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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Cefart estreia espetáculo de formatura (on-line) "Haverá festa com o que restar"

"Haverá festa com o que restar” | Formatura do Cefart

Sinopse: Neste espetáculo, haverá uma festa para espantar as misérias desses tempos tão difíceis. Uma festa com muita gente e tipos ciborgues, alienígenas, monstros, seres nosferásticos, artistas. A comida. Sem comida a festa acaba!

Se estiverem com fome, aqui serviremos “ideias para adiar o fim do mundo” ou pensamentos de uma força capaz de incendiar. Sintam-se convidades. Catem os cacos, ergam os copos: haverá festa com o que restar.

Datas: 19, 20, 21 e 22 de agosto

Horário: 20h

Classificação Indicativa: 18 anos – É necessário que o espectador faça um cadastro no YouTube informando sua idade

Transmissão: Canal do Youtube da FCS - https://www.youtube.com/user/palaciodasartesmg

Atividade Gratuita

Informações para o público: (31) 3236-7400

Concebido a partir de inquietações e perspectivas sobre os corpos LGBTQIA+, o atual contexto político brasileiro e a memória do fazer teatral, o espetáculo on-line Haverá festa com o que restar, cujo título é homônimo ao livro do jovem poeta curitibano, Francisco Mallmann, marca a formatura dos alunos do Curso Técnico de Teatro do Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart, da Fundação Clóvis Salgado. Sob direção dos artistas convidados David Maurity, Pedro Kosovksy  e Rafael Bacelar, a peça tem como mote uma festa decadente que simboliza a metáfora do fim do mundo e, ao mesmo tempo, retrata uma juventude que possui muita pulsão pela vida, mas que agoniza por estar em um lugar hostil, fechado para qualquer possibilidade de transformação e invenção.

Com apresentações marcadas para os dias 19, 20, 21 e 22 de agosto, “Haverá festa com o que restar” será transmitido pelo canal do YouTube da FCS, sempre às 20h, e não contará com a presença do público no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. Como a obra contém cenas de nudez, a idade indicativa é para maiores de 18 anos. Para assistir ao espetáculo, é necessário que o espectador realize um cadastro no YouTube, com login e senha, informando a idade.

O Governo de Minas Gerais e a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam o espetáculo de Formatura do Curso Técnico em Teatro do Cefart “Haverá festa com o que restar”. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a correalização da APPA – Arte e Cultura e patrocínio master da Cemig, AngloGold Ashanti e Unimed-BH / Instituto Unimed-BH¹, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

¹ O patrocínio da Unimed-BH / Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores.

Dramaturgia Colaborativa

Construído em sua maioria por cenas solos, o espetáculo “Haverá festa com o que restar” traz uma estética experimental do teatro contemporâneo, com uma dramaturgia não linear, que passa muito pela performance. “A peça é feita de estilhaços, de muitos temas e de corpos que se diferem. ‘Haverá festa com o que restar’ foi desenvolvido a partir do respeito à diferença, das individualidades e dos pensamentos sobre o físico e a corporeidade, temas simbólicos mais profundos”, revela Rafael Bacelar. 

O espetáculo foi concebido durante a pandemia e os ensaios no Grande Teatro Cemig inspiraram os artistas a atuar em lugares que vão além do palco. Desta forma, integram o cenário e a dramaturgia da peça - assinada pelos três diretores, com colaboração de Ane Grube, Joyce Athiê, Marina Merêncio, Nádia Fonseca e Rodrigo Sander, atrizes e ator da peça – o maquinário e outros espaços do Grande Teatro que normalmente não estão à vista do espectador, como o elevador de carga, o fosso e a cortina corta fogo. 

“A dramaturgia foi criada de maneira colaborativa entre os que assinam a direção e os alunos. Trabalhamos com a turma a vontade autoral de cada um deles para que, enquanto artistas, assumissem posições sobre o momento em que estamos vivendo no país, trazendo suas inquietações e bandeiras. Além disso, como a peça será encenada em diferentes lugares do Grande Teatro, o uso do espaço é quase um site specific (obra criada de acordo com o ambiente determinado). Outro ponto interessante é que o público poderá entrar na maquinaria de um teatro antigo, de ópera, que tem toda uma caixa de ilusão. Então, resolvemos ‘brincar’ com tudo isso”, explica Pedro Kosovski,, diretor do espetáculo.

Para David Maurity, a criação de um espetáculo inédito, com a colaboração dos alunos, é também uma ação pedagógica que o Cefart proporciona. “Eu, o Rafael e o Pedro, desde o início do processo, entendendo o papel da Escola do Cefart e sabendo que esse espetáculo é um trabalho profissional para todos os envolvidos, priorizamos uma criação original. Fizemos um processo muito interessante para que os alunos entendessem como se desenvolve a criação de uma peça. Apesar da pandemia, conseguimos por meio da plataforma Zoom trabalhar exercícios, construções de cenas e propor estudos sobre obras de alguns teóricos do teatro. E, presencialmente, tivemos encontros muito potentes e fundamentais para que levantássemos o espetáculo”, observa o diretor. 

Durante o processo de criação, os alunos tiveram a oportunidade de conversar sobre o fazer teatral com nomes relevantes do cenário artístico brasileiro, como Márcio Abreu (diretor e dramaturgo da Companhia Brasileira de Teatro), Ana Kfouri (diretora e atriz), Eleonora Fabião (performer e professora) e Patrick Pessoa (crítico de teatro).

Além dos alunos que colaboraram com a dramaturgia, integram o elenco do espetáculo os atores Bernardo Rocha, Johanna Klosowski e Rafa Coutinho, responsáveis pelos núcleos de “Direção Artística”, “Produção” e “Maquiagem, Figurino e Cenário”.

A iluminação do espetáculo foi criada pelo artista Régelles Queiroz. A direção de arte, por Gabriela Dominguez. Kleber Bassa, cinegrafista e editor, assina a direção de fotografia e transmissão do espetáculo. Já a trilha sonora e a direção musical são de Davi Fonseca. A direção de produção é de Ricelli Piva.

Tradição na Formação de Artistas

Voltado para a formação de atores e atrizes, o Curso Técnico em Arte Dramática do Cefart, em 2021, celebra 35 anos. Criado formalmente em 1986, o curso é validado pela Secretaria de Estado de Educação e tem reconhecimento nacional comprovado pela constante atuação dos alunos do Cefart em festivais nacionais e internacionais de teatro, nas programações de TV, no cinema (curtas e longas-metragens) e na formação de novos grupos.

A primeira turma a finalizar o curso, em 1989, estreou o espetáculo “A flor da obsessão – Fragmentos”, da obra de Nelson Rodrigues, com direção de Eid Ribeiro. No elenco, entre outros artistas, estavam Rita Clemente, diretora do atual espetáculo, Davi Dolpi e Iara Fernandes, que se tornaram professores do Cefart.

Entre diretores e professores, passaram pela Escola de Teatro: Ana Addad, Ana Jardim, Anderson Aníbal, Ângela Mourão, Antônio Melo, Carlos Gradim, Carlos Rocha, Carmen Paternostro, Cláudio Dias, Cristiano Peixoto, Elvécio Guimarães, Fernando Linares, Gil Amâncio, Gláucio Machado, Glicério do Rosário, Grupo Espanca, Ivanete Mirabeau, João das Neves, José Walter Albinati, Juliana Pautilha, Kalluh Araújo, Lenine Martins, Letícia Castilho, Lúcia Ferreira, Luiz Carlos Garrocho, Luiz Paixão, Marcelo Bones, Marcello Castilho Avellar, Marcos Voguel, Mariana Muniz, Marco Flávio Alvarenga, Marina Viana, Mauro Xavier, Mônica Ribeiro, Odilon Esteves, Paulinho Polika, Rita Clemente, Rodrigo Campos, Sérgio Marrara, Tarcísio Ramos, Walmir José.

Entre tantos ex-alunos, estão: Alexandre de Sena, Alexandre Toledo, Ana Flávia Rennó, Ana Haddad, Anderson Aníbal, Assis Benevenuto, Camilo Lélis, Carolina Bahiense, Cristina Vilaça, Dimir Viana, Fernanda Ribeiro, Grace Pasô, Guilherme Marinheiro, Helena Mauro, Henrique Carsalade, Henrique Cordoval, Jefferson da Fonseca, Jussara Fernandino, Léo Quintão, Leonardo Bertholini, Lira Ribas, Luiz Arthur, Maicon Sipriano, Márcia Bechara, Márcia Torquato, Marney Hitmann, Neise Neves, Suzana Cruz, Thiago Amador.

Segundo Marta Guerra, diretora do Cefart, foram muitos atores e atrizes, professores, diretores, dramaturgos, figurinistas, cenógrafos, maquiadores, que passaram pelo Centro de Formação Artística e pelos palcos do Palácio das Artes, tornando esse rico passado cultural referência sólida que reflete no trabalho atual. “São 35 anos de um caso de amor já consolidado! São muitas lutas, eliminação de barreiras, desafios diários e dores, mas também muitos prazeres emoldurados por uma força especial, através de muito estudo, dedicação, disciplina e autoconsciência na busca de quem nós somos”, revela Marta Guerra.

A diretora destaca ainda que a Escola de Teatro do Cefart é mais do que uma usina de novos talentos, “É, principalmente, a eterna busca da excelência na formação de profissionais que seguirão trabalhando passo a passo pelo desenvolvimento pessoal e realizações artísticas, sempre dedicadas ao público”.

De acordo com pesquisa realizada por alunos da Fundação João Pinheiro em 2019, junto a alunos formados nos Cursos Técnicos em 2016, 2017 e 2018,  71,9% dos alunos formados nesses Cursos do Cefart trabalham em suas respectivas áreas de formação, sendo que 75% se inseriram no mercado de trabalho em menos de um ano após a formatura.

Sob a coordenação de Paulo Maffei e Rogério Araújo, o curso de teatro, que tem duração de três anos, também oferece aos alunos atividades extracurriculares de treinamento e pesquisa em técnicas específicas – alguns também abertos a coletivos e ex-alunos ligados ao Cefart, nas áreas de Trilha Sonora, Projetos Culturais, Teatro Físico e Performance, Máscaras, Técnica Vocal e Leitura Dramática, ministrados por corpo docente capacitado.

David Maurity – Ator, dramaturgo, pesquisador e produtor. Em 2012, integrou o elenco do Oficinão, projeto realizado pelo Centro Cultural Galpão Cine Horto, que culminou no espetáculo Delírio & Vertigem, com direção de Rita Clemente e textos de Jô Bilac. É co-fundador, em 2013, da Companhia de teatro Toda Deseo, grupo de artistas mineiros que tem sua pesquisa voltada para novas formas de ocupação teatral e para a criação contemporânea a partir questões relacionadas a identidades de gênero: suas multiplicidades e diferenças. Em 2021, lançou o seu primeiro trabalho solo "SPUR" em formato de áudio cena, apresentada na Mostra de Artes Imersivas, do Panorama Virtual. O trabalho segue em desenvolvimento para se transformar em um espetáculo de palco. Além disso, é Bacharel em Estudos Literários em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Literaturas Modernas e Contemporâneas pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, PósLit, da Faculdade de Letras UFMG.

Pedro Kosovski – É dramaturgo, diretor teatral e professor de artes cênicas da PUC-RIO e do Teatro O Tablado. Funda, em 2005, a Aquela Cia de Teatro, núcleo de criação e pesquisa da linguagem teatral. Concentra seus esforços artísticos em uma dramaturgia que está no trânsito entre os conceitos de memória coletiva e fabulação. Suas obras foram apresentadas nos principais festivais do Brasil, em Portugal, Colômbia e, em 2022, está prevista para ser levada à França. Recebeu indicações e foi vencedor dos principais prêmios de artes cênicas do Brasil como Shell, APCA, Cesgranrio, Questão de Crítica, APTR, Aplauso Brasil, Zilka Salaberry. Foram encenadas vinte peças de sua autoria dentre as quais a ópera contemporânea “Aquilo que mais eu temia desabou sobre minha cabeça” (2017), que estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Três de suas peças que formam a “Trilogia Carioca” (Cara de Cavalo”, “Caranguejo Overdrive”, “Guanabara Canibal”) estão publicadas pela editora Cobogó. Traduziu a obra “Fiz Bem?” da dramaturga francesa Pauline Salles também publicada pela mesma editora.

Rafael Bacelar – É ator, diretor, bailarino, drag, mestra de cerimônias e pesquisador. Seus pensamentos e desejos percorrem os espaços do teatro, da dança, filosofias queer, estudos culturais, de sexualidade & gênero. Co-fundou a companhia TODA DESEO, integrante da plataforma Cabaré das Divinas Tetas e é ator colaborador na Companhia Brasileira de Teatro.

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