir do ponto de ônibus onde Pedro esperou, tantas vezes ao longo de sua juventude, pelo transporte que o levaria de volta para casa.
Ao tocar nas traduções do elemento terra, o Cura toca também em alguns corpos. Corpos que ocupam terreiros, corpos em quintais estafados no chão aberto em horta, pés descalços da capoeira bailando sobre a terra.
A terra oferece refúgios no brincar, na oração e no percurso desenhado pelo alimento - da origem até a boca. Esta é a representação que Pedro Neves carrega em sua obra, tecendo uma imensa simbologia da presença de quem cresce através da terra.
Sempre descalços, seus personagens pisam num solo que transborda em cores, matizando as almas e evocando memórias de quem deixou a terra de origem em busca de novos caminhos.
Edifício Copacabana
Praça Raul Soares, 89
Centro, Belo Horizonte
Área Total: 433,75 m²
Dimensões: 41,1 metros de altura por 11,8 metros de largura
SUELI MAXAKALI
Nascida em Santa Helena de Minas, Sueli é uma liderança dos Tikmu’un, povo indígena que habita a região compreendida entre os atuais estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. É também realizadora audiovisual, educadora e fotógrafa que registra e difunde rituais e tradições ancestrais, fortalecendo a luta pelos direitos dos povos originários.
Em sua obra, Sueli Maxakali sugere que olhemos para o Brasil profundo, que façamos uma viagem em direção ao nosso próprio interior, reconhecendo aquilo que transcende e ganha potência no encontro com a terra, consigo mesmo e com o outro.
No Cura 22, a artista traduz em imagens a presença e as experiências de um povo que há incontáveis gerações vive e cuida da terra, convidando-nos a perceber e a compartilhar o seu olhar, a conversar com a sua cultura e a refletir coletivamente sobre os elementos naturais.
Os Maxakali referem-se a si mesmos como Tikmu'un, uma combinação dos termos tihik, que significa homem, e mu'un, que tem o sentido de grupo e inclusão. Na tradução para a língua portuguesa, essa ideia pode ser comunicada com três letras: NÓS.
Edifício Roma
Avenida Paraná, 466
Centro, Belo Horizonte
Área Total: 601,5 metros quadrados
Dimensões: 60,4 metros de altura por 10,7 metros de largura
WILLAND
Um recado da cultura ballroom para Belo Horizonte. É assim que Willand, artista não-binária e dançarina de vogue fem e new way, define a obra de sua autoria selecionada através da Convocatória de Lambe do Cura 22.
Nascida e criada no Aglomerado da Serra, Willand sempre foi apaixonada pela dança. Ainda em seus anos escolares, dedicou-se ao hip hop e, a partir de 2019, começou a estudar vogue, uma expressão artística inspirada na cena ballroom surgida na década de 60 no bairro do Harlem em Nova York. Na época, drag queens afro descendentes e latinas buscavam visibilidade e reconhecimento em um ambiente dominado por drags brancas.
Depois de participar do projeto Crypto/Serrão, que buscava trazer artistas periféricos para o mundo da criptoarte, Willand montou seu primeiro trabalho online, com exibição marcada para setembro em um museu digital do metaverso.
Segundo a artista, o lambe que será afixado na fachada do Hotel Sorrento tem o objetivo de gerar estranheza, curiosidade e interesse na cultura ballroom, levando um recado muito forte para as pessoas e para a cidade através das marcas e das corpas da comunidade LGBTQIA+.
Hotel Sorrento
Praça Raul Soares, 354
Centro, Belo Horizonte
Área Total: 28,5 metros quadrados
Dimensões: 3,8 metros de altura por 7,4 metros de largura
MST - MOVIMENTO RURAL DOS TRABALHADORES SEM TERRA
A questão da terra estrutura a desigualdade social no Brasil. E para falar sobre a terra, é imprescindível ouvir aqueles que cuidam dela. Há 38 anos, o Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra vem propondo um outro projeto para o campo através da luta pela terra, pela reforma agrária popular e pela transformação social.
Com o objetivo de construir uma sociedade mais justa e igualitária, onde todes tenham direito e acesso à educação, saúde, moradia, comida e trabalho, o MST desenvolve experiências germinais de processos transformadores.
Suas atividades são pautadas pela agroecologia, pelo plantio solidário, pela segurança alimentar, pela proteção e reprodução de sementes crioulas, pela formação e educação política dos trabalhadores do campo, pela preservação e fortalecimento das culturas, e pelo entendimento da arte e da criatividade enquanto potência para intervir e mudar o mundo.
No Cura 22, o MST pintará uma empena do Edifício Rochedo, localizado nas proximidades do Mercado Central. O layout é resultado de um processo coletivo que buscou enfatizar a importância das relações entre o campo e a cidade, sempre mediadas pela luta pela terra, pela questão alimentar e pela diversidade dos sujeitos da luta.
Edifício Rochedo
Rua dos Goitacazes, 470
Centro, Belo Horizonte
Área Total: 489 metros quadrados
Dimensões: 36,1 metros de altura
PROGRAMAÇÃO MIRANTE CURA:
19 SEGUNDA - 16h20 às 22h
16h20 às 22h - Exposição instalação "Levante" de Selma Calheira (BA)
Pintura empenas Pedro Neves (MG), Sueli Maxakali (MG) e MST (Brasil), Fachada de Lambe WILLAND (MG)
20 TERÇA - 16h20 às 22h
16h20 às 22h - Exposição instalação "Levante" de Selma Calheira (BA)
Pintura empenas Pedro Neves (MG), Sueli Maxakali (MG) e MST (Brasil), Fachada de Lambe WILLAND (MG)
21 QUARTA - 16h20 às 22h
16h20 às 22h - Exposição instalação "Levante" de Selma Calheira (BA)
Pintura empenas Pedro Neves (MG), Sueli Maxakali (MG) e MST (Brasil), Fachada de Lambe WILLAND (MG)
16h20 às 22h - Lançamento da Loja CURA com House of Cabal: desfile e apresentação do espetáculo PINK GARDEN
22 QUINTA - 16h20 às 22h
16h20 às 22h - Exposição instalação "Levante" de Selma Calheira (BA)
Pintura empenas Pedro Neves (MG), Sueli Maxakali (MG) e MST (Brasil),Fachada de Lambe WILLAND (MG)
16h20 às 18:30h - DJ Pelas
18:30h às 20h - Lançamento Catálogo CURA com a mesa “CURA e a cidade”, com Binho Barreto, Felipe Thales, Carol Jaued, João Perdigão e Flaviana Lasan. Mediação Roberto Andrés.
20h às 22h - DJ Kingdom
23 SEXTA - 16h20 às 22h
16h20 às 22h - Exposição instalação "Levante" de Selma Calheira (BA)
Pintura empenas Pedro Neves (MG), Sueli Maxakali (MG) e MST (Brasil), Fachada de Lambe WILLAND (MG)
16h20 às 22h - Becks apresenta Pedro Pedro e João Nogueira
24 SÁBADO - 16h20 às 22h
16h20 às 22h - Mirante CURA - Exposição instalação "Levante" de Selma Calheira (BA)
Pintura empenas Pedro Neves (MG), Sueli Maxakali (MG) e MST (Brasil), Fachada de Lambe WILLAND (MG)
16h20 às 22h - Xeque Mate apresenta
16h20 às 19h Lázara
19h as 22h Jambruna
25 DOMINGO - 10h às 22h
10h às 22h - Exposição instalação "Levante" de Selma Calheira (BA)
Pintura empenas Pedro Neves (MG), Sueli Maxakali (MG) e MST (Brasil), Fachada de Lambe WILLAND (MG)
10h às 22h - Espaço CURA - arte, comida e agroecologia/ parceria MST
10h às 14h - DJ Palomita
14h às 14h20 - Performance Solsticio: Dança para o amanhã
15h às 18h - DJ Pat Manoese
18h às 19h - Show Mateus Aleluia
19h às 22h - DJ Rico Jorge
Sobre a 7ª edição
Em sua última edição, o Cura navegou as águas transculturais do Rio-Avenida Amazonas e fez da Praça Raul Soares seu novo território. Ao longo do percurso, o festival movimentou afetos, projetou inquietações, congregou práticas e saberes ancestrais, e homenageou os que se foram na pandemia.
Agora, o Cura pisa em terra firme. É sobre ESTA TERRA que o festival desenha novos caminhos. Se olhar para o céu é contemplar o passado, trabalhar a terra é cultivar o futuro, é garantir a subsistência e estabelecer o chão da casa. No Brasil, as questões relacionadas à terra sempre estiveram no centro do debate e das reivindicações do nosso povo: reforma agrária, agroecologia e demarcação de um lado; mineração, garimpo e monocultura do outro.
Como um projeto cultural de arte pública, o Cura sempre teve o objetivo de reafirmar a vocação fundamental da rua como espaço de convívio, de debate, de expressão criativa e de exercício da cidadania. “Em nossa sétima edição, seguimos o caminho da terra, do solo e das ruas para conectar linguagens e territórios através de uma arte relacional e inclusiva, da reflexão crítica e da mobilização social pautada em diálogos e entendimentos plurais sobre o espaço público. Acreditamos que, assim, será possível traçar novos mapas, em que pertencimento, acolhimento e diversidade caminhem em direção ao mesmo destino” conta Priscila Amoni, uma das idealizadoras e curadoras do festival, ao lado de Janaina Macruz e Juliana Flores.
“Mais uma vez, nosso alimento será a força do encontro e da partilha. Vamos nos encontrar para dizer que está duro viver, mas também para lembrar que o nosso encontro acontece no aqui e no agora, sobre este chão, e que ele é absolutamente crucial para tudo o que está por vir”, completa.
Sobre o Cura
O Circuito Urbano de Arte realizou sua sexta edição em 2021/22, completando 22 obras de arte em fachadas, empenas e também no chão, sendo 18 na região do hipercentro da capital mineira e quatro na região da Lagoinha, formando, assim, a maior coleção de arte mural em grande escala já feita por um único festival brasileiro.
Idealizado por Janaina Macruz, Juliana Flores e Prisicila Amoni, o CURA também presenteou BH com o primeiro e, até então único, Mirante de Arte Urbana do mundo na Rua Sapucaí.
Prestigie...Use máscara cobrindo a boca e o nariz. Se cuide!

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