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terça-feira, 19 de abril de 2022

Projeto Alma Brasileira leva MPB e vivência musical a 2 mil estudantes do DF

Foto:Tiago Berinjela
A proposta é colocar os alunos em contato com diferentes estilos musicais e com instrumentos representativos da cultura brasileira.  

Temporada teve início em 8 de abril e termina no dia 29 

Até o final deste mês de abril, o Coletivo Educação pela Arte promove mais duas apresentações da Temporada 2022 do Alma Brasileira, em escolas da rede pública de Brasília (DF). Nesta quarta-feira (20), o projeto musical passa pela Escola Classe 01, de Paranoá, das 10h às 12h, e também apresenta um concerto instrumental no local para estudantes e professores, das 13h às 14h. No dia 29, o grupo visita o Centro de Ensino Médio 03, Taguatinga Sul, das 10h às 12h. Nos dois encontros estão programadas atividades como palestras, concertos e oficinas de percussão. Ao todo, músicos e educadores completam o itinerário em cinco escolas públicas da cidade, oferecendo educação e cultura a cerca de 2 mil estudantes, na faixa de 12 a 16 anos.

Nesta edição, o projeto conta com os músicos Nelson Latif, Marcelo Lima, Ismael Rattis e Sandro Alves. O grupo apresenta obras do cancioneiro popular aos estudantes - mesclando compositores que são ícones da MPB, bem como estilos variados e principais instrumentos utilizados. Juntos, eles propõem uma viagem à história da cultura brasileira: do Choro, Samba, Frevo, Maculelê ao Funk e a outros estilos que são apresentados nas oficinas de percussão. 

O objetivo central dos artistas é gerar um entendimento mais amplo sobre a cultura brasileira e a miscigenação étnica, presentes nas raízes da MPB. Além dos novos conhecimentos, a experiência tem um caráter lúdico. Com o projeto, muitos dos estudantes têm a oportunidade de assistir a uma apresentação musical pela primeira vez, o que, na opinião dos músicos envolvidos, estimula a sensibilização do grupo. “A música é essencial no processo educativo cultural e a experiência é bem impactante para os alunos”, avalia Nelson Latif, músico idealizador do Alma Brasileira.

O músico Marcelo Lima explica que o projeto faz uma retrospectiva histórica e cronológica da MPB, chegando até ao contexto atual. Para ele, quando os alunos atravessam essa trajetória musical passam a conhecer o universo da música e a sua própria identidade cultural.  “É um trabalho de manutenção e resgate das nossas raízes culturais, de forma a integrar as novas gerações às diferentes épocas e estilos da nossa música”, contextualiza.

“Levamos uma proposta multidisciplinar e é possível envolver professores de todas as áreas”, revela o músico Ismael Rattis, outro integrante do projeto. Ele destaca outra importante função do projeto: a responsabilidade social – já que lida com estudantes com pouco acesso à cultura, pois a maioria vive em regiões consideradas periféricas.  

O percussionista Sandro Alves reforça que nestes encontros, em função do contato direto com instrumentos, as crianças e adolescentes afinam sua percepção diante da arte. “Alguns demonstram mais interesse pelo fazer musical nas oficinas realizadas”, diz. Com isso, o Alma Brasileira é também um detector de novos talentos.

“Um projeto como o Alma Brasileira é uma grande oportunidade para os estudantes aprenderem de forma prazerosa, envolvente e marcante”, avalia a professora Jordana Eid, coordenadora do Curso Técnico em Eventos integrado ao Ensino Médio do IFB, primeira escola a receber essa experiência musical neste ano, no dia 8 de abril. “Foi possível perceber o quanto eles se interessaram, se envolveram e se engajaram com a proposta. Quando os estudantes souberam que iriam tocar junto com os músicos ficaram radiantes”, ressalta. 

Entusiasmo e alegria também foi o clima que tomou conta do Centro de Ensino Especial 01 de Samambaia, no dia 12. Assim definiu a professora de Educação Física, Tânia Cristina Cardoso Ribeiro, que acompanhou o grupo de alunos. “Foi um momento de verdadeira inclusão dessa arte tão valiosa que é a nossa música brasileira - para todos nós que participamos”, expressa.

Sueny Schetino Takaki, professora da Oficina de Teclado da Escola Parque Anísio Teixeira, unidade visitada no dia 13, diz que a atividade funciona como um complemento do ensino regular. “É uma vivência que, só com as aulas, dentro de uma sala, a gente não consegue passar. É muito importante o nosso aluno ter contato com profissionais que vivem da música. Na Ceilândia temos o acesso restrito à arte e à cultura. E, quando trazemos para a escola uma manifestação artística, um show ou uma oficina, percebemos um despertar do aluno para as artes”, finaliza. 

Três décadas em atividade

O projeto Alma Brasileira existe desde 2005 e já foi realizado em mais de 30 países, entre eles, Egito, Síria, Líbano, Bélgica, Holanda, Irlanda, Suécia, Hungria, Azerbaijão, Jordânia, França, Moçambique, Nova Zelândia, Guatemala, entre outros, além de diversas cidades brasileiras – passando por universidades, escolas, conservatórios musicais e CEBs (Centros de Estudos Brasileiros no Exterior).  Em Brasília, a primeira experiência aconteceu em 2018.  

Segundo o coordenador, Nelson Latif, o projeto vem ao encontro do pensamento de artistas e gestores da área da educação sobre a necessidade dos estímulos artísticos a crianças e jovens, já que são fundamentais para seu desenvolvimento cognitivo, motor e humanístico. 

O músico sinaliza que o repertório das apresentações reúne um universo bem variado de estilos, ritmos e sonoridades.  “Nossa ida às escolas visa transformar a realidade destes jovens através da vivência musical, já que atualmente, tanto nas escolas quanto nos espaços públicos, a exposição de diferentes formas de arte é escassa em todo território nacional”, explica.

O projeto conta com fomento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), GDF e da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. A produção é do Coletivo Educação pela Arte, como apoio da Fakhouri Produções Artísticas, SubFX Arte e Tecnologia, Batucada Organizada e Gota Produções.

ARTISTAS DO ALMA BRASILEIRA  

Nelson Latif

Músico, sociólogo (USP) e gestor cultural (UNC), trabalhou por 27 anos na instituição Holandesa Uit de Kust, coordenando oficinas de percussão e de música brasileira para estudantes europeus. É violonista, cavaquinista e dedica sua carreira especialmente à música instrumental brasileira. Nelson Latif é fruto da boa safra de músicos paulistanos da década de 80. Com formação musical em Jazz e Choro, atua nos principais palcos brasileiros e europeus. É coordenador do Projeto Alma Brasileira e um dos integrantes do Trio Baru.

Marcelo Lima

Multi-instrumentista, compositor e professor, Marcelo Lima já participou de vários grupos musicais da capital federal e do Brasil e em vários países da Europa. Ele considera o bandolim como seu grande parceiro. Foi professor de bandolim da Escola de Choro Rafael Rabelo por 10 anos. O artista possui sete álbuns musicais no portfolio.

Ismael Rattis

O músico e educador já fez parte do Trio Baru e reúne experiências com a Funqquestra, Trem Caipira e Carlinhos Veiga & Banda. Além das aulas no Instituto Batucada Organizada, ministrou e ministra oficinas de percussão em projetos como: Eu Faço Cultura, Caravana da Criança, entre outros.

Sandro Alves

Percussionista carioca radicado em Brasília há mais de 10 anos, Sandro Alves é conhecido por unir ritmos tradicionais brasileiros com influências modernas e é pesquisador da cultura folclórica brasileira, que fundamentou sua musicalidade nos instrumentos de percussão. O músico integra a formação do Trio Baru, atua em diversos projetos culturais e na direção da Gota Produções.

 Temporada 2022 do Projeto Alma Brasileira  

Quando: De 8 a 29 de abril/2022

Próximas ações:

20/4 (quarta-feira) | | período matutino: Escola Classe 01, Paranoá – 10h às 12h e das 13h às 14h

Endereço: Q 26 Cj G Ae 01 - Paranoá, Brasília - DF, 71572-600

29/4 (sexta-feira): Centro de Ensino Médio 03, Taguatinga Sul – 10h às 12h

Endereço: 03, St. E Sul - Taguatinga, Brasília - DF, 72025-515

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