terça-feira, 31 de maio de 2016

Grupo Diadokai apresenta peça" Fim de Partida" no Palácio das Artes

Obra de Beckett é apresentada em Belo Horizonte
Foto: Maria Duarte
As obscuras relações de poder desenvolvidas em uma sociedade em destruição dão o tom da peça Fim de Partida, escrita pelo dramaturgo Samuel Beckett. A obra é apresentada pelo grupo de teatro Diadokai no Palácio das Artes entre os dias 3 e 12 de junho. Os ingressos custam R$20 inteira e R$10 meia.

Em um cenário pós Segunda Guerra, Hamm, Clov, Nagg e Nell vivem uma rotina monótona, cíclica e sem significado. Isolados dentro de casa, eles se sentem os últimos sobreviventes da humanidade e se relacionam abusando um do outro, dentro do jogo de poder estabelecido silenciosamente entre eles. Cego, Hamm vive em uma cadeira de rodas, e maltrata Clov, que insatisfeito com a situação, ameaça constantemente partir, mesmo não tendo para onde ir. Enquanto isso, Nagg e Nell, pais de Hamm, vivem em um latão de lixo após terem perdido as pernas em um acidente de bicicleta. 

O texto de Beckett faz parte de uma corrente denominada Teatro do Absurdo, em que há a alternância entre elementos cômicos e imagens horríveis ou trágicas. Outra marca desse estilo são os recortes inusitados propostos para aspectos da vida humana.

O diretor Ricardo Gomes, optou durante a montagem evidenciar o silêncio como discurso. "O que as personagens não fazem ou não podem fazer, torna-se tão ou mais importante que suas ações", explica. Toda a composição plástica e sonora colabora para manter o clima desolador. O cenário da peça, criado por Daniel Ducato, é formado por uma série de objetos encontrados em ferros-velhos. São sucatas e outros materiais que dão a ideia de um local em ruínas. O figurino, assinado por Priscilla Duarte, traz roupas em tons mais quentes, como o vinho e o terra, contrapondo às personalidades sombrias e apagadas das personagens. Incomum nas peças de Beckett, que raramente utiliza recursos de som para complementar o texto, a montagem traz composições autorais, criadas pelo músico argentino Rufo Herrera, que refletem o ambiente desolador onde vivem as personagens.

A representação da peça Fim de Partida pelo grupo Diadokai foi ganhadora do Prêmio Fundação Clóvis Salgado de Estímulos às Artes Cênicas – categoria Circulação do Interior, o que possibilitou a temporada na capital mineira.


Fim de Partida - Grupo Diadokai

Local: Teatro João Ceschiatti, Palácio das Artes – Av. Afonso Pena, 1537 – Centro - Belo Horizonte-MG
Período: 3 a 12 de junho
Horário: sexta e sábado, às 20h30; domingos, às 19h
Duração: 1h45
Classificação: livre
Entrada: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia)
Informações para o público: (31) 3236-7400


Sobre o Teatro Diadokai – Criado há 20 anos, o Teatro Diadokai dedica-se à pesquisa sobre a Arte do Ator, convidando os espectadores a vivenciar experiências de 
conhecimento sobre si mesmos. Em uma visão intercultural e transdisciplinar, usa técnicas e princípios do teatro-dança clássico indiano e do treinamento do ator 
ocidental, tendo como principais referências Stanislávski, Grotowski e Barba. Atuou em diversos estados do Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, 
Distrito Federal, Ceará, Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina) e no exterior (Itália, Alemanha e Portugal). Atua no teatro de pesquisa, teatro de rua e teatro para 
crianças, com sucesso de público e ótima recepção da crítica especializada. Atua também na formação artística, por meio de atividades didáticas e da colaboração entre 
artistas jovens e artistas experientes.

Prêmio Fundação Clóvis Salgado de Estímulo às Artes Cênicas – O Prêmio Fundação Clóvis Salgado de Estímulo às Artes tem como objetivo o fomento ao teatro e à dança, buscando incentivar a criação, a montagem e a circulação de espetáculos. Importantes textos premiados obtiveram sucesso de público e crítica, como Bolsa Amarela, da Zero Cia de Bonecos; Todas as Belezas do Mundo, da Companhia Clara; Amores Surdos, do grupo Espanca! e Isso é Para Dor, da Primeira Campainha, entre outros. Nesta 
edição, o edital previu a distribuição de R$350 mil em prêmios para os projetos inscritos nas categorias Montagem (categorias Dança e Teatro), Circulação do Interior 
(categorias Dança e Teatro) e Montagem Marcello Castilho Avellar (espetáculo de Dança ou Teatro). A premiação também garante apoio em Assessoria de Imprensa, Mídias 
Digitais, impressão de programas e cartazes. Os projetos inscritos foram avaliados por uma comissão composta por profissionais das artes cênicas da Fundação Clóvis 
Salgado e da sociedade civil.

Premiação ameaçada – Em 2015, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, a Secretaria de Estado de Cultura e a Fundação Clóvis Salgado conseguiram reverter a 
delicada situação em que se encontrava o Prêmio Fundação Clóvis Salgado de Estímulo às Artes Cênicas. Sensibilizado com o problema, o Governo priorizou o pagamento de 
R$ 350 mil para cobrir as despesas previstas para as montagens. O secretário Angelo Oswaldo disse que esses recursos, que deveriam ter sido pagos ou liberados ainda em 
2014, traduzem o esforço do Governo Fernando Pimentel de reconhecer e enfatizar a importância da produção cultural na vida de Minas Gerais.

Ficha Técnica

Texto original: Samuel Beckett
Tradução: Fábio de Souza Andrade
Atuação:Adriana Maciel, Ana Lídia Durante, Daniela Fontana e Ricelli Piva
Direção: Ricardo Gomes
Cenário: Daniel Ducato
Figurino: Priscilla Duarte
Iluminação: Jésus Lataliza e Rodrigo Marçal
Música Original: Rufo Herrera
Design de Áudio:Matheus Ferro
Preparação corporal:Priscilla Duarte
Fotos de Divulgação:Maria Duarte
Cobertura audiovisual:Eduardo Moreira

Arte gráfica: Thálita Motta
Direção de Produção:Ricelli Piva
Produção Executiva:Thiago Meira
Produção:Teatro Diadokai | Laboratório de Atuação (UFOP)

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