quinta-feira, 4 de abril de 2013

Thiago Lacerda em "Hamlet"

Foto:Divulgação

Sob a concepção e direção de Ron Daniels, que volta ao Brasil depois de 12 anos, tradução de Marcos Daud e Ron Daniels, espetáculo coloca em cena 15 atores para contar a tragédia desse que é um dos mais enigmáticos personagens do teatro. De 19 a 21 de abril, no grande teatro do Sesc Palladium

“Hamlet é um thriller inteligente e cheio de humor, onde correm lágrimas e sangue e que fala com urgência de nós mesmos e do nosso tempo.”

Ron Daniels

O fantasma do velho rei da Dinamarca à procura de seu filho e clamando por vingança está de volta. A tragédia de Hamlet, considerado um dos mais perfeitos persona¬gens criados por William Shakespeare, é revisitada por um elenco de 15 atores que tem Thiago Lacerda como o príncipe dinamarquês. Em cena estão Antonio Petrin, Selma Egrei, Sylvio Zilber, Eduardo Semerjian, Anna Guilhermina, André Hendges, Chico Carvalho, Everson Romito, Fernando Azambuja, Marcelo Valente Lapuente, Marcos Suchara, Rafael Losso, Ricardo Nash e Rogério Romera. Montagem faz curta temporada no Grande teatro do Sesc Palladium, de 19 a 21 de abril, sexta a domingo.

Apresentado pelo programa cultural Vivo EnCena, programa cultural da Vivo para as artes cênicas, a parceria permite uma série de ações como circulação do espetáculo, após cumprir temporada na cidade de São Paulo e Rio de Janeiro, workshops e debates que promovem maior acessibilidade, reflexão e intercâmbios para todos. O espetáculo é viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.

Em Belo Horizonte, “Hamlet” tem correalização da Fecomércio – Sesc/ Senac e Sesc MG. A produção local é da Rubim Projetos e Produções.

Produção

Para enfrentar o desafio de encarnar o mítico personagem que proferia emblemática frase “Ser ou não ser, eis a questão”, o ator Thiago Lacerda contou com a batuta do diretor anglo-brasileiro Ron Daniels, hoje, um dos Diretores Associados da Royal Shakespeare Company (Nova York). Desde julho de 2012, Daniels se mudou para São Paulo para dedicar-se à montagem. Hamlet é o seu retorno aos palcos brasileiros — sua última encenação no Brasil foi Rei Lear, em 2000, protagonizada pelo ator Raul Cortez. O diretor também foi responsável pela fundação do Teatro Oficina, ao lado de José Celso Martinez Corrêa e Renato Borghi.

“Hamlet paira constantemente entre a vida e a morte, a esperança e a desilusão, o que é verdadeiramente trágico e o que é gozado também. É uma peça violenta, onde corre o sangue, o cuspe e as lágrimas, e que fala da maneira mais íntima e urgente de nós mesmos e do nosso tempo. Uma trajetória maravilhosa que a cada nova montagem define todo o espírito de uma geração”, declara Daniels.

“Estava há tempos pensando em fazer meu primeiro Shakespeare por identificar, nos textos do autor, a maior fonte dramática para exercitar meu ofício”, diz Thiago Lacerda que também deu luz à extravagância de Calígula, texto clássico do escritor argelino/francês Albert Camus (1913-1960) dirigido por Gabriel Villela em 2008/2010. “Mas não pensava em “Hamlet”. A coisa mudou quando recebeu o convite de Ruy Cortez – diretor que neste projeto assina a idealização e curadoria artística. “Descobri em Ron um mestre. Estou realizando um sonho, meu trabalho é me comunicar com o público, e não temo essa responsabilidade. Shakespeare dá trabalho, mas o aprendizado é grande”, acrescenta Thiago.

TODOS CONHECEM O SEU GRANDE MONÓLOGO. MAS QUEM É ESTE PERSONAGEM, E DO QUE TRATA A PEÇA?

Na cidade de Elsinore, capital do longínquo reino da Dinamarca, o velho rei acaba de morrer. Seu sucessor não é o seu filho, um jovem universitário, mas o seu poderoso irmão, eleito pelo congresso. A rainha viúva se casa logo com o novo rei e a transferência do poder ocorre com toda tranquilidade. Só que à noite o fantasma do velho rei ronda as muralhas do castelo à procura de seu filho. A verdade, diz ele, é que foi assassinado pelo irmão, numa réplica do primeiro crime, a morte de Abel pelas mãos de Caim. O pai fantasma exige e o filho promete vingança imediata. Olho por olho…

Mas como acreditar num fantasma? E numa época civilizada e cristã, como não perdoar a aqueles que nos ofendem. Confuso, sem prova alguma do que alega o fantasma, se sentido culpado por ser incapaz de cumprir sua promessa de vingança e obcecado pela traição voluptuosa de sua mãe, Hamlet entra em crise. Profundamente enojado de si mesmo e de tudo, ele vai à procura da morte. Ser ou não ser. É essa mesmo a questão…

O personagem, um lindo rapaz, homem perfeito e cheio de esperança, se esfacela, seu coração arrebentado. E, à medida que vai se estraçalhando, vamos nós mesmos perdendo a nossa inocência, aprendendo a corrupção do nosso mundo e da nossa humanidade. A nova geração sofre pelas falhas da antiga e os filhos são herdeiros dos crimes cometidos pelos seus pais. E por trás dos sorrisos dos poderosos, vai se revelando a ambição dos canalhas. Pelo menos assim é, e não só na Dinamarca.

A CONCEPÇÂO, POR RON DANIELS

“Shakespeare não escrevia suas peças só para as elites e a linguagem do seu teatro não era para ser entendida apenas pelos intelectuais. Por mais rebuscados que seus temas fossem, pertenciam à cultura popular. Seu teatro era moderno, vigoroso, com narrativas empolgantes e dinâmicas. Nada de precioso. As palavras que Shakespeare usava vinham da língua do povo, mesmo que o seu gênio fizesse com que a maneira de organizar estas palavras resultasse no que o guru do teatro inglês Peter Brook chama de “harmonia espiritual” – a música das esferas. E se hoje em dia precisamos de um dicionário especial para entender o significado dos termos sexuais de suas peças (A Dictionary of Shakespeare’s Sexual Puns and their Significance, publicado pela Macmillan Press em 1984), na época o espectador entendia todas as piadas e todas as vulgaridades do texto por mais requintadas que fossem.

Shakespeare era um homem do teatro e seu objetivo era comunicar suas ideias e seus enredos da forma mais direta possível. É certo que ele tinha um vocabulário enorme, mas não procurava propositadamente usar palavras que o seu público desconhecia. Não era poeta ou filósofo – ou se o era, era só por casualidade. Não escrevia poesia nem dissertações filosóficas e abstratas, mas teatro, ação e personagens – embora como todos os escritores da época, obedecia as regras do chamado verso “pentâmetro iâmbico”: cada linha do texto em verso constituído de cinco pares de sílabas, uma fraca seguida de outra forte, sendo que as palavras importantes sempre caem na sílaba forte. Mas essas são exigências do verso em inglês, que não têm nada a ver com o português escrito – muito menos o falado. Além disso, como diz o diretor John Barton da Royal Shakespeare Company, o “pentâmetro iâmbico” é a forma natural e gostosa de falar inglês. Se for assim, porque traduzir ou encenar o texto de forma rebuscada, embolada ou contorcida? Porque não traduzir o seu teatro através de uma forma natural e gostosa de falar o português? Uma forma direta, muscular, e lúcida que permita ao espectador entender tudo, palavra por palavra, sem dicionário, sem tempo de reflexão, no momento imediato da ação.

Então, vai faltar poesia? Pelo contrário. O que será revelado na boca do ator, sem mistificação, é o conteúdo mais profundo da fala que nos conduz ao encontro direto com o personagem em toda a sua humanidade e com todas as suas contradições. E através do personagem às verdades universais que falam de todos nós, das nossas vidas e do nosso tempo. Um Shakespeare verdadeiramente moderno, brasileiro e autêntico – como se ele tivesse nascido não em Stratford-on-Avon, na Inglaterra, mas em São Paulo ou em qualquer canto do Brasil. E o nosso espectador sairá do espetáculo totalmente empolgado, dizendo “Ué! Como é que é isso? Entendi tudo! Que gênio de autor. Que maravilha de peça! Essa é uma das principais razões que justificam essa montagem.”

Hamlet

Data

19 a 21 de abril – sexta e sábado às 21h e domingo às 19h

Local

Sesc Palladium – Rua Rio de Janeiro, 1.046 - Centro – Belo Horizonte (estacionamento no local – entrada pela Av. Augusto de Lima, 420)

Ingressos

Plateia I e II: Inteira: R$ 60,00 e Meia-entrada: R$ 30,00 Plateia III: Inteira: R$ 40,00 e Meia-entrada: R$ 20,00 / Venda online: www.ingresso.com / 4003.2330

Direção

Ron Daniels

Elenco

Elenco: (por ordem de entrada em cena): Francisco, sentinela e Fortinbrás, príncipe da Noruega - André Hendges/ Bernardo, sentinela: Marcelo Valente Lapuente / Padre O Terceiro Ator - Horácio, amigo de Hamlet: Rafael Losso/ Marcelo: Rogério Romera/ Capitão do exército norueguês e Fantasma do velho rei da Dinamarca: Antonio Petrin / O Primeiro Ator Hamlet, seu filho,príncipe da Dinamarca: Thiago Lacerda / Ofélia, filha de Polônio: Anna Guilhermina/ Laertes, filho de Polônia: Marcos Suchara/ Cláudio, o novorei da Dinamarca: Eduardo Semerjian/ Gertrudes, a rainha da Dinamarca: Selma Egrei / Polônio, conselheiro do rei: Sylvio Zilber / O Primeiro Coveiro, Reinaldo, servidor de Polônio: Fernando Azambuja / O Segundo Coveiro, Rosencrantz, amigo de Hamlet: Chico Carvalho / Guildenstern, amigo de Hamlet: Ricardo Nash / O Segundo Ator, Osric : Everson Romito

Outras Informações

(31) 3279.1500

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